
Comunicações Coordenadas
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Dia 21, segunda-feira 14h00-15h30 CC1 - Aud. BCZM - A Cidade Antiga: espaço e religião Coordenador: Regina Helena Rezende1. Estabelecimento e permanência do espaço religioso em uma colônia grega do Ocidente Auxílio: FAPESP Resumo: A partir da apresentação do templo da Concórdia, cuja existência é atestada na pólis de Agrigento a partir de 440-430 a.C., pretendemos abordar questões relativas ao estabelecimento dos templos nas colônias gregas do Ocidente durante o período Arcaico, sua permanência nos períodos Clássico e Helenístico e sua manutenção como espaço de culto durante a ocupação romana até o período Bizantino, quando, no século VI d.C. seu espaço foi remanejado e usado para o culto cristão.
2. Os santuários de Zeus na Sicília Auxílio: CNPq Resumo: O objetivo desta comunicação é apresentar um panorama geral dos santuários dedicados a Zeus na Sicília durante o período arcaico e início do clássico. Através do estudo de caso das póleis que construíram santuários à divindade – sobretudo Siracusa, Agrigento e Selinunte – pretende-se discutir a configuração espacial de cada santuário bem como as correspondências e os contrastes entre os locais de culto.
3. Os santuários de Asclépio: expressões arquitetônicas, sociais e religiosas nos séc. V, IV e III a.C. Scheila Rotondaro Koch, labeca/MAE/USP Auxílio: CAPES Resumo: Pretendemos captar as transformações que ocorreram nesse culto num período de grandes mudanças no mundo grego. Esse culto exerce um papel de referência para a compreensão das grandes alterações na sociedade grega que se deram paulatinamente ao longo do período proposto. Acreditamos que o estudo das transformações desse culto e a história de sua aceitação, nos permitirá uma aproximação das mudanças ocorridas na própria sociedade grega. As bases do culto a Asclépio trazem à tona importantes manifestações de sua forma particular e são indicações de concepções sociais coletivas que se apresentavam de várias maneiras, surgindo como referências importantes para conhecermos melhor o mundo grego do período em estudo, em sua ampla variação religiosa e cultural.
4. Os santuários de Hera e o espaço políade Silvana Diniz, labeca/MAE/USP Auxílio: FAPESP Resumo: Pretendemos comunicar os resultados parciais da pesquisa relativa aos santuários da deusa Hera no Mediterrâneo, do século VIII ao V a.C. O objetivo de nossa pesquisa é relacionar os santuários e cultos dessa deusa à organização dos espaços políades a que estavam vinculados, buscando contextualizar suas características de modo que entendamos o papel de tais santuários para a dinâmica sócio-político das pólis. Os santuários que escolhemos situaram-se em Argos, Samos, Peracora (pertencente a Corinto), pólis da Grécia do leste, e em Crotona, Metaponto e Poseidônia, na Grécia do Ocidente.
Monitores: Larissa Karen Ribeiro Gomes CC2 - Sala C1 - Amizade e prazer na lírica grega arcaica Coordenador: Giuliana Ragusa1. Entre imagens de prazer e de amizade: Afrodite nas elegias de Sólon e Anacreonte Resumo: A presença de Afrodite na poesia elegíaca e jâmbica pode ser observada num pequeno "corpus" de cinco textos. Em três destes, todos elegíacos, sua representação se desenha sobre imagens do prazer e da amizade na Grécia arcaica; refiro-me aos fragmentos 19 e 26 (West) de Sólon (séculos VII-VI a.C.), e ao fragmento 2 (West) de Anacreonte (século VI a.C.). Assim, estudar a divina personagem nesses poemas é, necessariamente, pensar tais imagens. Esta proposta de comunicação insere-se, justamente, na esteira desses trabalhos em que se combinam tradução e análise interpretativa dos versos, comentário de suas fontes de transmissão e consideração de elementos histórico-culturais relevantes.
2. O frag. 287 Dav. de Íbico e sua citação no Parmênides de Platão Sílvia Maria Marinho Galvão Anderson, Univ. de São Paulo Auxílio: FAPESP Resumo: Platão é fonte de diversos fragmentos e poemas líricos. No Parmênides parafraseia um poema de Íbico que tem por assunto o prazer erótico, tema, por sua vez, bastante recorrente na poesia lírica grega arcaica. No poema 287 Dav. de Íbico, o amante teme o ataque de Eros como um velho cavalo, anteriormente vencedor, vai contrariado a uma corrida. O próprio Parmênides, no diálogo, se diz impelido, como o cavalo de Íbico, a fazer uma demonstração sobre o exercício de tirar conseqüências de hipóteses. Essa conferência pretende fazer a relação entre a citação platônica do fragmento e o conteúdo do caráter erótico do poema.
3. O rompimento da ordem no ditirambo 15 de Baquílides Mariana do Amaral Mello, Univ. de São Paulo Auxílio: FAPESP Resumo: É sabido que os gregos primavam pelo respeito a determinadas regras de conduta que regulavam suas relações - entre homens ou cidades -, a ponto de creditarem a vigilância de tais comportamentos a um deus. O rompimento dos laços de hospitalidade e amizade existentes entre os gregos e os troianos devido ao rapto de Helena por Paris e a conseqüente reação grega são um exemplo claro a esse respeito e um motivo largamente explorado na literatura grega. É esse o assunto da décima quinta ode de Baquílides, o ditirambo intitulado "Os filhos de Antenor ou A reclamação de Helena", a partir do qual será analisado o discurso proferido por Menelau diante da ágora troiana a fim de exigir a devolução de Helena e, sobretudo, as suas considerações a respeito do comportamento humano movido pela ousadia, tal como fora o de Paris ao levar a esposa daquele de sua própria casa.
4. O prazer e a amizade na poesia jâmbica grega sob o prisma dos testemunhos Lígia Ferreira Barison, Univ. de São Paulo Resumo: A poesia grega jâmbica arcaica possui, entre tantos fragmentos, elementos que alguns autores aproximam da poesia cômica e satírica. É possível lermos, por exemplo, o papiro de Colono de Arquíloco e pensarmos num efeito cômico, causado pelas invectivas (psogoi) do poeta. O intuito dessa comunicação é, na medida do possível, resgatar, através das fontes e dos testemunhos antigos, o que teria sido essa poesia jâmbica para os antigos e os efeitos de sua recepção, sobretudo em ocasiões de performances regadas a prazer e amizade, como é o caso dos simpósios e dos festivais.
Monitores: CC3 - Sala 2H8 - Intertextualizando os clássicos Coordenador: Priscila Maria Mendonça Machado1. A saga de dois heróis: Enéias e Brás Cubas Priscila Maria Mendonça Machado, UNESP - FCLAr Auxílio: CAPES Resumo: Tendo por pressuposto a conhecida e sabida asserção de que a literatura latina tem forte e marcada ascendência, direta e indireta, sobre os textos contemporâneos, esta comunicação procurará conduzir uma análise que será pautada na análise da retomada do poema épico Eneida, de Virgílio, por Machado de Assis em Memórias póstumas de Brás Cubas. Tal presença pode ser localizada de várias formas. As mais claras consistem na citação dos primeiros versos do poema épico e do paralelismo entre os nomes Virgília / Virgílio (personagem do romance / autor do poema épico latino). Mas, além disso, pode-se notar a mais importante de todas, a construção do herói. Machado utiliza os moldes do herói clássico, na figura de Enéias, para construir o seu, Brás Cubas. É certo que os moldes sofrem distorções, mas são totalmente aceitáveis, uma vez que o autor brasileiro descreve em suas crônicas, as características do herói de seu tempo. Essas relações e análises entre o romance machadiano, o poema épico latino e as crônicas serão o maior enfoque dessa comunicação.
2. O estilo do maravilhoso em Apuleio Resumo: Este trabalho procura fazer uma análise estilística de trechos selecionados da obra O Asno de Ouro, de Apuleio, do século II d.C.. Para tanto, faz-se necessário retomar os conceitos de estilo da época, os quais eram prescritos pela Arte Retórica, que prescrevia regras fixas para a crítica individual, ou seja, de um determinado escritor, e para proporcionar um modelo de composição literária a ser seguido. Uma vez recuperadas as noções de estilo que os clássicos possuíam, é feito um levantamento dos dados fundamentais para a determinação do estilo de Apuleio decorrente da escolha dos posicionamentos dos termos na oração latina, considerando-se que o latim, ao permitir numerosos modos de construção frasal por ser uma língua com flexões casuais, oferece várias possibilidades para a caracterização de um estilo. Com isso, pretende-se estudar a maneira com que Apuleio constrói o maravilhoso presente em sua obra por meio dos recursos expressivos da linguagem.
3. Os poetas de Orfeu: um estudo sobre a poética da expressão Paulo Eduardo de Barros Veiga, UNESP - FCLAr Auxílio: CAPES Resumo: A pesquisa visa ao estudo de poesia latina, particularmente da expressão poética, em versos de poetas romanos, no caso, Ovídio e Virgílio, por intermédio principalmente dos preceitos da Semiótica e dos fundamentos da Linguística, sem dispensar o auxílio de outras ciências relacionadas à análise da linguagem e da arte literária, tais como a Teoria da Literatura, a Poética e a Estilística. Dessa forma, investigam-se o signo, a sua expressão e os efeitos de sentido que contribuem principalmente para a formação do sentido poético e estético do texto. Do mesmo modo, examina-se a estrutura poética a fim de descobrir, detalhadamente, isto é, verso a verso, de quais recursos de expressão o poeta utilizou-se para alcançar o efeito de sentido suscitado. Em especial, busca-se compreender os recursos da figuratividade, que permitem desenvolver uma percepção mais profunda da poesia.
4. Medéia e Gota d’Água: um estudo sincrônico Marcela Ulhôa Borges Magalhães, UNESP - FCLAr Auxílio: CAPES Resumo: Partindo do postulado de que um clássico é clássico não porque esteja conforme a certas regras estruturais ou se ajuste a certas definições, mas porque mantém certa juventude eterna e irreprimível, como acreditava Ezra Pound, propomo-nos, aqui, a refletir sobre as relações interdiscursivas e intertextuais presentes entre as obras Medéia, de Eurípedes, e Gota d’Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes, enfocando a construção das figuras femininas delineadas em ambos os textos, Medéia e Joana, a partir de uma poética sincrônica. Para tanto, pensaremos a tradição clássica, que compõe o paide uma dos escritores modernos, como organizada de modo a renovar-se e revitalizar-se nas enunciações do presente, adquirindo, portanto, um sentido sincrônico, o qual possibilita novas e diferentes leituras de precursores do passado na atualidade.
Monitores: Mônica Fagundes de Sousa e Silva 16h00-17h30 CC4 - Anexo B - A Cidade Antiga: espaço e sociedade Coordenador: Adriana Anselmi Ramazzina1. Estrutura social e organização espacial de necrópoles: aspectos teórico-metodológicos Adriana Anselmi Ramazzina, labeca /MAE / USP Resumo: Em que medida a espacialidade das práticas funerárias – o papel do espaço nos rituais funerários – pode
permitir a evidenciação e a análise da estrutura social de um grupo humano: essa é a questão central desta comunicação. Discutiremos alguns aspectos teórico-metodológicos relacionados ao tema, e sua aplicação no estudo das colônias fenício-púnicas da Sicília antiga.
2. Interpretações historiográficas do conceito de cidade-estado: o pensamento do século XIX Ricardo Morais Scatena, FFLCH - USP Resumo: Este trabalho tem por objetivo investigar a construção do conceito heurístico moderno cidade-estado e estudar qual o tratamento dado pelos historiadores às fontes antigas, observando o percurso histórico a partir destas para
estabelecer este conceito. Além disto, visa ainda pesquisar como o tema da cidade antiga ganhou importância dentro da própria historiografia no século XIX e o termo grego pólis, juntamente com o termo cidade-estado, tornaram-se centro de um intenso debate que perdura até os dias atuais.
3. A tirania na colônia grega de Siracusa: a estratégia de realocação populacional e o uso do espaço Juliana Figueira da Hora, labeca/MAE/USP Auxílio: Cnpq-Pibic Resumo: O trabalho que apresentarei no XVII Congresso Nacional de Estudos Clássicos será a conclusão final do
trabalho de Iniciação Científica. A pesquisa consistiu em estudar o papel das tiranias entre os séculos VI e V a.C na
configuração dos espaços na colônia grega de Siracusa, localizada na Sicília. A partir da análise de situações
constatadas, especialmente no decorrer do século V na área colonial siciliota, foram confrontadas as fontes escritas e arqueológicas para a compreensão da dinâmica espacial das refundações promovidas pelos tiranos. Essas realocações consistiram na transferência de uma cidade a outra, gerando tensões sociais e choques culturais. Desse modo, o movimento demográfico na Sicília causou um grande impacto, tanto na vida social e política quanto no espaço físico em Siracusa e nas cidades subjugadas pela mesma.
4. Vinho e pedra: Diônisos e a expressão material do teatro no urbanismo da Grécia Arcaica e Clássica João Estevam Lima de Almeida, labeca/MAE/USP Resumo: O objetivo desta pesquisa é buscar uma melhor compreensão do papel desempenhado pelo culto de Diônisos
na cidade grega da época arcaica e clássica. Partimos do princípio que o teatro como instituição grega expressa a
presença do culto de Diônisos na pólis e do princípio que o ambiente construído expressa elementos organizacionais da sociedade e interage com ela. Nossa intenção é, a partir de uma amostragem definida, estudar o teatro grego em seus aspectos físicos/materiais, focalizando sua inserção no disciplinamento do espaço na cidade-estado grega. Ainda que seja impossível ignorar a documentação escrita e a bibliografia existente sobre o teatro grego na Ática, pretendemos ampliar a nossa perspectiva, lidando com material arqueológico proveniente de outras pólis. Nosso recorte cronológico estará constituído pelos séculos VI ao III a.C.
Monitores: Cleyton Tavares CC5 - Anexo C - Amor, prazer e amizade: definições como estados da alma e aplicações no teatro e na vida Coordenador: Ana Maria César Pompeu1. Platão e Aristóteles: O estado da alma com seus prazeres mistos em relação à comédia. Resumo: Examinaremos, neste trabalho, o que diz Sócrates, no Filebo de Platão, acerca dos prazeres mistos de dor, em relação à comédia, quando ele procura conhecer a natureza do ridículo, que associa ao que se opõe radicalmente à inscrição de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”. Aqueles que não se conhecem em absoluto se sujeitam a três tipos de ignorância: quanto à riqueza, por se imaginarem mais ricos do que são; quanto ao corpo, por se julgarem mais belos e maiores do que são na realidade; e, em muito maior número, quanto aos bens da alma, por se
considerarem mais virtuosos do que os outros. Em seguida relacionaremos tais prazeres aos seus correspondentes descritos no livro II da Arte retórica, e com o que sugere Aristóteles sobre o prazer próprio da Comédia na Arte poética.
2. Philía e transgressão na "Electra", de Sófocles Resumo: A philía grega não se relaciona apenas ao consórcio de duas pessoas sem laços sanguíneos, mas também inclui os vínculos afetivos familiares. Propomo-nos, neste trabalho, analisar e discutir o tema da amizade na peça Electra, de Sófocles, por se tratar de uma tragédia em que as regras que comandam os elos afetivos sofrem rupturas, como, por exemplo, a ausência do amor de Clitemnestra em relação a seu filho Orestes.
3. Amor e alma nos três discursos do Fedro (Platão, Fedro 230e6-254b4; passim) Eleazar Magalhães Teixeira, Univ. Fed. do Ceará - sócio da SBEC Resumo: Mais do que investigar a quem devemos amar, ou não, importa, acima de tudo, saber o que é o Amor, se um desejo inato (émphytos epithymía), ou um saber adquirido pela experiência (dóxa epíktetos). No decorrer dos três discursos do Fedro, Platão nos sugere que o Amor é um delírio da alma, como a Profecia, a Arte Divinatória e a Poesia.
Por isso, saber o que é o Amor implica conhecer antes a Alma, ao mesmo tempo imortal e humana, inteligível e sensível, sempre em busca de prazeres e do que é melhor. Pelo conhecimento progressivo da alma na
sua amplitude divina, humana e sensível, seremos capazes de, com certa exatidão, compreender o que, quem, porque, quando e como devemos amar, adquirindo então uma direção mais correta e sábia para viver uma vida
relativamente feliz.
Monitores: Dia 22, terça-feira 14h00-15h30 CC6 - Aud. Filosofia - A Cidade Antiga: planejamento urbano e organização do espaço Coordenador: Patrícia Boreggio do Valle Pontin1. A cidade antiga e as muralhas: Magna Grécia e Sicília, uma proposta de interpretação. Patrícia Boreggio do Valle Pontin, Museu de Arqueologia e Etnologia - USP Auxílio: FAPESP Resumo: Tendo em mente o espaço construído não apenas pela sua forma, mas também pelo seu sentido ideológico, pretendemos apresentar nessa comunicação uma proposta para desenvolver o estudo das muralhas na Magna Grécia e Sicília considerando seus aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais e, não nos restringindo apenas aos seus aspectos formais. Nossa proposta é abandonar uma investigação puramente técnica e descritiva das fortificações, pois as muralhas não são monumentos e documentos mudos, e apontar para uma dimensão mais social e política, tarefa que ainda não foi empreendida pelos pesquisadores nessa temática. Assim, como objeto material carregado de conotações ideológicas e simbólicas, acreditamos que o estudo das muralhas gregas nos possibilitará estabelecer sua relação com o contexto social no qual elas estão inseridas.
2. A ocupação espacial da Báctria: sobre a viabilidade de uma abordagem da Arqueologia Fractal Auxílio: FAPESP Resumo: O trabalho apresenta uma breve historiografia e discussão sobre as abordagens teórico-metodológicas recentes utilizadas pela arqueologia do ambiente construído. A partir deste enfoque, também expõe o conjunto de fundamentos teóricos que favorece a compreensão e análise da ocupação espacial bactro-oriental, sob uma perspectiva da Arqueologia Fractal. Os dados quantitativos dos assentamentos existentes, obtidos por meio do levantamento sistemático realizado pela equipe de arqueólogos franceses nessa região, foram tratados e fornecem dados promissores para uma análise fractal que possibilita, consequentemente, a compreensão da recorrência dos padrões de ocupação e da dinâmica das sociedades que estiveram em contato na região da Báctria Oriental.
3. Massália, cidade focéia: mito ou realidade? Observações a partir da relação porto-cidade Auxílio: FAPESP Resumo: Em 1987, Roland Martin definiu Massália como a cidade focéia por excelência. Desde então muito tem-se especulado a respeito das relações dessa apoikía com sua cidade-mãe, Focéia, e a conseqüente manutenção de sua rede comercial e cultural no Mediterrâneo ocidental. Nesse sentido, os estudos acerca da identidade massaliota têm seguido rumo à definição de seu caráter singular, da mesma forma que análises das cidades focéias no ocidente têm questionado a existência de um modelo foceu de cidade. Com esse cenário em mente, e partido da proposta de análise da cidade antiga do labeca/MAE/USP, propomos, nessa comunicação, retomar a discussão da questão do caráter foceu em Massália. Tomando por base os achados arqueológicos, em particular aqueles do antigo Lacydon, bem como a documentação textual acerca dessa fundação colonial, discutiremos como porto e cidade se articulam na construção do “ideal” de cidade focéia
e da identidade dos massaliotas em particular.
4. Khora e asty nas póleis gregas do Ocidente Christiane Teodoro Custodio, Museu de Arqueologia e Etnologia - USP Auxílio: CAPES Resumo: Na perspectiva dos espaços construídos entendemos a pólis da Itália do Sul e Sicília como uma comunidade de cidadãos assentada em um território composto por uma área mais urbanizada que abriga edifícios cívicos, religiosos e habitações, a asty, e o seu território, compreendendo áreas de cultivo, bosques e santuários, a khora; ambos compartilhados por habitantes não-cidadãos. Buscaremos discutir a integração da khora e da asty a partir da observação dos elementos arqueologicamente identificáveis – quadriculamento da malha urbana articulado com o território, vias de acesso ao território, portas nas muralhas – e ainda, o sentido político da khora colonial, seja quando ela própria adquire o sentido de fronteira, bem como quando das disposições da partilha de terras, marcadas pela desigualdade. Assim, asty e khora constituem uma unidade territorial e a ortogonalidade observada nas póleis coloniais corresponde às
necessidades de organização de uma nova realidade social e política dos assentamentos gregos do Ocidente.
Monitores: CC7 - Aud. BCZM - Ensino de Latim: língua e literatura Coordenador: Márcio Thamos1. Lendo um poema de Catulo Resumo: Esta comunicação apresenta uma análise do poema V de Catulo, ressaltando certos efeitos de sentido sugeridos pelo tratamento lúdico e afetivo dado à linguagem. No contexto dessa sessão coordenada, o trabalho procura enfatizar a necessidade (e a possibilidade) de o ensino do latim preocupar-se metodologicamente com a recepção dos textos produzidos pelos antigos romanos sem negligenciar aspectos da linguagem responsáveis pelo engendramento do sentido poético.
2. O ensino do Latim a iniciantes adultos: considerações prévias Resumo: Como o latim era uma disciplina dificultada pelo ensino, dizer “vem do latim” é prova de inteligência e sucesso escolar, confundido tolamente com talento. Hoje, por força do arbítrio das leis do nosso ensino, a coisa mudou, porque a maioria não sabe o que é latim. “Vem do latim” só faz sentido se for não um gesto pedante mas um olhar às raízes, não a nenhum modelo. O latim não é modelo. O português é um novo idioma, precisamente por ser diferente. Conhecer a sua história, o seu passado, suas relações de semelhança, mas principalmente suas peculiaridades diante do latim, serve para que aumentemos nosso senso do relativo, graças ao qual uma ciência setorial como o latim deixa de ser um mito a serviço do conservadorismo para, à luz da razão, ocupar o seu lugar entre as outras ciências setoriais, com que é seu papel colaborar. Nenhuma cultura é causa de si própria.
3. A fala latina e sua representação escrita Auxílio: CAPES Resumo: Os sistemas de escrita, como meio desenvolvido para representar a fala, surgem pela necessidade de registro permanente da expressão. Entretanto, não se pode deixar de ressaltar que esses sistemas, além de serem estranhos ao sistema lingüístico, não são capazes de representá-lo de modo satisfatório. Realmente, os signos da escrita não são uma imagem gráfica muito adequada dos sons da língua. Os desacordos existentes entre a representação gráfica e a fala oral, no caso de uma língua sem falantes naturais vivos como o latim, impõem lacunas irreparáveis ao seu aprendizado. No entanto, os registros escritos deixados por aquela parcela da população que dominava a escrita são a única via de acesso para aqueles que se ocupam de questões sobre a linguagem verbal e têm como interesse o estudo dessa cultura antiga.
Monitores: CC8 - Sala C1 - O coro em Aristófanes e Menandro Coordenador: Cláudia Manoel Rached Féral1. A função e a natureza do agon em Assembléia de Mulheres Auxílio: UNESP Resumo: A presente comunicação pretende abordar a função e a natureza do
agon em "Assembléia de Mulheres" focalizando a relação do agon com o final
do prólogo, com a ausência de parábase, e, por fim, com as cenas episódicas.
2. "Assembléia de Mulheres": importância do coro na realização do espetáculo Resumo: Uma das características mais marcantes das últimas comédias de Aristófanes é o declínio do papel do coro na construção do enredo da comédia. Em Assembléia de Mulheres, a penúltima peça supérstite de Aristófanes, a participação do coro restringe-se à primeira terça parte da comédia. Mas, a despeito da ausência de falas do coro, ele continua exercendo papel muito importante na organização espetacular da peça, regulando os quadros cênicos, viabilizando a troca de indumentárias e marcando as mudanças de tempo e espaço ficcionais. Ou seja, o coro ainda
mantém-se importante no que diz respeito às formas de organização do espetáculo de acordo com as possibilidades materiais dos festivais dramáticos da antiga Atenas. Esta comunicação mostrará qual é a função do
coro de Assembléia de Mulheres na realização do espetáculo.
3. O uso do disfarce em "Assembléia de Mulheres", de Aristófanes Auxílio: UFRJ Resumo: Em algumas comédias de Aristófanes, encontramos cenas em que personagens se utilizam do disfarce em suas representações. Na peça em questão, o autor coloca em cena o travestimento de personagens femininas a
fim de que elas possam se apresentar na assembleia. Por meio desse recurso, o poeta realiza um encontro entre elementos cuja configuração deve passar por uma transformação, para que o embate seja eficaz. Na verdade, uma das partes recorre ao disfarce por buscar um melhor desempenho em relação ao seu oponente. Assim, a troca de papel das personagens é construída não só pela mudança de atitude, mas também pelo emprego de determinados signos teatrais que combinam a encenação com a situação dramática. Nesta comunicação, objetivamos analisar uma cena de disfarce retirada da peça Assembleia de Mulheres verificando o uso desse recurso em seus aspectos cênico e dramático.
4. O coro no "Díscolos" de Menandro Auxílio: UNESP Resumo: Os estudos observam que o coro da comédia nova não participa da ação, limitando-se a sua atuação a preencher intervalos exigidos por necessidades técnicas da performance. Esta comunicação analisa a contribuição do coro
para a ação d'O Díscolos de Menandro e mostra que, nessa comédia, o coro de "devotos de Pã" mantém com a trama um vínculo significativo que vai além do mero propósito de garantir, pelo menos no plano do espetáculo, um grau mínimo de conexão com a trama.
Monitores: 16h00-17h30 CC9 - Anexo B - Arqueologia Clássica - abordagens teorico-metodológicas Coordenador: Gilberto da Silva Francisco1. Cerâmica ática, ânforas panatenaicas e IG II2 2311: uma reavaliação do cenário quantitativo Auxílio: FAPESP Resumo: Esta comunicação tem como objetivo apresentar alguns pontos importantes para a discussão de aspectos quantitativos relacionados ao conjunto de vasos áticos produzidos entre os séculos VII e IV a.C. A discussão atual indica um cenário de mais de 30.000 achados relacionados a uma difusão por todo o Mediterrâneo (da Babilônia à Península Ibérica, do Mar Negro à Luxor, no Egito). Mas, a que universo estatístico esses números estão ligados? A resposta passa constantemente por um referencial específico: a produção de um tipo de vaso cuja periodicidade e números são aparentemente bem conhecidos. Trata-se das ânforas panatenaicas (vasos relacionados à premiação nas Grandes Panatenéias). A base para a compreensão quantitativa da produção das ânforas panatenaicas é uma inscrição fragmentária (IG [Inscriptiones Graecae] II2 2311) de cerca de 375 a.C. Dessa forma, a discussão proposta concentra-se na caracterização de tal documentação (a inscrição citada, o conjunto de ânforas panatenaicas e de vasos áticos produzidos entre os século VII-IV a.C.) e na identificação dos limites e possibilidades das projeções geralmente propostas.
2. A morte e as interpretações arqueológicas: contextos funerários na Grécia da Idade do Ferro Auxílio: FAPESP Resumo: Os enterramentos constituem um dos principais elementos da cultura material escavados pelos arqueólogos. Ao analisá-los, temos que levar em consideração o fato de que os vestígios encontrados correspondem a um conjunto de práticas rituais que indicam como uma determinada sociedade lida com a morte. Dessa forma, quando estudamos os enterramentos, tentamos entender o contexto funerário como um todo e buscamos alcançar a relação entre esses contextos e a sociedade que os produziu. Tal relação não se dá de forma direta, é idealizada e manipulada pelos vivos. É neste sentido, que a denominada arqueologia das práticas mortuárias tem se debruçado para entender os contextos funerários de um período da história da Grécia que, durante muito tempo, foi considerado como “obscuro” (a Idade do Ferro) e proporciona um campo frutífero de estudo das representações simbólicas e das relações do homem com o mundo ao seu redor e do homem com o homem.
3. Tróia e o Homem da Lagoa Santa: Heinrich Schliemann e Peter Lund na formação da disciplina arqueológica Auxílio: CAPES Resumo: Esta comunicação pretende constituir um estudo sumário de duas grandes descobertas realizadas durante o século XIX: o Homem de Lagoa Santa, descoberto pelo dinamarquês considerado o pai da paleontologia e arqueologia brasileiras, Peter Lund, em Lagoa Santa, Minas Gerais, em 1843; e Tróia, descoberta na Turquia, em 1868, pelo alemão Heinrich Schliemann, considerado o pai da Arqueologia Homérica. Embora pareçam distantes quanto ao objeto, questões, e posição geográfica, trata-se de dois achados realizados nos primórdios da disciplina arqueológica, fazendo valer um estudo comparativo das metodologias empregadas e das conseqüências para tal disciplina.
Monitores: CC10 - Anexo C - Plauto e a poética da uoluptas Coordenador: Isabella Tardin Cardoso1. Báquides e a poética da uoluptas Auxílio: Funcamp Resumo: Começando e terminando em franca sedução, intermediada por divertidas discussões entre moralistas versus pervertidos, não é de se questionar a presença do prazer erótico na comédia plautina em que atuam as meretrizes, gêmeas (uau...), nomeadas "Báquides". Contudo, em que medida esse prazer interfere na ação da ação da peça? E que tipo de prazer a referência ao prazer gera nos personagens e espectadores plautinos? Nossa comunicação pretende considerar essas questões.
2. Cásina: um desejo picante Carol Martins da Rocha, IEL - Unicamp Auxílio: FAPESP Resumo: Sobre a peça Cásina (Casina) de Tito Mácio Plauto (séc. III - II a. C.), poderíamos falar da relação de amizade desenvolvida entre Lisidamo, o velho apaixonado (senex amator) da peça, e Alcésimo, seu vizinho e comparsa nas artimanhas para conseguir a escrava epÃ?nima para si: fora a função dos tipos de personagens, o enredo não destoa do repertório de nosso poeta. Mas nesta peça plautina chama a atenção a maneira como o prazer é ali representado: metáforas e imagens relacionadas a odores e temperos (p.ex., v. 217 - 228) não excluem referências (mais raras em Plauto) bastante explícitas ao apetite sexual (p.ex., v, 132 - 140; 723 - 758). Em nossa exposição veremos, pois, como o tema do prazer vai sendo apresentado, por diferentes perspectivas, aos espectadores plautinos e a nós, leitores hodiernos.
3. Muito prazer, Anfitrião! Lilian Nunes da Costa, IEL - Unicamp Auxílio: FAPESP Resumo: A "tragicomédia" Anfitrião (Amphitruo) de Plauto, não poderia deixar de trazer à baila o tema do prazer. Isso porque, como o prólogo deixa claro, ali o deus dos deuses não mede esforços para conseguir as mulheres que deseja. Mas, entre os pe rsonagens humanos, a arte plautina encobre o tema, com ambiguidade, com ironia. Curioso é que, por exemplo, quatro das sete ocorrências do termo uoluptas na peça se encontram na ária da (autoproclamada) virtuosa Alcmena (v. 633 - 53), versos lidos ora como testemunho sério, ora como paródia de lírica. O vulto que assume a tópica do prazer nessa peça plautina (e sua consequente contribuição para a produção de efeitos poéticos, entre eles, os humorísticos) é o tema de nossa exposição.
Monitores: Dia 24, quinta-feira 14h00-15h30 CC11 - Aud. Filosofia - Formas de contato e processos de transformação no Mediterrâneo Antigo: tradições iconográficas no Med. Oriental Coordenador: Márcia Severina Vasques1. Egito Romano: iconografia e religião funerária Resumo: O Egito Romano era uma sociedade multiétnica, onde os indivíduos encontravam à sua disposição elementos iconográficos egípcios, gregos e romanos, utilizados das mais diversas formas, conforme o interesse do momento. No tratamento do morto predominou a maneira egípcia de enterramento e o uso da mumificação. Os aparatos funerários que revestiam o morto: as máscaras funerárias ou os retratos pintados, as decorações dos esquifes e de outros “envoltórios” de múmia - demonstram uma adaptação da religião funerária egípcia aos novos tempos sem, no entanto, alterar a sua concepção de vida após a morte. Buscamos discutir, nesta comunicação, alguns exemplares desta cultura material e como estes podem ser analisados, segundo a conformação da sociedade egípcia de então.
2. Profanando o “milagre grego”. Estudo sobre cerâmica “meliana” do século VII a.C. - região das Cíclades Resumo: Esta comunicação tem por objetivo demonstrar a importância do período ´Orientalizante´ para a formação dos modelos iconográficos presentes em vasos de cerâmica ´grega´ do século VII. Terá, como eixo, a apresentação de um vaso orientalizante cicládico, a ´Ânfora de Apolo´. Um segundo objetivo é apresentar alguns importantes elementos, possivelmente mesopotâmicos, que aparecem nos vasos cicládicos melianos. A arqueologia mostra, talvez de forma mais clara que os textos antigos, que tal qual amigos trocam figuras, gregos e mesopotâmicos do século VII também desenvolveram sua arte a partir destes contatos. No lugar de apenas confirmar a alegação da não existência de um ´milagre grego´, este trabalho de arqueologia busca alguns pontos específicos das condições para a formação de alguns aspectos da arte grega, principalmente a dita ´orientalizante´, do séc. VII a.C. 3. Identidade e alteridade no Oriente Próximo: o impacto da presença romana nas moedas da Palestina Resumo: O objetivo desta comunicação é discutir as tendências atuais sobre as formas de contato de Roma com suas províncias orientais, mais especificamente com relação a Província da Siro-Palestina a partir da análise da iconografia monetária. Pretendemos inserir nesta reflexão as questões ligadas a identidade e alteridade que a iconografia monetária pode proporcionar. Assim como analisar como os romanos preservaram sua identidade frente à diversidade do Império e quais as “fronteiras” entre ser ou não ser romano.
4. Processo de cristianização dos espaços na Palestina Romana: o caso de Apolônia-Arsuf Auxílio: CNPq Resumo: A pesquisa incide sobre o que denominamos de processo de cristianização dos espaços, tendo como objeto central de análise a coleção de lamparinas escavadas no sítio arqueológico de Apollonia-Arsuf, Israel. Constata-se neste, que as lamparinas concernentes ao período de dominação romana encontram-se mutiladas na parte relativa às cenas figurativas do paganismo. Artefatos cujo período de atividade estende-se do século I ao século III d.C.. O conhecimento e análise da citada coleção, tanto nos níveis formal quanto imagético, contribui para uma caracterização e maior conhecimento do paradoxo que circunda nosso objeto. Permite, portanto, questionamentos sobre a constituição do orbis romanorum e as relações de identidade, sincretismo, simbiose e conflito entre diferentes tradições culturais presentes nesse âmbito.
Monitores: CC12 - Aud. BCZM - Questões teóricas e práticas sobre o ensino de latim e o romanorvm litteris Coordenador: Patrícia Prata1. Notas sobre a importância do ensino de latim na educação cristã na Antiguidade tardia Resumo: O que se pretende apresentar são algumas considerações sobre o papel desenvolvido pelo ensino e pela aprendizagem da língua latina nas discussões acerca da formação cristã nos primeiros séculos de nosso era. Partindo de textos atribuídos a figuras consideradas importantes na constituição de uma doctrina christiana, em especial Jerônimo de Estridão e Agostinho de Hipona, serão abordados, de modo contrastivo, os principais argumentos favoráveis a esse ensino, assim como as ressalvas mais frequentes. Por conseguinte, estará em pauta o problema da relação entre a cristandade e os saberes ditos seculares (sobretudo, gramática e retórica), que emergiram no universo greco-romano.
2. Por que o latim? Apontamentos teóricos para uma pedagogia da língua latina na universidade Resumo: “Por que o latim?” é a pergunta que se faz Grimal (1971, p. 6), à qual o próprio responde ser o estudo do latim “o fundamento de todo estudo linguístico”. Considerando assim que, para estudos superiores na área de Letras, seja necessário algum conhecimento propedêutico da língua latina, em nosso artigo pretendemos analisar os fundamentos de caráter teórico (oriundos especialmente, da Linguística moderna) que podem embasar uma revisão da didática latina tradicional, e fornecer os fundamentos necessários para a construção de um novo paradigma de ensino e aprendizagem da língua latina. Para isso, detemo-nos, inicialmente, nos preconceitos que permanecem, muitas vezes, vinculados ao ensino de latim (Fortes, 2008), para depois discutirmos os fundamentos das ciências da linguagem que possam contribuir para uma pedagogia mais eficaz (Cacho, 2001).
3. De romanorum litteris: uma nova proposta para o ensino de latim Patrícia Prata, IEL-UNICAMP Resumo: O intuito deste trabalho é apresentar o método De Romanorum Litteris que se encontra em processo de elaboração pelo Grupo de Pesquisa “Elaboração de Método de Ensino de Latim: De Romanorum Litteris”, o qual envolve professores da Unicamp, Unifesp e USP, bem como graduandos e pós-graduandos do IEL-Unicamp. Em seu primeiro volume, o método pretende apresentar os fundamentos morfossintáticos da Língua Latina, tendo características principais: 1) a reflexão sobre a interface entre língua e cultura (o latim como porta de acesso aos textos clássicos); 2) a reflexão metalinguística rigorosa, ainda que sucinta e 3) uma interface moderna e agradável ao ensino dessa língua, na materialidade do próprio texto e na inserção de elementos paratextuais. A apresentação dos tópicos é referendada pelos próprios textos da cultura clássica que os introduzem, cujo critério de organização e seleção foi o da coerência com a seqüência didática e o da organização por gêneros.
Monitores: CC13 - Sala C1 - Tramas da Antiguidade: Lívio e Maquiavel Coordenador: Marinalva Vilar de Lima1. Marco Fúrio Camilo: identidade exemplar na refundação de Roma Resumo: É a Marco Fúrio Camilo que Lívio outorga o lugar de excelência na história de uma Roma “refundada”. A partir do Livro VI, ao passo que explicita serem mais seguras as informações que veicula, nomeia cidadãos que tiveram os exemplos de suas vidas atrelados ao de Roma. Da narrativa sobre a implementação da República sobressaem perfis de homens e mulheres com que é preciso estabelecer identificação. É, por exemplo, num momento de turbulência da história da república romana em que há a ameaça de mais um enfrentamento entre Roma e Véios, que Lívio localiza a atuação de Camilo. Típico político que representa uma gens tradicional de Roma, Camilo nos é apresentado por Lívio nesse momento de perturbação cívica como um homem que articula respeito à tradição e grandeza de liderança. É, portanto, em uma Roma enquanto lugar de exempla de uirtutes que as representações livianas nos leva a aportar. 2. Imagens do Poder Maquiaveliano: dramatização dos exempla de Tito Lívio Resumo: Nos Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio, o tópos da imitação dos antigos aparece como o exercício por excelência entre aqueles indicados por Maquiavel para ser empreendido pelos homens de estado da Florença do séc. XVI. Argumentava que os problemas políticos de sua cidade poderiam ser solucionados se seus homens se espelhassem nos modelos romanos. Daí que interessou-nos analisar as representações construídas por Maquiavel para um “bom governante” e/ou para uma “boa república” enquanto efeitos de sua recepção da tradição historiográfica antiga, especificamente da obra de um historiador romano com quem ele afirmou ter uma maior intimidade enquanto leitor: Tito Lívio. Observamos, no nível atual de nosso estudo, que Maquiavel incita os governantes a atuarem na vida pública através da “encenação” de modelos antigos encontrados na obra de Lívio e que se dispôs a reelaborar ao longo de sua vasta “obra política” para torná-los úteis no séc. XVI.
3. Pathos versus virtus: a concepção de prazer na obra de Tito Livio Resumo: Tito Lívio, historiador do I século a.C., demonstra em sua obra, Ab Urbe Condita Libri, ser um fervoroso defensor da moral e, portanto, representante do tradicionalismo romano. Diante da constatação de que o conjunto de virtudes presente nos antigos dera lugar à corrupção e aos vícios, Lívio se mostra decepcionado com o rumo tomado por seus contemporâneos. Nessa perspectiva, ele constrói uma obra perpassada por personagens que servirão de modelos dignos de imitação, mas também por exemplos de homens e mulheres que em atitudes vergonhosas se perderam em meio aos prazeres e excessos. Temos o exemplo de Ápio Claudio que, tomado por uma paixão criminosa pela jovem Virgínia, comete toda sorte de imprudências que culminam na morte da moça, exemplo que expressa a rejeição deste historiador em relação aos prazeres. Virgínia ganha destaque por ser, exemplum de uirtus e Ápio Cláudio a personificação daquilo que a escritura liviana repudia.
Monitores: Rodrigo Cavalcanti Felipe 16h00-17h30 CC14 - Anexo B - Formas de contato e processos de transformação no Mediterrâneo Antigo: espaços públicos no Ocidente romano Coordenador: Maria Isabel D´Agostino Fleming1. Estudos espaciais na arqueologia da Ibéria romana: questões teórico-metodológicas Resumo: A rede urbana de variável densidade que Roma desenvolveu na parte oriental e ocidental do Império tem subjacente a manifestação de uma vontade política cujo objetivo era delegar uma porção das responsabilidades administrativas à elite regional. Foram muitas as variantes institucionais, as civitates ocidentais nunca foram os equivalentes exatos das poleis gregas ou orientais. Em regiões nas quais a tradição urbana não tinha efetivamente raízes históricas, como as províncias hispânicas, uma civitas, no sentido administrativo da palavra, poderia existir mesmo sem um verdadeiro centro urbanizado. Considerando o modelo de implantação urbana na Ibéria romana, isto é, sem estruturas características que a precederam, esta comunicação visa discutir a contribuição teórica da análise espacial com aplicação de prospecções regionais destinadas a recuperar paisagens completas de assentamentos.
2. Apropriação e transformação do espaço público em Roma: o ager Vaticanus e a Basílica de Constantino Resumo: Em Roma, o locus era considerado sacro. A domus era o locus do lararium e dos Manes familiares; o lararium de Estado encontrava-se no mais antigo santuário de Roma, o de Vesta. Cruzamentos possuíam divindades próprias, templos e santuários eram erguidos em locais onde alguma divindade se manifestara. Violar tais locais poderia trazer infortúnios. Mas estes não representaram impedimentos intransponíveis. Se fosse para o bem comum – ou de interesse imperial – havia fórmulas rituais que anulavam possíveis retaliações. Na República, a construção do Fórum Romano desapropriou diversas domus. No Império, são exemplos bem conhecidos as construções dos fóruns imperiais, especialmente o de Trajano, e a da Domus Aurea. A construção da Basílica de Constantino, no ager Vaticanus, soterrou uma área de necrópoles. Mas, ao mesmo tempo, Constantino seguia outro lado dessa tradição romana: a construção de templos sobre espaços considerados "tocados pelos deuses". Neste caso, o sepulcro de Pedro.
3. Usos políticos dos espaços religiosos na Gália Romana Resumo: Esta comunicação tem por objetivo discutir o papel dos fóruns em contraposição a templos de tradição autóctone na Gália Romana. No Império romano nem todos os assentamentos urbanos têm a mesma importância política e a mesma relação com o poder imperial, o que se reflete no conjunto de edifícios públicos construídos. Termas, teatros, anfiteatros, basílicas e mesmo fóruns não são comuns a todos os espaços com relações e na sua ausência outros espaços podem adquirir suas funções. Pretendemos apresentar algumas considerações sobre o papel dos fóruns e templos de tradição gaulesa em espaços urbanos de diferentes status políticos.
Monitores: CC15 - Anexo C - Modos de ver e pontos de vista Coordenador: Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa1. O olhar infame dos spoudaíon Auxílio: UFMG Resumo: A tragédia, a comédia e o drama satírico serão, na abordagem, consideradas formas esteticamente pensadas para mostrar, por meio de descrição detalhada e materializada em cena, um patrimônio cultural helênico de transgressões dos mais variados tipos. Em breve exposição, vamos pontuar trechos que detectam a estratégia do poeta para se fazer ‘diretor de cena’ do olhar infame por detrás uma antiface. Buscamos o torpe, o insano e o ignóbil que, escondido, surge com a palavra dramática e revela os assassinos, os violentos, os sicários, os homizios e os antropófagos pelo olhar vazio de uma máscara.
2. Uma Grécia “digna de se ver”: o olhar de Pausânias no Livro III da "Hellados Periégesis" Resumo: O único exemplar de literatura periegética conhecido é a obra de Pausânias (provavelmente nascido na Lídia, no séc. II), intitulada "Hellados Periégesis", composta por dez livros divididos por regiões. Pausânias viaja pela Grécia com um objetivo, declarado no livro I, 26, 4: pánta homoíos epexiónta tà Helleniká. Ο periegeta desejava descrever todas as coisas gregas, mas dando um tratamento semelhante às coisas que descreve, respeitando a paridade. Essas duas propostas são conciliadas através de uma estratégia. Pausânias narra as coisas que são dignas de serem vistas, théas áxion, o notável. O presente trabalho tem por objetivo analisar a composição do notável no livro III (a Lacônia) da Hellados Periégesis, de Pausânias.
3. Dirigindo o olhar e desenhando a cena: uma análise pontual de "Troianas" Resumo: O presente trabalho pretende analisar a condução do olhar do espectador/leitor nas tragédias antigas. Busca-se entender como se processa o andamento do espetáculo a partir dos estímulos oferecidos pelo dramaturgo. Refletiremos sobre quanto o texto teatral antigo exige de seu ouvinte/leitor e de sua capacidade imaginativa para enxergar o que, muitas vezes, não está concretamente no palco. Para tal análise utilizaremos um texto de Eurípides: a tragédia intitulada Troianas. Desenvolveremos nosso raciocínio a partir do exercício tradutório dos trechos analisados, bem como a partir de estudos sobre dramaturgia e teoria da tradução.
4. O olhar do bárbaro em "Héracles", de Luciano de Samósata Resumo: Pretende-se mostrar a visão que um helenizado tem dos bárbaros. No prelúdio Héracles o herói está construído a partir da sobreposição das camadas das imagens do semideus tradicional, de Hermes e do deus celta Ôgmio. A mistura dessas três figuras forma uma nova divindade, o Héracles-Ogmio que traz em si características de cada um da tríade e acrescenta novos valores à divindade híbrida.No texto de Luciano, Héracles apresenta-se como um velho, mas extremamente forte em sua eloqüência e arrastando multidões atrás de si. Mais ainda, trata-se de um Héracles bárbaro e descrito por um bárbaro.
Monitores: CC16 - Anexo A - A difusão do saber nos ideais de Plínio,o Velho, e a "História natural" Coordenador: Ana Thereza Basilio Vieira1. Origens da medicina na "História natural": magia e superstição, prática e tratamento Resumo: A medicina romana surge fundamentada em alguns princípios já desenvolvidos pela cultura médica grega. Entretanto, uma obra que trate mais pormenorizadamente do assunto é rara até o século I a.D. Plínio, o velho, em sua "História natural", nos oferece um panorama da unidade sócio-cultural de seu tempo, marcado pela ordenação dos conhecimentos e descobertas até então adquiridos. Plínio dedica cinco de seus livros à explanação e exemplificação dos conhecimentos médicos praticados desde as origens mais remotas por povos estrangeiros até a Roma de seu tempo. Veremos neste trabalho os relatos dedicados à história, propagação e acolhida desses tratamentos médicos.
2. Tragédia ou heroísmo? A morte de Plínio, o Velho, segundo relatos de Plínio, o Jovem Resumo: Uma grande catástrofe ocorrida em 79 a.D., a erupção do vulcão Vesúvio, destruiu cidades florescentes como Herculanum e Pompéia e, além de milhares de vidas, levou também consigo a vida do estudioso da história natural Plínio, o velho. A narrativa dessa história trágica em que se misturam o amor ao estudo e a solidariedade para com o semelhante nos é transmitida na carta VI,16 de Plínio o jovem, objeto do trabalho que se pretende apresentar. Apesar de o tema da carta ser pessoal, desperta interesse geral desde a antiguidade, já que o total desaparecimento de cidades em uma erupção vulcânica de porte descomunal - narrada em seus pormenores - e a situação inusitada da morte do grande estudioso são assuntos instigantes, que sempre hão de merecer atenção.
3. O trabalho de Plínio, o Velho: linguagem e enciclopedismo Resumo: Este trabalho tem como base o livro XXX da "História natural" de Plínio o velho. Ali notamos uma linguagem peculiar relativa à magia e à medicina. A expansão do saber é transmitida por Plínio em uma espécie de enciclopédia, única e singular a seu tempo. Para esta pesquisa utilizamos a edição da "História natural", estabelecida e comentada por Alfred Ernout, onde procuraremos destacar os aspectos mais relevantes concernentes à história da medicina.
Monitores: Dia 25, sexta-feira 14h00-15h30 CC17 - Aud. Geografia - Humanos, divinos e bestiais: as personagens do drama Coordenador: Carlos Eduardo de Souza Lima Gomes1. O olhar da tradição: a figura de Sólon em Heródoto e Aristóteles Resumo: O objetivo da apresentação é tentar demonstrar as linhas gerais que a tradição denota como características fundamentais da pessoa de Sólon. Para tanto são resgatadas as passagens das Histórias de Heródoto e da Constituição de Atenas de Aristóteles; a partir dos pontos consoantes e dissonantes tentaremos estabelecer o esboço de um modelo desse Sólon transmitido tradicionalmente aos gregos. A importância do conhecimento deste modelo acentua-se pela designação do legislador e poeta como um dos Sete Sábios da Antigüidade, podendo ser considerado um exemplo, imaginado, para o período.
2. Épica e drama satírico, Alexandre e Dioniso: ninfas. Resumo: As teorias mais antigas para o drama satírico indicam essa forma teatral estar em contato direto com as tragédias; contudo, teorias recentes tomaram outra direção, conferindo-lhe maior amplitude e repercussão. O movimento ganhou força com François Lissarague que, a partir de um abundante corpus, discorda da opinião de grandes especialistas e afirma que as representações de drama satírico servem para operar deslocamentos e paródias de toda classe. Assim, os criadores de dramas satíricos não se prendem exclusivamente a tragédias; manipulam situações que vão desde a épica até outros gêneros literários. A partir das intuições de Lissarrague, proporemos um percurso que liga a épica e o drama satírico. O elo escolhido, as ninfas, foi sugerido por Tatti. Desenvolvemos um arrazoado associando Dioniso, o raptor de Helena e todo um cortejo de ninfas à volta deles. Utilizamo-nos de trechos da Odisséia, do Hino a Dioniso e das didascálias do Dionysalexandros de Cratino.
3. A dança-bacante de Salomé: uma visão de Crisóstomo Lira Córdova Vieira, Univ. Fed. de Minas Gerais - FALE Resumo: Os evangelistas Marcos e Mateus, para compor o episódio da morte de João Batista, levam à cena a dança de Salomé. No século IV, essa apresentação será abordada por João Crisóstomo (345-407), na homilia 48 sobre o Evangelhode São Mateus. Nesse texto, exibe-se a filha de Herodíades, que dança violentamente, assemelhando-se a uma bacante. É sob o olhar de Crisóstomo que se apresenta uma análise da dança executada por Salomé. Busca-se evidenciar, a partir de sua perspectiva, uma diferenciação entre estilos de dança.
4. A morte filosófica José Gonçalves Poddis, Univ. Fed. de Minas Gerais - FALE Resumo: Objetivando apresentar conclusões iniciais da pesquisa realizada para minha dissertação de mestrado, abordarei, nesta comunicação, questões concernentes à morte de Sócrates enquanto personagem literária da tradição grega clássica. A proposta a ser discutida é como o ato de morrer consentidamente repercute dentro do espaço público da pólis. A hipótese central deste estudo é que a morte consentida, em casos selecionados, exprime a liberdade individual de escolher morrer. Postulamos, portanto, que na cultura grega espelhada em personagens selecionadas e tal como elas se encontram nos textos de Homero, Sófocles e Platão, o dever não vai somente em direção ao coletivo, mas abrange certezas e vaidades individuais que são levados até as últimas consequências, como a um herói. Um dos objetivos é entender onde se localiza a fronteira da liberdade da ação individual e da necessidade de se obedecer aos limites impostos pelo coletivo na pólis clássica e desdobramentos concernentes à morte.
Monitores: CC18 - Anexo B - Júlio César e os "Commentarii de Bello Gallico": estudo e proposta de tradução. Coordenador: Laura Ribeiro da Silveira1. Proposta de tradução para publicação bilíngue dos "Commentarii de Bello Gallico", de Júlio César Resumo: Considerando-se o texto latino original, recolhido e estabelecido pelas edições Loeb, pretendemos estudar e traduzir os "Commentarii de Bello Gallico", de Júlio César. No presente estudo, apresentamos uma proposta de tradução para publicação bilíngue, do Livro I da referida obra, escrita no século I a.C. Nossa intenção é produzir um texto representativo da língua latina desse período e ao mesmo tempo atual para falantes de português, já que a única tradução existente data do século XIX. Com vistas a contribuir para o universo de publicações de textos clássicos em língua portuguesa, ainda exíguo em nosso país, iniciamos tal pesquisa, que não se esgota nem se encerra neste momento, mas apresenta aqui seus primeiros frutos.
2. O perfil do historiador Júlio César nos "Commentarii de Bello Gallico" Edilane Vitório Cardoso, Univ. Fed. do Piauí Orient.: Profa. Dra. Laura Ribeiro da Silveira - sócio da SBEC Resumo: Júlio César é considerado pela crítica especializado um dos primeiros memorialistas romanos a deixar uma obra de real importância para a posteridade. Trata-se dos "Commentarii de Bello Gallico", um relato de guerra contendo os registros do autor acerca da ocupação romana na Gália durante os anos 58 a.C a 51 a.C. Com essa obra, Júlio César construiu uma verdadeira de exposição histórica e, ao escrevê-la, o autor talvez tivesse por objetivo fazer um reforço mnemônico do período de conquista. Considerando que a tessitura do relato ocorreu em condições particulares e também para fins políticos, este estudo visa ressaltar, sobretudo, o perfil do historiador Júlio César, na medida em que o autor, com o objetivo de garantir veracidade e autenticidade ao seu texto, preocupa-se em estabelecer locais, datas, fontes e acontecimentos, responsáveis por tornar tal obra um importante documento para os estudos históricos.
3. A presença da propaganda no estilo literário de Júlio César nos "Commentarii de Bello Gallico" Aline Sávia Nascimento Silva Lima, Univ. Fed. do Piauí Orient.: Profa. Dra. Laura Ribeiro da Silveira - sócio da SBEC Resumo: Na obra "Commentarii de Bello Gallico", Júlio César se destaca na literatura através de seu estilo. Neste trabalho, procuramos estudar sua linguagem clara, simples, concisa e precisa, característica de um autor neo-ático, que escreve sua obra sem ornamentos lingüísticos, figuras de linguagem ou construções poéticas. Como se trata do relato de uma guerra empreendida por ele próprio, César inclui elementos da propaganda, mas procura ser o mais objetivo possível, escrevendo sempre em terceira pessoa. Utiliza com freqüência o discurso indireto, revelando ao seu leitor elementos do seu estilo peculiar e apresentando uma narrativa para a qual confluem memória, biografia, literatura e história.
Monitores: CC19 - Anexo C - Hibridismo de gênero e prazer do discurso Coordenador: Pedro Ipiranga Júnior1. Bíos e hibridização: biografia cristã e pagã Resumo: O presente trabalho enfoca a formação e a função de algumas obras de teor biográfico, mas que apresentam características acentuadas de outros gêneros discursivos, obras pagãs como Sobre o fim de Peregrino de Luciano de Samósata, obras cristãs, como Atos de Paulo e Tecla e os Atos de Pedro, entre outros Atos Apócrifos. Pretende-se uma rediscussão do gênero do bíos como uma forma sincrética de outros gêneros e, de certa forma, um como um gênero-moldura, em que a hibridização possa ser parte de sua constituição. Por essa perspectiva, são analisadas as diversas formas de hibridismos, como por exemplo, os entrecruzamentos e assimilações entre o gênero biográfico e a narrativa romanesca. Ensaiamos, a partir de tal problemática, elaborar uma categoria diferenciada relativa à hibridização que se processa em tais narrativas, buscando discernir o efeito buscado enquanto páthos do discurso que suscita prazer, engajamento e crença em leitores e ouvintes.
2. Hibridismo genérico na Arte de amar Resumo: Em confluência com os objetivos dessa comunicação coordenada, esta fala discute a questão genérica na Arte de Amar. Em tal obra, Ovídio molda os topoi da elegia erótica em um poema didático. Esse hibridismo fornece material para a discussão dos limites de cada gênero e da posição dos autores perante eles.
3. Reversão elegíaca em Propércio IV, 5 Resumo: Pretendo discutir de que maneira Propércio, na quinta elegia de seu quarto livro, partindo da típica inventiva contra a lena, reverte o seu próprio estatuto de poeta e o conceito que devemos ter dos três livros anteriores. O processo se dá sobretudo pela intrusão da fala da lena, que ocupa mais de metade da elegia, dando conselhos amorosos a Cíntia para que seduza e ganhe dinheiro; dessa forma, vemos o poema mudar lentamente de inventiva contra a alcoviteira para uma autocrítica irônica perpetuada pelo próprio poeta. Meu intuito, afinal, é apresentar de que modo essa interferência genérica (entre inventiva à lena e magisterium amoris) produz uma ironia e como ela se processa no leitor; sobretudo se enquadrarmos este poema no complexo quarto livro de elegias.
Monitores: CC20 - Anexo A - O amor: entre a amizade e o prazer Coordenador: Jovelina Maria Ramos de Souza1. Do éros à philía Resumo: A partir da determinação da atividade de Eros, no discurso de Sócrates, no Banquete, como um parto em beleza, tanto no corpo como na alma, pensaremos a ínfima relação, apontada por Diotima a Sócrates, entre amor e filosofia. Nossa análise se centrará nos seguintes aspectos: como Sócrates e Diotima conciliam as noções de éros, hedoné e epithumía à de philía? Se estas realmente estão conciliadas entre si, como permanecem após o processo de ascese dialética, quando parece haver, no abrandamento do desejo do corpo, o fortalecimento do desejo da alma? Nesse encaminhamento, éros está latente, ou simplesmente, cede seu lugar à philía? A partir dessas inquietações nos propomos a pensar este processo, aparentemente, de conversão, do éros à philía, ou talvez, de conciliação entre duas ordens distintas de desejos, mas plenamente compatíveis entre si, por estarem voltados para o amor incondicional pela beleza da sabedoria.
2. A amizade como exercício da phrónesis Auxílio: CAPES Resumo: O ambiente do Jardim epicúreo associa-se ao espaço da amizade desinteressada, imagem amplamente difundida entre os estudiosos do epicurismo. O presente trabalho tem a intenção de discutir a relação entre a ética e a noção de philía contida no pensamento de Epicuro. Dimensionando a interferência da amizade para o sentido da vida em koinonía compreenderemos com mais precisão, a identificação do Jardim como um lugar em que o exercício da filosofia se dá através de uma abertura ao diálogo investigativo acerca da physiología. Afastando as disputas e os posicionamentos movidos pela necessidade de anular o pensamento dos interlocutores, fato comum à maioria das escolas da antiguidade, será mesmo que Epicuro convergia para a vivência da experiência filosófica como uma relação baseada em laços fraternos? É possível a mediação entre amizade e a investigação filosófica? Toda nossa análise dos textos epicúreos será norteada a partir destas colocações.
3. A amizade é uma necessidade: comentários sobre a philía no pensamento de Epicuro Auxílio: CAPES Resumo: Para Epicuro, o sábio só é compreendido pelo sábio. A amizade e o contrato têm a mesma origem: a necessidade. Com a diferença que a amizade epicúrea é construída na base comum, a filosofia. As bases desse contrato estão fixadas na autarquia e na capacidade do sábio em familiarizar-se ou afastar-se, de acordo com sua conveniência (symphéron). O sábio habita um mundo transitório e repleto de acidentes, cuja vida é determinada a partir de sua relação com a natureza, por esta propiciar segurança e clareza para morar com alegria e amizade. Essas condições tornam-se constantes quando a compreensão da phýsis baseia a tessitura das relações entre os homens. Isso se dá mediante o processo de desconstrução dos desejos vãos e daquilo que os fundamenta: as opiniões vazias. Nesse processo, está em jogo a economia dos prazeres, que no pensamento de Epicuro corresponde ao bem natural e congênito dos seres humanos.
Monitores: CC21 - Aud. Filosofia - Ibéria Romana Coordenador: Silvana Trombetta1. A população castreja no Noroeste de Portugal: a presença romana e os padrões funerários Silvana Trombetta, MAE - USP Resumo: No decorrer do século I d.C., particularmente após a campanha militar de Decimus Iunius Brutus, a inter-relação cultural entre os romanos e a população nativa tornou-se mais acentuada, gerando profundas alterações na organização espacial do território. Os dados relativos aos padrões funerários castrejos suscitam muitos questionamentos devido à relativa escassez de informações sobre os mesmos. Não obstante, há menção à existência de sepultamentos em urnas cinerárias no interior das habitações castrejas em pequenas fossas circulares (500-200 a.C.) e, posteriormente, em local próprio no exterior das construções mas ainda dentro do núcleo familiar (100 a.C -96 d.C.). Com a progressiva efetivação do domínio romano, no decorrer dos séculos I e II d.C., ocorreu uma reorganização do local destinado aos enterramentos. As sepulturas não mais localizavam-se no interior ou ao lado do núcleo familiar, mas no espaço da necrópole. O contato com a cultura romana é verificado pelo tipo de documentação material encontrada nas sepulturas: cerâmica sigillata, fíbulas e vidros romanos. A análise, portanto, destas novas formas de enterramento evidencia uma mudança nos padrões funerários advinda com a conquista e presença romana na região.
2. Arqueologia da paisagem mineira: Roma e Hispânia Alex da Silva Martire, MAE - USP Resumo: O objetivo desta comunicação é o de oferecer um panorama acerca do conhecimento dos autores antigos - e das informações oriundas da Arqueologia - sobre a extração de minérios no mundo romano, em especial na província da Hispânia. Assim sendo, serão analisados três segmentos fundamentais presentes na arqueologia da paisagem mineira: a zona de extração, a infraestrutura e a mão-de-obra necessárias à atividade mineradora.
3. A Cultura Balneária na Ibéria Romana Alex dos Santos Almeida, MAE - USP Resumo: A comunicação versa sobre o nosso projeto de pesquisa de doutorado em Arqueologia Clássica. A pesquisa trata do estudo da cultura balneária romana na Península Ibérica - as antigas províncias das Hispânias (Lusitânia, Tarraconense e Bética). Por cultura balneária entendemos não apenas o hábito de banhar-se, como um ato da vida cotidiana, mas também os aspectos sócio-comportamental (sociabilidade e evergetismo), mental (idéias de higiene pessoal e purificação religiosa) e material (edifícios termais e balneários) que se firmam cada vez mais entre os romanos a partir da República, mas, principalmente, durante o Império. É um fato aceito entre os acadêmicos que a cultura balneária que se difundiu em Roma teve sua origem na Grécia e se difundiu na Península Itálica, via Campânia, por meio de colônias gregas da Magna Grécia. A partir de Pompéia, considerada um grande laboratório de estudos da cultura balneária pré-romana e romana, o edifício termal foi apropriado e aperfeiçoado pelos romanos e difundido para a Itália e as províncias. É a partir da difusão e desenvolvimento na província hispânica da cultura balneária greco-romana que se centra este estudo.
4. Construção do mundo Provincial Romano: uma análise do processo de transformação do assentamento rural no sul da Lusitânia Elaine Cristina Carvalho da Silva, MAE-USP Resumo: Cada fenômeno estudado pela Arqueologia ocorre em uma dimensão temporal. Dessa forma, todo elemento arqueológico requer contextualização espacial para permitir traçar paralelos com outros tempos e espaços em estudo. A pesquisa visa obter um conhecimento melhor da presença romana na Ibéria através da análise do processo de transformação do assentamento rural no sul da Lusitânia. Serão exploradas as potencialidades oferecidas pela Arqueologia da Paisagem na investigação da forma como os romanos exerciam sua administração na região sul da Lusitânia e seu conseqüente aprofundamento na dinâmica econômica e de povoamento, entre os séculos II a.C. e IV d.C. Neste contexto, serão investigados os padrões de assentamento e dispersão dos latifundia no Portugal romano, com o uso combinado das chamadas geotecnologias e as fontes textuais dos denominados agrônomos latinos, além de referências de Vitruvio, Estrabão e Plínio o Velho. Monitores: © 2008-2009 Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos [www.classica.org.br] | ![]() Tabulae
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