
Comunicações Individuais
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As comunicações estão organizadas, dentro de cada sessão, pela ordem alfabética do título. Para localizar qualquer texto dentro desta página (autor, título, expressões, etc.), Dia 21, segunda-feira Sessão CI1 :: 14h00-15h30 :: Sala 2D2 Coordenador: Paulina Nólibos Menadismo - a Alteridade do Feminino nas Bacas de Eurípides Paulina Nólibos, ULBRA Resumo: O estudo analisa a diferenciação entre os dois grupos de mulheres que estão presentes na tragédia As Bacas de Eurípides, articulando as diferenças entre as ménades, ou companheiras de Dioniso, e as tebanas, sobre as quais recai a violenta mania. Dioniso é visto aqui como o interlucutor direto das primeiras, ao mesmo tempo que investe as mulheres domésticas de um furor assassino, tornando-as protagonistas de um ritual às avessas. Esta ambiguidade única nos coros trágicos acentua e possibilita o estudo das peculiaridades do menadismo. Mito, Intertextualidade e Audiência na Tragédia As Fenícias de Eurípides Evandro Luis Salvador, UNICAMP Auxílio: CAPES Resumo: A proposta da nossa comunicação é analisar o monólogo de Jocasta (v.1-87), no prólogo d'As Fenícias, de Eurípides, seguindo dois aspectos importantes: a (re)visão euripidiana do mito dos Labdácidas no confronto com as tragédias Os Sete contra Tebas, de Ésquilo, e o Édipo Rei, Sófocles, e a provável recepção da audiência quando da sua dramatização no teatro ateniense do século V a. C. Tentaremos entender como o monólogo de Jocasta abriga as variantes do mito e como sua narrativa pode ter repercutido na expectativa da audiência. Reso, de Eurípides, e a Astúcia Lilian Amadei Sais, FFLCH - USP Orientador: André Malta Auxílio: FAPESP Resumo: A tragédia Reso, cuja autoria é muito discutida, traz uma das versões do mito do rei trácio que dá nome à peça. Encontramos outra versão desse mesmo mito na Ilíada de Homero, no também controverso canto X, conhecido como Dolonéia. As duas narrativas formam um corpus excelente para quem quer investigar o tema da astúcia na Grécia antiga. Nosso trabalho visa a entender de que maneira a astúcia da tragédia Reso se dá, e pretendemos fazê-lo através do papel que Odisseu desempenha na trama e da visão que as demais personagens têm dele e de sua conduta na guerra. Faremos, também, o contraponto com o texto iliádico sempre que isso se mostrar relevante para a análise da peça e da astúcia. Monitores:
Sessão CI8 :: 14h00-15h30 :: Aud. Geografia Coordenador: Paula da Cunha Corrêa A efemeridade na VIII Pítica de Píndaro Graduando Gustavo Henrique Montes Frade, UFMG Orientador: Antonio Orlando de Oliveira Dourado Lopes Resumo: No último epodo da Oitava Pítica, Píndaro faz um sucinto comentário sobre a precariedade da existência humana. Submetido às vicissitudes do dia e a uma realidade sobre a qual tem influência limitada, o homem sofre transformações constantes e imprevisíveis que o tornam difícil de definir. A felicidade proporcionada pela vitória
tem curta duração, mas ainda assim é o ponto máximo da existência humana: um breve momento de existência sublime. É justamente a precariedade da condição humana que possibilita a elevação máxima do campeão, que brilha em contraste máximo diante de uma multidão que nunca terá uma experiência tão próxima de contato com forças divinas inexplicáveis.
Entre a Imagem e a Fala: A geração de sentido na poesia épica de Homero Antonio Gomes da Silva, UFCG - Univ. Fed. de Campina Grande Resumo: Homero, poeta grego do Século VI a.C., inaugura a literatura no Ocidente. Seus textos poéticos? Ilíada e Odisséia?, mesmo registrados na forma escrita, vinculam-se à longa tradição oral de cantadores, aedos e rapsodos. A oralidade de sua poesia está estreitamente ligada à imagística e à visualidade de suas elaborações. De fato, Homero conta histórias através de imagens. De que modo, especificamente, oralidade e imagem se relacionam na poesia de Homero? Através de que recursos visa o poeta gerar beleza e impressionar a sensibilidade dos seus ouvintes? Pela abordagem de seus poemas? Ilíada e Odisséia?, buscaremos compreender os caminhos seguidos por Homero na criação de sentido pelo entrelaçamento entre o oral e o visual, entre a imagem e a fala. Hyporquema e Prosódion: Caracterização de Dois Gêneros Líricos nas Doutrinas dos Aantigos Alisson Alexandre de Araújo, Univ. de São Paulo Orientador: Christian Werner Resumo: Os editores alexandrinos, a partir do material de que dispunham, classificaram e dividiram a obra de Píndaro em 17 livros, segundo o gênero em que as odes foram compostas. De alguns desses gêneros, cuja produção foi aparentemente prolífica, como, por exemplo, o hiporquema, o partênio, o encômio e o prosódion (que, juntos, correspondiam a 8 desses livros), foram-nos transmitidos, pela tradição direta ou indireta, muito poucos fragmentos. Além dessa escassez, há poucos testemunhos sobre esses gêneros e poucos comentadores antigos trataram, em algum momento, analiticamente do tema. Diante desse quadro, o objetivo dessa exposição é, a partir da análise dos fragmentos das odes, principalmente de Píndaro, dos testemunhos e dos textos desses exegetas, caracterizar, preliminarmente, dois desses gêneros, o prosódion e o hyporquema. Monitores:
Sessão CI11 :: 14h00-15h30 :: Sala C5 Coordenador: Ana Ribeiro Grossi Araújo Comédias de Caracteres: Estudo Comparativo em Díscolo de Menandro e Aululária de Plauto Orientador: Ana Maria César Pompeu Auxílio: UFC Resumo: A Literatura Grega, em diversos gêneros, serviu de parâmetro para o desenvolvimento da Literatura Latina. Dentro do gênero dramático, por exemplo, as primeiras tragédias em Roma, com Lívio Andronico e Ênio, são chamadas fabulae palliatae, uma referência ao pallium, tipo de veste teatral grega. Portanto, um teatro que segue os moldes gregos. Porém, em se tratando das obras latinas, nem sempre é claro determinar os critérios desse empréstimo. Ainda no gênero dramático, agora na comédia, Menandro parece ter sido o principal modelo para os poetas romanos, conforme testemunho de Terêncio (Andria 9 – 21). A comédia de Menandro foi classificada como comédia nova, que, dentre outras características, apresentou uma sátira dos costumes, das condições sociais e dos caracteres. O presente trabalho pretende comparar as peças Díscolo (ou Misantropo) de Menandro e Aululária de Plauto nos aspectos supracitados, especialmente no aspecto de uma sátira de caracteres. Nessa abordagem comparativa, levar-se-ão em consideração tanto os pontos comuns quanto os pontos divergentes. Para melhor compreensão dessa abordagem, se faz mister um estudo estrutural de ambas as peças. Considerações Sobre a Ira na Medéia de Sêneca Hermes Orígenes Duarte Vieira, Univ. Fed. da Paraíba Resumo: A tragédia Medéia de Sêneca é uma mímesis das paixões da alma humana. Sêneca, como pensador inserido na doutrina Estóica, trabalha, de forma implícita e poética, o tema das paixões da alma na peça Medéia. Estóico, Sêneca considera as paixões da alma como um erro de julgamento que perturba o nosso equilíbrio físico e psicológico. Sêneca considera a ira como a mais nociva e nefasta de todas as paixões da alma, dado o destrutivo e violento poder do irado contra si mesmo, os outros, as instituições sociais e até contra a sagrada e harmoniosa ordem racional da Natureza e do Cosmos, presidida pelo Lógos Estóico. Nesse sentido, Sêneca, ao transfigurar ,na tragédia Medéia, as formulações conceituais da ira expostas no seu ensaio De ira, representa a personagem Medéia como uma dramática alegoria da IRA e do Amor furens a nível linguístico, filosófico e literário. O Papel de Teseu, Companheiro de Hércules, na Estrutura Dramática do Hercules Furens de Sêneca Orientador: Sandra M. G. B. Bianchet Auxílio: CNPq Resumo: Pretende-se, com este trabalho, uma análise da função dramatúrgica do personagem Teseu na peça Hercules Furens, de Sêneca. Analisar-se-á em que medida a função do personagem na estrutura formal da tragédia está vinculada à sua função no enredo. Neste, Teseu é o companheiro de Hércules que volta com ele dos infernos, e é o único personagem que escapa ao universo familiar e ao universo dos inimigos do protagonista. Estruturalmente, ele aparece como um duplo do herói, preenchendo as cenas em que este está ausente, trazendo informações que, de outro modo, apenas Hércules poderia trazer, e, finalmente, estabelecendo com ele um diálogo entre iguais. Anseia-se, assim, através da análise dos discursos proferidos, dirigidos, ou ainda referentes a Teseu, compreender o vínculo entre o papel social retratado na sua relação com Hércules, como amigo, e a função estrutural do personagem na tragédia, como duplo do protagonista. Reflexões Sobre o Poder na Tragédia Tiestes de Sêneca Resumo: A tragédia Tiestes de Sêneca perpetua os crimes de família (de sangue). Atreu, ao querer ficar com o poder absoluto do reino de Micenas e ao querer vingar-se do irmão por causa de sua traição, comete um crime atroz. No entanto, ele utiliza-se desse poder real para conseguir a execução do crime. Portanto, pretendo mostrar nesta comunicação como o poder está representado na tragédia Tiestes, principalmente, através da personagem Atreu. Monitores:
Sessão CI20 :: 14h00-15h30 :: Aud. Consequinho Coordenador: Marcus Mota A Teoria da Metempsicose Pitagórica no Fédon de Platão Angelo Balbino Soares Pereira, Univ. de Brasília Orientador: Gabriele Cornelli Resumo: A Metempsicose é uma das teorias atribuí das a Pitágoras. Um estudo da Filosofia Pitagórica sob a compreensão platônica é uma possibilidade de proximidade entre o saber científico e filosófico. Platão no Fédon debate com os pitagóricos. O Fédon é o mais importante diálogo a respeito da alma e a obra que pode ajudar na reconstrução das posições pitagóricas sobre este tema. Qual a relevância de estudar Pitágoras e sua reflexão da Metempsicose tendo o Fédon como porta de entrada para a compreensão da interpretação platônica sobre a Filosofia Pitagórica da Metempsicose? O Fédon apresenta três hipóteses de derivação pitagórica: a alma existe, a alma é imortal, a alma transmigra de um corpo a outro. Essa transmigração é chamada de Metempsicose. A Metempsicose é um tema que permite revelar um conteúdo filosófico próprio, tanto em sentido ético, considerando a questão do comportamento e o bem viver, como em sentido epistemológico. Competência Sonológica em Heráclito, a Partir da Edição dos Fragmentos por S. Mouraviev Resumo: Na recente e monumental edição de S. Mouraviev para os fragmentos de Heráclito (Mouraviev 2006), dados de micro-estilística enfatizam uma aguçada sensibilidade para a manipulação de jogos sonoros nas escolhas vocabulares. A sofisticação no uso da linguagem, porém, não se limita à expressão verbal. Em diversos momentos Heráclito se refere, ainda que negativamente, tanto a eventos performativos audiovisualmente orientados quanto, a atos aurais na percepção e construção da realidade. A tensão entre a presença e recusa desses modelos audiofocais é tanta que mesmo eventos que não se definem auralmente são apresentados a partir de parâmetros psico-acústicos. Os fragmentos comparecem como demonstrações dessa competência sonológica no arranjo e seleção de fragrantes de uma cidade arcaica. Heráclito e a Experiência Originária da Phýsis Orientador: Nancy Manguabeira Unger Resumo: Mesmo após o aprofundamento das pesquisas filológicas e arqueológicas, grande parte das questões relevantes acerca do surgimento da filosofia e dos primeiros pensadores gregos permanecem em aberto. A partir dos fragmentos de Heráclito, esta pesquisa busca fazer uma reflexão acerca da experiência de pensamento concentrada na palavra phýsis, enquanto noção fundamental e articuladora do pensamento arcaico. “Experiência”, contudo, não deve indicar uma vivência puramente pessoal, subjetiva, imediata. Ao problematizar a “natureza” da filosofia e das transformações históricas, a pergunta sobre a phýsis, ao contrário de se dissolver, se expõe e entrelaça com toda a gama de questionamentos sobre o real que nos levaram a ela. O que nasce, mas não apenas o que literalmente nasce, o que surge e se desenvolve a partir de um salto à região do desvelamento, dá se à percepção de modo principalmente autêntico e, por isto, enquanto aparecimento, se oferece ao pensamento enquanto provocação, retraimento. O pitagorismo e as origens da ciência ocidental Graduando Talita de Carvalho Lobo Vianna, Univ. de Brasília Orientador: Gabriele Cornelli Resumo: Pensar em Pitágoras é pensar unanimemente em um dos nomes mais significativos da Antiguidade no que diz respeito ao desenvolvimento de diversas idéias científicas: matemática e geometria, astronomia, música, cosmologia, etc. As doutrinas da assim chamada “escola pitagórica” envolvem acima de tudo a descoberta de algo que possa ser considerado como um "método científico". As conseqüências dessa nova maneira de fazer filosofia ocorreram não só no âmbito e cenário antigo, desde a epistemologia platônica, mas também até os desenvolvimentos da ciência moderna e contemporânea. O objetivo deste trabalho é dar enfoque especial às dificuldades encontradas ao pesquisar os pitagóricos, analisando as influências que a própria doutrina sofreu, a importância da matemática e um dos nomes pitagóricos mais importantes: Filolau. Assim esta comunicação tem como objetivo esclarecer a estreita relação da filosofia pitagórica com o desenvolvimento científico antigo. Monitores:
Sessão CI4 :: 16h00-17h30 :: Anexo A Coordenador: Antonio Gomes da Silva "Aqueus de Belas Cnêmides": arqueologia de um epíteto Orientador: Haiganuch Sarian Resumo: As cnêmides ou grevas são uma peça do armamento defensivo do guerreiro na poesia homérica, principalmente na Ilíada. Através da fórmula 'euknēmides Achaioi' (Aqueus de belas cnêmides), não somente o uso desse aparato para a proteção da parte inferior das pernas é atribuído aos aqueus, mas é transformado em um elemento caracterizador ou, melhor, em um epíteto dos aqueus, não sendo atribuído a nenhum outro povo. O estudo da cultura material revela vestígios arqueológicos, embora não abundantes, que mostram a existência de cnêmides durante os Períodos Micênico (c. 1550-1100 a.C.) e Arcaico (c. 700-500 a.C.) e também revelam a ausência de vestígios materiais de tal aparato durante a Idade do Ferro (1100-750 a.C.). A relação ausência/existência de achados relativos às cnêmides na Grécia continental e insular e na Anatólia para tais períodos talvez possa indicar algo para além da formularidade do epíteto euknēmides em Homero. As Lágrimas de Briseida: tempo, memória e sensibilidade na narrativa de Homero Antonio Gomes da Silva, UFCG - Univ. Fed. de Campina Grande Resumo: No Canto XIX, da Ilíada, Homero narra o retorno da escrava Briseida às tendas de Aquiles, de onde havia sido arrancada por Agamêmnon. Em sua chegada, depara-se Briseida com o corpo morto de Pátroclo, amigo dileto de Aquiles, estendido no meio da tenda. É essa uma imagem que a todos comove. Chora, então, Briseida pelo herói morto. Choram todos os presentes. Por palavras e por imagens, Homero nos mostra que cada um? ainda que diante da mesma imagem comovente? é impelido às lágrimas por diferentes motivações. Que palavras, que imagens são essas de que lança mão Homero para nos contar essa sua história? Por quem choram Aquiles, Briseida, as demais escravas, os heróis aqueus ali reunidos? Que tempos, que memórias, que sensibilidades retornam à luz sob o impacto da imagem do corpo estendido de Pátroclo? Cada um, segreda Homero, rememora, sente e chora por si. Prazer e Esquecimento no “Nóstos” de Odisseu Oscar de Lira Carneiro, UFCG - sócio da SBEC Resumo: Em sua viagem de retorno a Ítaca, dentre os muitos desafios a serem enfrentados por Odisseu, evidencia-se o do esquecimento de suas identidades como esposo de Penélope, de pai de Telêmaco, de filho de Laertes e o desejo de voltar para o seu reino, etc., face aos prazeres que poderiam s er experimentados (e alguns o foram), como no episódio da navegação junto às sereais, a passagem na ilha dos lotófagos, as estadias junto a Circe e a Calipso. Simbolicamente, o que Homero ainda nos ensina quanto ao binômio prazer-esquecimento? Monitores:
Sessão CI10 :: 16h00-17h30 :: Aud. Filosofia Coordenador: Milena de Oliveira Faria Ákletoi e Sympósia: um estudo sobre a figura do parasita na Grécia Antiga Orientador: José Antonio Dabdab Trabulsi Resumo: Os parasitas ou ákletoi eram presença constante nos banquetes da Grécia Antiga, havendo debate sobre seu verdadeiro papel de indesejáveis. É possível que sua presença fosse utilizada pelo realizador da festa para reafirmar seu status social e impressionar os convivas. A maioria das fontes, contudo, sempre caracteriza os parasitas por meio de um olhar externo, usando-o como elemento cômico ou de moral duvidosa, servindo de exemplo de mau comportamento. O presente trabalho tem como objetivo tentar esboçar uma figura do parasita situando-o no centro da análise e buscando recursos para um possível “auto-retrato” do ákletos na Grécia Antiga. Construção dos Personagens do Díscolo de Menandro e os Caracteres de Teofrasto Graduando Arthur Xerxes Burlamaqui Theophilo, Univ. Fed. do Ceará - sócio da SBEC Orientador: Ana Maria César Pompeu Resumo: O trabalho ocupa-se da peça "Dýskolos" de Menandro e sua relação com "Os caracteres" de Teofrasto, quanto à caracterização das personagens. Levam-se em conta, para tanto, as concepções poéticas e filosóficas dos dois autores bem como as predominantes no contexto histórico em que eles se encontram. Discute-se ainda a possibilidade de influência de uma obra por outra, tanto direta quanto indiretamente.
Eurípides e Parente: uma Relação de Amizade em "As Tesmoforiantes" Orientador: Adriane da Silva Duarte Auxílio: CNPq Resumo: Tenho por objetivo fazer uma breve análise da relação de amizade entre Eurípides e seu parente n’ As Tesmoforiantes de Aristófanes (411 a.C),centrando-me mais especificamente na questão das consequências da lealdade do parente na sua tentativa de defesa do tragediógrafo em meio ao ritual das Tesmoforias. O modo como o parente de Eurípides se dispõe a enfrentar os perigos de adentrar ao ritual das Tesmoforias, que era exclusivamente feminino, e ir na contramão dos discursos das mulheres, que atacavam terminantemente o tragediógrafo de maldizê-las em suas peças, explicita um laço de amizade entre as personagens. Ao mesmo tempo, essa lealdade do parente acarreta em graves consequências para si, no seu desmascaramento diante das mulheres e na sua prisão. O escamoteamento do obsceno na Comédia de Menandro Kall Lyws Barroso Sales, Orientador: Ana Maria César Pompeu e Orlando Luiz de Araújo Resumo: A definição do termo obscenidade pode variar de uma cultura a outra, de época a época, associando-se, muitas vezes, à coprolalia, à blasfêmia e à sexualidade. A comédia grega do século V, com representação máxima em Aristófanes, é considerada pela tradição como o espaço em que as obscenidades são permitidas; entretanto, o momento vivido pela pólis de Aristófanes foi único e, por isso, percebeu-se tal liberdade de expressão. Com Menandro, no entanto, a pólis grega já não era a mesma do século V. A obscenidade, grosso modo, parece sair de cena, dando lugar ao que se denomina amor romântico. Nesse sentido, pretende-se, com este trabalho, esquadrinhar os elementos da comédia O Enfezado, de Menandro, a fim de explicitar elementos obscenos que ainda permeiam a Comédia Nova e diferenciá-los daqueles presentes no teatro aristofânico.
Monitores:
Sessão CI15 :: 16h00-17h30 :: Aud. BCZM Coordenador: aguardando definição A Concepção da Paixão-amorosa de Lucrécio em Virgílio Hermes Orígenes Duarte Vieira, Univ. Fed. da Paraíba Resumo: A concepção de Lucrécio da paixão amorosa em Virgílio. Segundo Lucrécio, o apaixonado é um ser atormentado ao se deixar viver sob o arbítrio de outra pessoa. A paixão da personagem Dido, na Eneida, de Virgílio, a impele a abandonar a sua natural e digna posição de rainha para à aberração antinatural de uma amante passiva atormentada pelo amor-paixão por Enéias de proporções trágicas. Também, nas Éclogas, Virgílio pinta a paixão atormentada de Coridon por Aleixo sob sombrias cores lucrecianas ao mostrar o abismo instransponível entre a serenidade dos seres sob o ritmo da Natureza e a perturbação mental e física dos apaixonados. Nesse sentido, a paixão amorosa das personagens virgilianas supracitadas pode ser vista como uma alegoria poética da concepção da paixão-amorosa de Lucrécio. A representação do amor nas "Bucólicas" de Virgílio Resumo: O presente trabalho desenvolve reflexões sobre o tratamento que o tema do amor recebe nas “Bucólicas” de Virgílio, buscando categorizar as formas de amor representadas pelo poeta e relacioná-las com o ideal de vida feliz que inspira a sua poesia pastoril. Em geral, esses poemas deixam transparecer a idéia de que os furores do amor (e
das outras paixões) podem ser mitigados por certos hábitos de vida caracterizados pela simplicidade e pela convivência harmônica com a natureza.
Bucólica IV de Virgílio: a Identidade do "Puer". Resumo: Em sua Quarta Bucólica, dedicada a Polião, Virgílio nos fala sobre a vinda ao mundo de uma criança que marcaria o início de um novo tempo, um tempo de Paz e prosperidade. Por tal nascimento o mundo se renovaria, a Idade de Ouro se restabeleceria na face da terra, a própria terra produziria tudo ao homem e os rebanhos não mais temeriam o leão. Os primeiros cristãos e, depois, toda a Idade Média, acreditaram que o poeta mantuano havia vaticinado o nascimento do Messias; Lactâncio, Santo Agostinho, lendo Isaías (XI,6-8), tinham absoluta certeza do poder profético de Virgílio. Seria mesmo tal criança o Cristo? Teria o poeta sofrido, mesmo sendo pagão, a influência de uma literatura messiânica? Teria pressentido o advento do Cristianismo? Tratar-se-ia, ao contrário, de uma criança imaginária e Virgílio teria simplesmente ecoado as esperanças de renovação presentes então no mundo Romano? Quem seria tal criança misteriosa? Terror e Maravilhamento na Quarta "Geórgica" Virgiliana Auxílio: Pós-Lit./ UFMG Resumo: No livro IV de suas “Geórgicas”, pode-se dizer que Virgílio deu vazão ao tema do monstruoso e das monstruosidades, de resto, indefectivelmente presente ao longo de toda esta sua obra, pela via dupla do sobrenatural ou do enfoque na assustadora figura de Proteu. Portanto, analisando as duas passagens em vista (IV 437-442 e IV 554-558), buscaremos demonstrar por que razão elas nos parecem imbricadas de modos distintos no grande panorama das monstruosidades nas “Geórgicas”. Monitores:
Sessão CI18 :: 16h00-17h30 :: Sala C1 Coordenador: Rinaldo José de Andrade Brandão A explicação das histórias (mitológicas) em comentários de Sérvio Honorato Resumo: Dionísio Trácio, na Arte gramatical, define a gramática como “o conhecimento empírico daquilo que se diz correntemente entre os poetas e prosadores”. Destaca-se, então, a relação que o gramático estabelece entre seu conhecimento e os poetas e prosadores, pois é algo que nos remete ao trabalho com textos, ou seja, nos aponta um caráter filológico mais do que pedagógico. Entre as partes da gramática enumeradas por Dionísio está a elucidação das palavras raras e das histórias. Sérvio, comentador de Vergílio, certamente tinha conhecimento da divisão proposta por Dionísio Trácio e praticava em suas anotações cada um desses ofícios. Exemplos de explicações de palavras raras e de histórias em seus comentários são muitos e freqüentes, porém o que nos chama a atenção, especialmente, é a forma como são feitas as leituras dos mitos, em que fundamentos se baseiam e que procedimentos operam. A Poética de Eucharisticos: um Estudo sobre o Gênero de uma Autobiografia Metrificada do Século V d. Orientador: Norberto Guarinello Resumo: O objetivo desta comunicação é apresentar a relação que se estabeleceu entre uma pesquisa em história antiga – a investigação histórica do relato feito por um monge cristão sobre sua vida na Gália do século V d.C. - e a necessidade que esta despertou de um conhecimento em letras clássicas e estudos sobre gêneros literários clássicos – uma vez que se trata de um poema autobiográfico. A pesquisa exigiu que se verificasse o impacto dos instrumentos da retórica e da escrita metrificada clássicas no discurso de Paulino (ainda mais sendo ele neto de um poeta como Ausônio). Sendo que a expressão dessa educação em Paulino é também a forma poética de sua obra, entender a forma é parte do processo para entender a representação da sociedade da época que a poesia realiza. Carmen Saeculare: um poema em espiral Rinaldo José de Andrade Brandão, Univ. Fed. da Paraíba Resumo: A celebração dos Jogos Secularesem 17 a.C., segundo alguns estudos, veio consagrar a campanha polيtico-ideolَgica de Augusto. O Carmen Saeculare, poema horaciano escrito para ser cantado como parte das comemoraçُes, aborda polيtica e religiمo de maneira indissociلvel, mas seu sentido estende-se também para outras esferas, simbَlicas e poéticas, uma vez que tem como tema principal o carلter circular do tempo, que nمo é mais o tempo cronolَgico, mas um tempo sagrado. Verificar-se-ل, neste trabalho, a partir do estudo de texto estabelecido pela ediçمo da Les Belles Lettrescom traduçمo prَpria do latim, o desenvolvimento de valores morais e espirituais da cultura romana, os quais se coadunam com o programa ideolَgico de Augusto, na sua tentativa de promover a “restauraçمo” da Repْblica. O objetivo principal, no entanto, reside em observar que, se trate de uma obra encomendada, fortemente marcada pelo seu contexto histórico, o poema resguarda sua autonomia estética. Monitores:
Sessão CI24 :: 16h00-17h30 :: Sala 2H8 Coordenador: Libanio Cardoso Algumas Considerações Acerca dos Aspectos Materiais na Teoria Aristotélica da Percepção Túlio Cardoso Rebehy, UFMG Orientador: Jacyntho Lins Brandão Auxílio: CNPq Resumo: O meu objetivo consiste em analisar a relação entre corpo e alma na obra de Aristóteles, a partir da capacidade perceptiva. Mais especificamente, verificaremos em que medida a alma é uma forma realizada em uma matéria. Com esse intuito, abordaremos as seguintes questões: a percepção ocorre sem a presença de alterações materiais? Caso sejam necessárias alterações materiais, seriam elas também suficientes para explicar a percepção? O (des)Prazer de Envelhecer em Aristóteles Igor Mota Morici, UFMG Orientador: Fernando Rey Puente Auxílio: CAPES Resumo: O propósito da comunicação é o de discutir a opinião segundo a qual Aristóteles sustenta uma perspectiva pessimista sobre a velhice. Essa tese, que goza de ampla aceitação entre os intérpretes, baseia-se, sobretudo, no décimo terceiro capítulo do segundo livro da Retórica. A partir de passagens esparsas pelo corpus, procuraremos não somente atenuar essa posição, mas também problematizá-la, mostrando de que modo a noção aristotélica de felicidade supõe que seja possível para um homem ter uma velhice feliz. Felicidade que ultrapassa o sentido de ‘eugería’, descrita no quinto capítulo do livro primeiro da Retórica como um envelhecimento lento sem sofrimento (‘alupía’) — e que sugere a questão: ausência de dores, presença de prazeres? Sobre os conceitos aristotélicos de "história", "pessoa" e "vínculo" Libanio Cardoso, UNIOESTE Orientador: Gilvan Fogel - UFRJ Auxílio: CAPES Resumo: Aristóteles é o primeiro filósofo a pensar a filosofia sob a ordenação de seu vir a ser histórico, e é também o autor de tratados fundadores sobre Ética e Política. História, éthos e pólis remetem, entre outros, a conceitos como "indivíduo", "vinculação" e "tempo", cuja investigação se verifica, segundo nossa interpretação, na Metafísica. Pretendemos justificar essa interpretação e indicar , desde a filosofia primeira, o sentido dos conceitos mencionados. Monitores:
Sessão CI29 :: 16h00-17h30 :: Sala 2D2 Coordenador: José Carlos Silva de Almeida Comentário Sobre a Máxima Principal 40 de Epicuro: a Amizade e a Morte Resumo: A Máxima Principal nº 40 de Epicuro relaciona o tema da convivência segura, e o da justiça, aos temas do prazer, da amizade e da morte. É a partir da amizade – um amigo não se lamenta da morte de outro – que o filósofo parece argumentar em favor de sua tese de que não se justifica temê-la. Este é um argumento pouco usual dos epicureus, e praticamente esquecido entre os comentadores contemporâneos. Nagel, Sorabji, Wolff e Warren, por exemplo, concentram suas atenções sobre dois outros argumentos: o da impossibilidade de indicar o sujeito da morte, e o da simetria entre as não existências anterior ao nascimento e posterior à morte. Mas, em que medida, a amizade epicuréia torna aquela tese mais resistente a seus críticos? Como entender, se for o caso, que a amizade cure o temor e o sentido de perda que parecem intrínsecos à morte? Da Amizade de dois Antonios Resumo: Dois personagens de William Shakespeare (1564-1616), ambos chamados Antonio, o primeiro de O Mercador de Veneza (c. 1596), e o segundo de Noite de Reis (c. 1600), caracterizam-se pela profunda amizade que dedicam a homens mais jovens, respectivamente Bassânio e Sebastião. A crítica shakespeariana mais recente vê neles traços homoeróticos. Porém uma outra leitura da experiência dos dois personagens parece possível a partir da aproximação das obras shakespearianas com o tratado Da Amizade (c. 44 AC), de Cícero. A partir de tal estratégia interpretativa procura-se nesta comunicação esboçar uma representação mais precisa e menos anacrônica de importante traço cultural do início da idade moderna.
Sêneca: a filosofia como terapia dos males da alma Resumo: A finalidade da filosofia para Sêneca não é aspirar a um conhecimento puro e abstrato, mas sim almejar os efeitos que tal conhecimento produz no homem, e de modo particular o auxílio para curar os males da alma. Um conceito básico já presente no estoicismo antigo e que Sêneca e o estoicismo imperial levam às últimas conseqüências é de que os grandes males não estão tanto nas coisas, mas muito mais na valorização equivocada que damos a elas. Portanto, não são as coisas em si que devem ser modificadas, mas o nosso espírito. A tarefa da filosofia consiste, portanto, em ajudar o homem a modificar a valorização que ele dá às coisas, como pode ser observada na Carta a Lucílio, 71, 21-26. Este texto deixa claro qual é o fim ao qual tende a filosofia segundo Sêneca: procurar os fármacos que curam os vários males da alma para eliminá-los ou, pelo menos, para contê-los o máximo possível. A filosofia se impõe então como “terapia dos males da alma”, e outras passagens encontradas nas obras de Sêneca nos atestam tal concepção. Monitores:
Sessão CI35 :: 16h00-17h30 :: Aud. Geografia Coordenador: Marco Aurélio Rodrigues A cena de Creso: a inversão do ethos na "Ciropedia" de Xenofonte Emerson Cerdas, UNESP - Fcl-Araraquara Orientador: Maria Celeste Consolin Dezotti Auxílio: FAPESP Resumo: Xenofonte, ao criar o modelo de governante na Educação de Ciro, não criou uma personagem completamente ficcional, mas incrementou com ficção a personagem histórica, Ciro, rei da Pérsia, personagem já estabelecida na Literatura Grega por outros escritores. A única das possíveis fontes conhecidas do autor que nos chegou de forma integral foi a obra de Heródoto. Portanto, a comparação entre o material narrativo de ambas é essencial para a compreensão da Educação de Ciro, já que as variações ou subversões do material conhecido são significativos. Nessa comunicação, vamos analisar a cena de Creso nas duas narrativas, buscando refletir o papel das variações efetuadas por Xenofonte. A Tirania na Colônia Grega de Siracusa: a Estratégia de Realocação Populacional e o uso do Espaço Juliana Figueira da Hora, Univ. de São Paulo Orientador: Elaine Farias Veloso Hirata Auxílio: Cnpq-Pibic Resumo: O trabalho que apresentarei no XVII Congresso Nacional de Estudos Clássicos será a conclusão final do trabalho de Iniciação Científica. A pesquisa consistiu em estudar o papel das tiranias entre os séculos VI e V a.C na configuração dos espaços na colônia grega de Siracusa, localizada na Sicília. A partir da análise de situações constatadas, especialmente no decorrer do século V na área colonial siciliota, foram confrontadas as fontes escritas e arqueológicas para a compreensão da dinâmica espacial das refundações promovidas pelos tiranos. Essas realocações consistiram na transferência de uma cidade a outra, gerando tensões sociais e choques culturais. Desse modo, o movimento demográfico na Sicília causou um grande impacto, tanto na vida social e política quanto no espaço físico em Siracusa e nas cidades subjugadas pela mesma. Entretenimento e Competição nos "Sympósia" Atenienses Orientador: Fábio de Souza Lessa Auxílio: CAPES Resumo: Os "sympósia" privados eram o momento mais característico de entretenimento na vida cotidiana das elites atenienses. Em nosso trabalho, pretendemos mostrar como o caráter agonístico da "pólis" se manifestava mesmo nos momentos de prazer, onde os convivas disputavam as mais desejadas cortesãs (através de jogos), ao mesmo tempo em que essas competiam entre si para demonstrarem quem era a mais habilidosa e, portanto, mais valiosa. Um tirano hybristés Orientador: Fernando Brandão dos Santos Auxílio: FAPESP Resumo: Através da análise pormenorizada de "Os persas"" de Ésquilo, este trabalho trata da construção do tirano hybristés, ou seja, do tirano Xerxes que, movido pela hybris, acaba por levar todo seu povo à desgraça. Quando constrói a imagem do tirano Xerxes, Ésquilo não está preocupado simplesmente em desmerecer o tirano e suas ações. Há, na tragédia, a preocupação em identificar os motivos que levaram o tirano e seu povo àquele fim. Para tanto, é necessária uma análise da presença das personagens, da ação e, principalmente, do pensamento ético-religioso do tragediógrafo. Dessa forma, o estudo procura demonstrar como Ésquilo constrói a tragédia colocando na desmedida sede de poder de Xerxes, em sua transgressão dos limites humanos, o principal motivo da derrota nas Guerras Médicas. Monitores:
Sessão CI39 :: 16h00-17h30 :: Sala C5 Coordenador: Tiago França As Relações de Poder entre as Casas Imperiais e as Senatoriais Lucas Almeida de Souza, Univ. Fed. de Ouro Preto Orientador: Fábio Faversani Auxílio: UFOP Resumo: O projeto analisa o principado de Nero (54 a 68 d.C.), sob a ótica de duas fontes: Annales de Tácito e De Vita Caesarum de Suetônio. Analisando-as reconhecem-se relações de clientela, observadas por esses autores para representar as relações de poder entre as casas imperiais e as senatoriais. A pesquisa corrobora que tais ligações se baseavam numa relação de micro-poderes, onde cada casa pela tradição primitiva romana seria uma unidade econômica e social, controlada pelo pater famílias. As domus senatoriais seriam controladas por esses chefes de família idealmente ligados por relações de clientela com o Pater Patriae, e sua casa seria o principal centro de emanação de poder e influência no Império, junto com outros mediadores como: mulheres, escravos e libertos imperiais. A hipótese de ascensão de alguma casa que fosse concorrente com o poder do Imperador gerava perturbação na ordem vigente, e conseqüentemente elaborações de supostas ou reais conspirações. Interações Sociais e Construção da Imagem Imperial no Principado de Nero Sarah Fernandes Lino de Azevedo, Univ. Fed. de Ouro Preto Orientador: Fábio Faversani Auxílio: PROPP - UFOP Resumo: Esta pesquisa apresenta um estudo sobre a construção da imagem do Imperador Nero, assim como de seu governo (54-68 d.C.), a partir de análises das interações sociais, enfatizando as relações interpessoais estabelecidas com personagens femininas. A principal fonte estudada são os Anais de Tácito. Pretendemos compreender como estas relações interpessoais, privadas ou públicas, interferiram na política do principado. Como se constituíam as relações de poder dentro da corte, e como as mulheres, mesmo sem possuir direitos políticos, influenciaram em decisões políticas. Qual a importância política ou social dessas mulheres no relato de Tácito? Como apreender a conexão entre as formas de hierarquias sociais e políticas formais e informais em que estavam inseridas? Assim, pretendemos ainda compreender como Tácito, através de mecanismos retóricos, construiu em seu relato, uma imagem tanto do imperador quanto de seu governo, e como associou as personagens femininas com essa imagem de governo.
Patronato e Governo Imperial, sob Nero, nos Anais de Tácito Ygor Klain Belchior, Univ. Fed. de Ouro Preto Orientador: Fábio Faversani Auxílio: FAPEMIG Resumo: O objetivo deste artigo é traçar a relação entre o patronato e o governo imperial em Tácito tendo como recorte temporal o principado de Nero (54-68 d.C.). Nossa idéia é lançar reflexões a respeito da ordem imperial vigente e das fronteiras internas ao governo desse imperador. Nossa opção pelo tema “ordem imperial e fronteiras” se deve graças aos debates realizados pelo LEIR, Laboratório de Estudos sobre o Império Romano, sob coordenação geral do Prof. Dr. Norberto Luiz Guarinello- USP. Nossa hipótese é de que, ao contrário da avaliação de um governante moderno, Tácito não quer nos mostrar categorias classificatórias de um “bom” ou “mau” governo. Mas sim, indicar que a decadência do império (seguindo a linha de Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio, Nero e o ano dos três imperadores) é em decorrência de más práticas políticas, fruto das disputas envolvendo as domus senatoriais e a domus caesaris. Suetônio e a Construção do Poder Imperial Orientador: Renata Lopes Biazotto Venturini Resumo: A presente comunicação tem como propósito apresentar o conjunto de elementos utilizados por Caio Suetônio Tranquilo na caracterização da figura dos imperadores romanos durante o Principado, utilizando como fonte sua obra intitulada “As Vidas dos Doze Cesáres”. Sobre o autor das biografias acredita-se ter nascido em Roma. Começou sua carreira pública na advocacia. Logo após foi um dos secretários dos imperadores Trajano e Adriano. Tal atividade lhe deu acesso aos arquivos imperiais, que ele utilizaria posteriormente em seus estudos. Observamos que Suetônio ao fazer a biografia de cada um dos imperadores, utiliza-se de critérios que seguem um padrão, o de acumular notícias em volta de alguns referenciais da vida dos Imperadores. De todas essas descrições que Suetônio nos fornece, as mais aparentes são aquelas sobre os boatos que rondavam a côrte. Embora grande parte da obra prenda-se em narrar as manias dos imperadores, as informações históricas são de valor indiscutível. Monitores:
Sessão CI42 :: 16h00-17h30 :: Aud. Consequinho Coordenador: Alzir Oliveira Introdução às Línguas Clássicas Aplicadas à Filosofia: uma Proposta de Ensino. Jorge Augusto Alves da Silva, Univ. Est. do Sudoeste da Bahia Resumo: Inegável é importância que o estudo das línguas clássicas apresenta na compreensão das realidades expostas por autores da Antiguidade. No entanto, uma ruptura no ensino dos estudos clássicos ou a diminuição de seu papel na formação dos alunos brasileiros trouxeram aos estudos superiores maior dificuldade na apreensão dos sentidos que são expostos em textos clássicos. O aluno, pouco afeito à “lógica” sintática da língua portuguesa, há de estranhar a “lógica” dos casos do grego e do latim. Destarte, encontramo-nos num paradoxo: o discente quer aprender grego e latim para entender os clássicos, mas não possui lastro educacional suficiente para que nele sejam assentadas as bases daquelas línguas. Nesse sentido, nossa pesquisa, em andamento, procura desenvolver algumas técnicas de ensino de línguas clássicas com base na “tradução-versão”, mas também através de métodos comuns ao ensino da língua modernas a fim de permitir ao educando desenvolver a capacidade de elaborar comentários elucidativos sobre estruturas lingüísticas que lhe chamarem atenção ao longo da construção de seu conhecimento. Tomamos como espaço de experimentação a primeira turma do recém aberto curso de Filosofia da UESB. A classe apresenta-se de forma heterogênea, possuindo alunos pertencentes a diversos estratos culturais, econômicos, sociais e religiosos. Após uma sondagem de interesses e expectativas, passamos à verificação do conhecimento letrado suficiente para compreender fenômenos comuns às línguas clássicas como as noções de casos e de aspecto. Ao que tange os interesse e expectativas, os discentes declaram possuírem muita vontade em aprender o grego e o latim como forma de entenderem os sentidos possíveis de uma palavra no contexto em que dado autor utilizou. Por outro lado, eles apenas correlacionam o grego e latim ao uso dos radicais e afixos, sem se darem conta, por exemplo, que tais radicais e afixos provêm das duas línguas clássicas, mas que possuem longa produtividade em português. Além disso, é crença comum dos discentes a idéia de que a língua portuguesa “corrompeu” o sentido primevo das estruturas gregas e latinas e que só na sua perfeita compreensão, pelo estudo sistemático, há de se entender o sentido “ideal” da palavra. Tais observações feitas descuram da apropriação do sentido pelo tempo, pelo espaço e pelo autor, isto é, pelo contexto, pelo entorno da produção e da atribuição de valor que o autor dá à estrutura lingüística. O Ensino Contextualizado das Línguas Clássicas Resumo: Nosso trabalho investiga as causas da rejeição, implícita ou declarada, à presença do latim e do grego nos currículos de cursos de Letras, no Brasil. Analisamos os fatores de ordem externa e interna que alimentam essa postura, detendo-nos em aspectos objetivos da forma de abordagem dos conteúdos dessas matérias, que, frequentemente, oferecem um motivo ponderável para a sua preterição ou exclusão, legitimando as críticas e a rejeição de que são objeto. Para tanto, examinamos algumas proposta alternativas de didatização, cuja análise aponta para uma abordagem de ensino das línguas clássicas fundamentada em uma concepção de linguagem sócio-historicamente contextualizada. A meta final é sugerir uma abordagem alternativa de ensino das línguas clássicas que leve em conta as contribuições da Lingüística Aplicada e que, contemplando os aspectos sócio-históricos e culturais da língua, seja capaz de atender as exigências da modernidade e da sua inserção de forma produtiva no currículo de Letras. Projeto "Ilíada: Homero" transposto à escola brasileira. Uma possível paidéia Patricia Reis Braga, IEL/UNICAMP - Membro do Grupo Odorico Mendes Resumo: Manuel Odorico Mendes (1799-1864) foi o primeiro tradutor brasileiro dos grandes clássicos ocidentais. As traduções aspiram a um curso de literatura para brasileiros. Homero origina-se da cultura oral. Os rapsodos, atores-recitadores dos poemas homéricos, disputavam prêmios em festivais. O projeto Ilíada Homero promove incentivo à leitura e destina-se à recitação integral do poema Ilíada na tradução de Manuel Odorico Mendes, realizada por meio da recuperação da oralidade dos XXIV Cantos. Transposto este projeto à escola brasileira, reinserem-se os clássicos no currículo escolar, promove-se o conhecimento e a reflexão sobre a construção do pensamento ocidental.. Esta comunicação pretende apresentar algo das experiências do Projeto Ilíada Homero e discutir as suas potencialidades como atividade cultural na escola brasileira. Tradição Clássica no Brasil Contemporaneo: Letras Gregas e Simbologia Cristã Orientador: Haiganuch Sarian Auxílio: FAPESP Resumo: Esta comunicação tem com objetivo apresentar alguns resultados do projeto “Tradição Clássica no Brasil Contemporâneo”, apresentado inicialmente no XVI Congresso Nacional de Estudos Clássicos (2007). A identificação de elementos que remontam à Antigüidade Clássica no espaço urbano contemporâneo (informações escritas em grego e latim, e formas arquitetônicas) abriu espaço para uma análise no campo da longa duração (manutenção de estruturas ao longo de séculos ou milênios), e será destacado, nesse grupo de referências, a manutenção do monograma cristão articulado a partir das letras gregas XP (chi-rho), e seu processo de abstração ao longo da história do ocidente. Monitores:
Dia 22, terça-feira Sessão CI2 :: 14h00-15h30 :: Sala 2H8 Coordenador: Adriane da Silva Duarte A Amizade na Electra de Eurípides Karen Amaral Sacconi, Univ. de São Paulo (USP) Orientador: Adriane da Silva Duarte Auxílio: FAPESP Resumo: O estudo visa uma reflexão sobre as relações de amizade na tragédia Electra de Eurípides e a discussão sobre a philia promovida pelo poeta nesta obra, a fim de se estabelecer pontos de contato entre a abordagem euripidiana e a de algumas vertentes filosóficas da época. A Passagem da Inimizade para a Amizade nas Tragédias Ion e Ifigênia em Tauris, de Eurípides Resumo: A definição aristotélica de anagnorisis (reconhecimento) supõe a passagem do ignorar para o conhecer tendo em vista a amizade ou inimizade dos personagens envolvidos (Poética, 1452a 29-32). A proposta dessa comunicação é examinar como esse processo acontece, no sentido da inimizade para a amizade, nas tragédias Ion e Ifigênia em Tauris, de Eurípides, de modo a evitar a catástrofe, e relacionaná-lo às observações de Aristóteles na Poética 1453b 27 a 1454a 15 sobre o agente toma consciência do alcance de sua ação antes de agir. Amistad y placer en "Bacantes" de Eurípides Juan Tobías Nápoli, Universidad Nacional de La Plata Resumo: En el verso 815 de Bacantes, el profeta del culto de Dionisos (que no es otro que el propio dios travestido) trata de persuadir a Penteo para que vaya a observar la representación del culto dionisíaco de las ménades en el monte; el poeta nos pone en presencia de un ejemplo de lo que Segal ha denominado la paradoja trágica, que consiste justamente en el hecho de que el espectador de la tragedia encuentre placer en la contemplación del sufrimiento. En el climax del tercer episodio, el dios-profeta de su propio culto le pregunta a Penteo: ὅμως δ’ ἴδοις ἄν ἡδέως ἃ σοι πικρά; A través de la unión de una sinestesia con un oxímoron, en que se conjugan sensaciones visuales (verías) y gustativas contrastadas (dulcemente-lo amargo), se nos presenta de manera abrupta el problema de la paradoja trágica. La pregunta del dios nos pone en presencia de la cuestión de las emociones trágicas. La interrogación acerca del tipo de participación que el espectador obtiene de la representación dramática, ejemplificada aquí por Penteo y su conflictiva contemplación del culto dionisíaco, está en el centro del interés de la tragedia. Intentaremos señalar las diferentes maneras en que esta relación entre el espectador y el espectáculo contemplado (en los distintos espacios en que esta relación ocurre) se representan en Bacantes y las distintas emociones que esta contemplación suscita en el espectador. Três enganos na "Alceste" de Euripides Resumo: O engano, um dos temas de origem épica mais utilizado pelos poetas e prosadores clássicos, se apresenta de forma especialmente desenvolvida na obra de Sófocles e de Eurípides. Metade das tragédias de Sófocles e três quartos das tragédias de Eurípides conservadas têm, no enredo, pelo menos um tipo de engano. No presente trabalho, parte de ampla pesquisa em andamento, serão discutidos os três enganos presentes na tragédia “Alceste”, de Eurípides. O primeiro deles ocorre na esfera divina; o segundo, na esfera humana; o terceiro permeia ambas as esferas. Monitores:
Sessão CI9 :: 14h00-15h30 :: Sala 2A2 Coordenador: Anise de Abreu G. D´Orange Ferreira A guerra em "Quéreas e Calírroe", de Cáriton de Afrodísias Lucia Sano, Univ. de São Paulo Resumo: O tema da guerra insere-se no romance "Quéreas e Calírroe" (datado provavelmente do século I d.C.) quando uma revolta irrompe no Egito no momento em que, na Babilônia, o Grande Rei deveria decidir com qual de seus dois maridos Calírroe deveria permanecer: Quéreas, o primeiro, ou Dionísio, o segundo. No desenrolar dos fatos envolvendo a tentativa de controle dessa revolta, nos quais já foram observadas diversas alusões a passagens de textos historiográficos e épicos, a caracterização de Quéreas contrasta com a apresentada até então pelo narrador: ao provar ser um líder no campo de batalha, Quéreas torna-se, enfim, aos olhos do leitor, digno de receber de volta a mão de Calírroe. O objetivo deste trabalho é discutir de que forma a narrativa de guerra torna-se romanesca nas mãos de Cáriton de Afrodísias, que dela se vale para caracterizar positivamente um herói que se mostra, no início da narrativa, injusto e vacilante. Causalidade e Divindade no Tratado Hipocrático Da Doença Sagrada Flavio Fontenelle Loque, Univ. Fed. do Vale do São Francisco Resumo: Trata-se de examinar as concepções de causalidade e divindade no Da Doença Sagrada (De Morbo Sacro). Por meio de uma análise dos argumentos apresentados pelo autor do tratado hipocrático (notadamente o da admiração e ignorância, o do uso de cabra entre os Líbios, o da magia e o da suscetibilidade dos fleumáticos), pretende-se examinar: (i) a crítica à pretensa gênese divina da doença e a afirmação de que a doença dita sagrada é tão divina ou humana quanto todas as outras, (ii) a reformulação do conceito de divino aí implicada, e (iii) a distinção entre o modo e a motivação da doença (Cf. MS §5 Littré) e sua possível identificação com as noções de aitia e próphasis, distinção que fundamenta o quarto e principal argumento contra sacralidade da doença. Elementos Textuais e Representações da Amizade e do Prazer no Trabalho do Intérprete de Sonhos Anise de Abreu Gonçalves D´Orange Ferreira, FCLAr/UNESP - sócio da SBEC Auxílio: FAPESP 2004-5 (parcial) / FUNDUNESP Resumo: Estudos anteriores sobre a obra de Artemidoro, Oneirokritika (sec. II d.C.) comentam diferentes aspectos da relação dessa com o mundo de vigília do intérprete (Pack, 1955; Foucault, 1985; Pomeroy, 1991, entre outros), assim como a motivação psicológica das interpretações (Nussbaum, 1994, Ferreira, 2002, entre outros) e especificamente a atividade profissional dos sonhadores (e nos sonhos) como um elemento chave da interpretação (Ferreira, 2007). A presente comunicação tem por objetivo mostrar elementos textuais/discursivos referentes a configuração do próprio ofício do intérprete e sua relação com as demais profissões, marcadas e não marcadas, no texto de Artemidoro, pela presença da amizade e do prazer, visando buscar possíveis representações das mesmas. O aporte teórico-metodológico segue os princípios do interacionismo sociodiscursivo de Bronckart (2007; 2008) e Machado & Bronckart (no prelo/2008). O Conceito de Amizade na Retórica de Aristóteles Resumo: Em sua "Retórica", Aristóteles apresenta o conceito de amizade quando expõe a doutrina das paixões (ou emoções), que são por ele consideradas como meios técnicos subjetivos de produzir a persuasão. Se a retórica visa à formação de juízos, as paixões são elementos subjetivos capazes de alterar os juízos e introduzir mudanças na forma de julgar. A palestra terá como objetivo elucidar a concepção aristotélica da amizade, pela análise de como ela opera na técnica da persuasão retórica. Monitores:
Sessão CI12 :: 14h00-15h30 :: Aud. Geografia Coordenador: Robson Tadeu Cesilla Epigramas e Saturnais: o Xenia e Apophoreta, de Marcial Alexandre Agnolon, Univ. de São Paulo Orientador: João Angelo Oliva Neto Resumo: Em 84 e 85 d.C., o poeta latino Marco Valério Marcial deu a lume Xenia e Apophoreta, respectivamente, em homenagem às Saturnais. Nosso objetivo será apontar os elementos mais importantes constituintes da festividade, que com o prazer, o vinho e a troca de presentes, associam-se, amiúde, ao júbilo pelo retorno simbólico à Idade de Ouro e, em seguida, observar a apropriação desses mesmos elementos pela poesia epigramática de Marcial. Marcial: prazer lúdico, prazer culinário, prazer literário Resumo: Prazeres lúdicos e prazeres da mesa marcam fortemente a produção poética do epigramatista Marcial. Nesta comunicação, examinaremos alguns de seu epigramas em que se tem a construção de determinadas comparações entre a poesia epigramática e certos elementos ligados aos prazeres dos jogos e divertimentos e aos prazeres da mesa. Tais comparações vão ao encontro da concepção de epigrama presente na obra de Marcial. O Universo do Livro em Marcial Resumo: O livro é personagem constante na obra do poeta latino Marcial. Neste trabalho, a função do livro como personagem na obra de Marcial é analisada. Tendo como pontos de partida: a) o livro na Roma Imperial – sua criação, a influência da oralidade sobre a criação da obra literária, sua circulação e seu público leitor; b) o gênero epigramático na Antigüidade; c) as relações sociais como representadas na obra de Marcial; d) os estudos sobre a metapoética do autor; chegamos a uma tripla categorização da função do livro em Marcial. Prazeres da Carne e do Espírito - Leituras de Marcial Resumo: Os Epigrammata de Marcial são reconhecidos principalmente pelo talento do poeta ao falar de hábitos e costumes, citando personagens, transfigurados por vrezes em personagens-tipo. Parecem tão próximos e tão reais que, além do riso solto e alegre que podem provocar, apontam para comportamentos inesejados. Riso, denúncia, mudança talvez. Prazeres, vícios, amores e ódios são evidenciados. Partindo destas breves considerações, o presente trabalho objetiva selecionar e comentar epigramas em que Marcial aborda questões comportamentais e aspectos físicos dos seus personagens - que vivem essencialmente de emoção -, com o intuito de proporcionar prazer ao seu leitor ou, quem sabe, levá-lo a refletir sobre questões morais bastante atuais. Monitores:
Sessão CI21 :: 14h00-15h30 :: Sala C5 Coordenador: Solange Maria Norjosa Gonzaga Amizade e Narrativa no "Lisis" Orientador: Maria da Graça de Moraes Augusto Auxílio: CAPES Resumo: No presente trabalho nos interessamos em estudar o estatuto
filosófico da definição de amizade elaborada no diálogo Lísis.
Aspectos da philía no "Lísis" de Platão Orientador: José Antônio Alves Torrano Auxílio: CAPES Resumo: A presente comunicação tem por objetivo apresentar como se formula e se compreende os diversos significados do termo grego philía no Lísis de Platão. Levando-se em consideração que tal termo, que dado o peso da tradição é traduzido por amizade no diálogo, pode designar outros tipos de relações além daquelas que entendemos hoje pelo seu sentido usual, se mostrará, através de passagens do próprio texto, como essas relações se estabelecem entre o interlocutor principal de Sócrates - Lísis - e os outros personagens do diálogo. A partir das definições propostas por eles, poderemos compreender quais são os conceitos que, no mundo grego clássico, são compreendidos sob a palavra philía. O "Timeu" de Platão: sobre a Natureza ou sobre a Arte? Orientador: Fernando Santoro Auxílio: PIBIAC/ UFRJ Resumo: O trabalho pretende apresentar algumas considerações sobre o diálogo Timeu de Platão, no que tange ao assunto (skopós) abordado. Segundo Luc Brisson, os manuscritos de Platão receberam dos medievais do séc. IX a.C, uma catalogação que consistia em atribuir um título – com o nome do principal interlocutor; e um subtítulo, referente ao assunto abordado. No caso do diálogo em questão temos Timeu: ou Sobre a Natureza. É esse subtítulo que pretendo questionar. Levando em consideração o que os pré-socráticos e Aristóteles entendiam acerca do conceito de natureza, e o que o próprio Platão nos apresenta como arte, no livro X de A República, por homologia, demonstraremos que o Timeu versa sobre arte e não sobre natureza.
Prazer e Educação nas "Leis" de Platão Resumo: No seu último diálogo Leis, Platão afirma que “o prazer e a dor são as primeiras percepções da criança" (II, 653a); é através delas que a virtude e o vício chegam à alma. Refletiremos sobre a relevância do canto e dos jogos no trato dessas percepções para efetivar a educação virtuosa nas crianças e jovens da pólis dos magnetas. Monitores:
Sessão CI32 :: 14h00-15h30 :: Sala C6 Coordenador: Kátia Pozzer Arte Assíria: Poder e Prazer pela Guerra Orientador: Katia Maria Paim Pozzer Resumo: O presente estudo se propõe analisar a tecnologia de guerra empregada nas campanhas militares, na Assíria do I milênio a.C. As demonstrações de força, poder e bravura do Império Neo-Assírio foram perpetuados nas monumentais lajes de pedras que decoravam as salas dos palácios, com cenas narrativas que evidenciavam o preparo de seus guerreiros e a tecnologia empregada nas batalhas. Características peculiares deste povo, o prazer pelas batalhas e seu teor belicoso eram expostos, por meio da arte de esculpir relevos, retratando a eficácia do exército contra seus inimigos. Gilgamesh e Enkidu: entre as diferenças e a amizade Orientador: Flávia Lemos Mota de Azevedo Auxílio: FUNEDI/ UEMG Resumo: Ao estudarmos a Epopéia de Gilgamesh, poema que narra os feitos do rei de Uruk, nos deparamos com a intrigante relação de Gilgamesh e Enkidu. Primeiramente, tem-se a apresentação de ambos, o rei Gilgamesh é narrado como um admirável homem civilizado que realizou inúmeras proezas durante sua vida, e Enkidu como um selvagem que vivia em meio aos animais. Após o encontro, perturbado, de Enkidu e Gilgamesh inicia-se uma duradoura amizade, que no desenvolvimento da epopéia passa por várias aventuras. Para esse trabalho o que nos interessa é a análise das diferenças de ações e pensamentos entre os dois heróis da Mesopotâmia. Assim como, a amizade que surge mesmo existindo tais diferenças. Observaremos, igualmente, as aventuras vividas por Gilgamesh e Enkidu como prova dessa grandiosa amizade. Portanto, na realização desse estudo utilizaremos como fonte a versão ninivita da Epopéia de Gilgamesh e as reflexões de Bouzon, Rede e Pozzer. Papiro Erótico de Turin: Um Olhar Sexual no Egito Antigo Graduando Josiane Gomes da silva, UFRN Orientador: Paulo Césa Possamai Resumo: O presente trabalho terá como objetivo principal a analise do papiro erótico de Turin, buscando compreender e contextualizar suas variadas imagens no cotidiano do Egito Antigo. Pois estudando essas iconografias será preciso o auxílio da cultura e principalmente da religião do Egito faraônico. Sendo assim, com utilização dessa fonte histórica poderemos perceber como o antigo egípcio, concebia o ato sexual em seu tempo, numa mescla de sagrado e profano. Serão utilizados nesse estudo varias interpretações utilizadas pela historiografia. Situado cronologicamente no Novo Império, o papiro erótico de Turin até hoje permanece como um enigma de interpretaçoes para a nossa história. Práticas de Deportação nos Relevos Neo-Assírios Orientador: Katia Maria Paim Pozzer Auxílio: CNPq/ FAPERGS/ ULBRA Resumo: O presente trabalho de pesquisa analisa a representação imagética dos deportados e as práticas de deportação no império neo-assírio, presentes na arte de esculpir relevos nas paredes dos palácios. Os relevos assírios, impregnados de simbologia, apresentam características estéticas que insinuam a idéia de inferioridade do inimigo, pois era a forma com a qual os assírios enxergavam o outro, denotando uma ideologia imperialista. Nestas representações são retratadas mulheres e crianças, geralmente ausentes na iconografia assíria. Monitores:
Sessão CI5 :: 16h00-17h30 :: Anexo A Coordenador: Luiz Otávio Mantovanelli A Amizade em Hesíodo Luiz Otávio de Figueiredo Mantovaneli, IFCS/UFRJ Orientador: Fernando Santoro Resumo: O presente trabalho pretende discutir os elementos relativos à amizade que Hesíodo põe em jogo nos versos 342-70 dos Trabalhos e Dias, quando aborda o relacionamento com o vizinho, assim como na passagem que aborda o "hetáiros", nos versos 707-13 do mesmo poema. Estes elementos serão comparados com o tradado sobre a amizade que Aristóteles apresenta nos livros VIII e IX da Ética a Nicômaco e posteriormente levados para uma discussão com a leitura de David Konstan, onde se tentará demonstrar que Hesíodo visa algo além de um relacionamento com vista à utilidade A Espera como Condição Humana no Mito de Prometeu Narrado por Hesíodo Camila do Espírito Santo Prado de Oliveira, Univ. Fed. do Rio de Janeiro Orientador: Jacyntho Lins Brandão Auxílio: CAPES Resumo: O mito de Prometeu aparece na "Teogonia" e em "Os Trabalhos e os Dias", poemas de Hesíodo. As duas versões se complementam. Enquanto na "Teogonia" o enfoque está no engano a que Prometeu pretende submeter Zeus, em "Os Trabalhos e os Dias" o enfoque está no castigo de Zeus, a criação da mulher, e naquilo que esta criação significa para o homem, o que será a questão principal de nosso trabalho. Assim, perguntaremos: qual é a relação entre o engano, o fogo, a mulher, os males, o trabalho e a espera? De que modo cada um destes elementos participa da determinação da condição humana na poesia hesiódica? Ninfas: Nutrizes de Deuses, Sátiros e Homens Graduando Vanessa Ribeiro Brandão, UFMG Orientador: Tereza Virgínia Barbosa Auxílio: CNPq Resumo: As ninfas, segundo o imaginário grego, são seres considerados esdrúxulos devido à sua condição híbrida: não são deusas nem mortais, mas divindades com alguns traços humanos e animalescos, geralmente femininos, eternamente jovens. Podem ser tanto gentis e graciosas quanto perigosas e assustadoras. Essas características antropomórficas das ninfas são a personificação da natureza, do campo, do espaço geográfico que oculta mistérios e prazeres, maravilhas e prodígios. Essas entidades podem ser personagens de dramas-satíricos, como parceiras sexuais dos sátiros, mas assumem, principalmente, o papel de nutrizes e babás de bebês deuses, como Dioniso e Hermes. Assim, neste trabalho observaremos a função e a natureza dessas deidades através dos hinos homéricos dedicados a deuses que a tiveram como cuidadoras. Recepção da poesia homérica em "Íon", de Platão Orientador: Anastácio Borges de Araújo Júnior Auxílio: Propesq - UFPE. PIBIC (Capes/CNPq) Resumo: Platão é apresentado, em inúmeros manuais de Filosofia, como crítico contumaz da Poesia, por apontar a mesma como uma imitação falsificadora da realidade, um simulacro daquela. Com efeito, Platão coloca que o poeta, por estar sob efeito de uma possessão divina, não possui qualquer controle sob a produção da obra. A grande crítica feita por Platão aos poetas não nos passa despercebida. É evidente que, pela forma que o filósofo encara o fazer poesia – um ato não da potência humana, mas sim da vontade e manifestação divina – coloca à prova a capacidade da poesia, formar e educar os habitantes da pólis. Se o poeta não possui domínio sobre o que fala, canta ou escreve, como pode educar? A filosofia, talvez, surge aqui como nova pretendente a tarefa pedagógica. É esta problemática que pretendemos averiguar em nosso trabalho de investigação. Monitores:
Sessão CI16 :: 16h00-17h30 :: Aud. Filosofia Coordenador: Gustavo Araújo de Freitas Acerca do Institutio de Nomine et Pronomine et Verbo de Prisciano Luana de Conto, UFPR/PG-Letras Orientador: Rodrigo Tadeu Gonçalves Auxílio: UFPR/TN Resumo: Este trabalho trata da obra Institutio de Nomine et Pronomine et Verbo do gramático Prisciano (séc. V). Nesta obra, menor em tamanho e em notabilidade que as Intutiones Grammaticae, o autor desenvolve um trabalho descritivo da língua latina no que concerne a estes três tópicos: morfologia dos substantivos, dos pronomes e dos verbos. Do resultado desta análise detalhada emerge uma noção de morfologia um tanto distinta da que conhecemos atualmente. Pode-se dizer que o processo que ele utiliza esteja baseado na noção que também conhecemos por item-arranjo, no entanto o seu modo de constituir novas palavras a partir de palavras já flexionadas por conversão de desinências pode ser considerado lacunar. Em paralelo à análise dos métodos do gramático, será exposto um projeto de tradução deste livro, que já está em andamento, elencando alguns dos problemas que a tradução de textos como esse, especializado e antigo, podem suscitar. As cartas e o discurso figurado: receitas de amizade e dissimulação em “Sobre o Estilo” de Demétrio Orientador: Jacyntho José Lins Brandão Auxílio: CNPQ Resumo: Mais do que qualquer outro discurso, a carta revela o caráter do escritor, tecendo breves considerações de amizade, por meio de palavras simples ou naturais. Para Demétrio, é preciso que tenha do estilo gracioso e do simples. Ela aproxima-se do diálogo, com a diferença de que deve ser mais trabalhada. Em contrapartida, o discurso figurado revela-se como um artifício de dissimulação. Deve ser usado quando a expressão direta parecer inconveniente ou, mesmo, oferecer algum risco, como no caso de pessoas poderosas; afinal de contas, o caráter do poderoso demanda um discurso seguro. Cada qual irá modelar o discurso figurado, à sua maneira; nunca é demais lembrar
que o próprio Sócrates já o teria feito. A minha proposta é apresentar esses elementos presentes em Sobre o Estilo de Demétrio, problematizando questões de tradução, e contextualizá-los no conjunto da obra e dos estudos de retórica.
O Sublime, de Longino, e a Estética de Recepção Orientador: Odalice de Castro Silva Resumo: O presente trabalho tem por objetivo traçar um paralelo entre aspectos do Tratado do Sublime (século I, d.C.), de Longino, que compreende o leitor como co-autor da obra literária, e debates sobre a reestruturação da história da Literatura proposta por Hans-Robert Jauss, nos anos 1960. Os pontos de contato e desacordo entre os discursos de Longino e de Jauss dizem respeito a relevantes questões da teoria literária: ao estudo da recepção, à preocupação com a força das imagens poéticas e às suas repercussões no processo receptivo, como a importância do efeito, a validação ou não de "dogmas platonizantes" em arte, e, por fim, a formação estética, ética e social do leitor. O próprio estudo da poética clássica é, então, atualizado, não apenas como um sistema particular e isolado de valores, mas, também, com suas ligações e diferenciações com algumas tendências críticas e historiográficas do século XX. Uma Comparação entre o Vocabulário de Orígenes, de Jerônimo e de Agostinho Referente aos Gêneros Textuais Orientador: Patricia Prata Resumo: Pretende-se apresentar grosso modo os principais termos empregados pelos autores selecionados no que diz respeito ao que se poderia chamar de “gêneros textuais”. Com isso, o que se busca é fazer um exame comparativo entre a terminologia por eles utilizada que permita, a um só tempo, analisar quão ligados estão os autores às nomenclaturas vindas dos saberes ditos seculares, tais como a gramática e a retórica antigas, e investigar brevemente a importância dessas noções na exegese bíblica de tradição greco-romana. Monitores:
Sessão CI19 :: 16h00-17h30 :: Aud. BCZM Coordenador: Matheus Trevizan O Diálogo Varroniano de "De re rustica" II Como Ocasião de Convivência Amistosa Auxílio: FUNDEP e Pós-Lit./ UFMG Resumo: Em “De re rustica” II, como, por sinal, ocorre com as duas outras partes da mesma obra dialógica de fundo agrário, Varrão de Reate enfatizou a amizade (e o prazer da convivência entre amigos!) como um dos aspectos constitutivos da trama ficcional do texto. Isso se revela, na parte da obra que nos interessa presentemente (o livro II), sobretudo nos “entreatos” do diálogo entre personagens como o próprio Varrão e Tito Pompônio Ático, nos quais, desobrigados de “passar conteúdos” técnicos, os interlocutores gracejam, riem-se do atraso dos companheiros e falam descontraídos a todos. O tema deste trabalho, assim, será um olhar para tais “entreatos” evidenciadores dos elos de amizade a unirem os participantes, numa tentativa de delinear o papel desse sentimento em “De re rustica” II. O Imaginário Fantástico nas Comemorações Festivas em Metamorfoses, de Lúcio Apuleio Luciane Munhoz de Omena, Univ. Fed. de Goiás Resumo: Nessa comunicação discutiremos o imaginário fantástico nas comemorações festivas, mas, sobretudo, nos funerais romanos a partir do romance Metamorfoses, de Lúcio Apuleio. Documento situado no século II d.C., é composto por uma narrativa de representação realista, em que o alvo central refere-se a degradação humana, colocando em cena o drama das aflições particulares dos homens. Aflições que se materializam pelo fato de algumas personagens utilizarem a magia para a obtenção de benefícios (e.g. a necromancia praticada por feiticeiras) e, ao mesmo tempo, as angústias são acentuadas pela crença de Apuleio e de seus contemporâneos na eficácia da magia. O que nos viabiliza propor que a necromancia, assim como outras técnicas mágicas, compõem o imaginário social, i.e., a maga não é um mero ser abstrato, mas um ser dotado de vida e causador de temores na sociedade. O riso de Agamemnon, em Satyricon, de Petrônio: um produto linguístico Michelle Bianca Santos Dantas, Univ. Fed. da Paraíba Auxílio: CAPES Resumo: O presente trabalho destina-se a analisar o capítulo XLVI da obra Satyricon, de Petrônio, para perceber o uso do latim vulgar, como caracterizador do personagem Équio, homem humilde, presente no Banquete de Trimálquio. Ao discursar durante o banquete, Équio utiliza verbos depoentes, caracterizadores do Latim Clássico, a fim de mostrar eloquência, mas utiliza-os inadequadamente, promovendo o riso de Agamemnon, exposto no capítulo XLVI. Para atingirmos nosso objetivo, dividimos o estudo em quatro partes. Na primeira, será contextualizada a obra Satyricon em relação ao período de sua produção; em seguida, focar-se-ão a cena XLVI e o contexto em que ela se insere dentro da obra; na terceira, analisaremos o riso de Agamemnon como resultado linguístico, provocado pelo uso inadequado dos depoentes por Équio. E, por último, concluiremos as observações feitas durante o trabalho, as quais demonstram a relevância de debruçarmo-nos diante da produção original, fazendo-nos perceber as nuances do texto clássico, que acabam sendo perdidas nas traduções. Sobre Matronas, Maridos e Amantes: Histórias de Adultério n Resumo: O asno de ouro, ou Metamorfoses, de Apuleio, compõe-se de uma série de histórias curtas que são entrelaçadas à narrativa principal pelo protagonista Lúcio. São episódios de temas variados, grande parte associada à magia. No livro IX, no entanto, Lúcio, ainda metamorfoseado em asno, abre espaço para narrar diversas histórias sobre mulheres adúlteras e tipos de amantes e de maridos traídos. O objetivo do presente trabalho é analisar a função da inclusão desse tema no romance de Apuleio, para além do elemento cômico inerente ao contexto. Monitores:
Sessão CI25 :: 16h00-17h30 :: Sala C1 Coordenador: María Cecilia Colombani “¿Con qué cuenta el jovencito?” Sócrates y una reinvención del cortejo María Cecilia Colombani, Fac. de Humanidades, Univ. de Mar del Plata - sócio da SBEC Resumo: El propósito de la presente comunicación consiste en efectuar una lectura del Alcibíades de Platón a partir de una dimensión erótica y sobre todo de una nueva escritura de la cuestión del cortejo, núcleo dominante de dicha dimensión. Para ello debemos anudar ciertos vínculos como la solidaridad entre eros y política y eros y filosofía, en el marco más general de lo que constituye el problema del “amor a los muchachos” en la polis griega. El segundo desafío consiste en focalizar la cuestión amorosa en el tránsito de una ética común hacia una ética filosófica, donde el desplazamiento del ardor por el cuerpo bello hacia la belleza del alma y el enamoramiento por la verdad, determina la consolidación del vínculo de philia como topos amoroso. La propuesta es transitar el Alcibíades como un ejemplo de la reescritura del cortejo, en la economía general del marco precedente, donde la conducción de Sócrates es un intento de desplazar la hybris inicial del joven mancebo hacia el terreno de la sophrosyne, genuino topos donde puede darse el verdadero amor. La intención socrática es lograr que Alcibíades descubra la necesidad que tiene del maestro, a partir del reconocimiento de su ignorancia. Es precisamente la ignorancia el punto de partida de la conquista socrática porque constituye la plataforma del reconocimiento de la presencia del otro como elemento necesario para la propia formación.
A fábula Vidua et Miles: Apenas Ficção ou Crítica a um Prazer Desmedido? Resumo: Nesta comunicação pretendemos, a partir de uma das fábulas de Fedro, liberto do imperador Otaviano, colocar em questão os limites de suas narrativas consideradas como textos ficcionais. Através do dialogo com indícios em obras de outros escritores do período Julio-Claudiano, propomos que o fabulista teria feito uso de personagens anônimos e dos recursos da linguagem para, mais do que elaborar um simples gênero textual direcionado ao entretenimento, sobretudo, fazer a crítica ao envolvimento e ao posterior relacionamento ocorrido entre Sejano, comandante da Guarda Pretoriana no governo de Tibério, e Lívia, nora deste imperador. Crítica que, argumentamos, teria sido um dos motivos, talvez o principal, de seu exílio da cidade de Roma e da censura sobre seus livros. O Lugar Político do Filósofo: Atopía no Górgias de Platão George Matias de Almeida Júnior, UFMG Auxílio: CNPq Resumo: Apresentaremos o eixo básico e alguns resultados de nossa pesquisa de dissertação de mestrado: "O lugar político do filósofo: estudo sobre a atopía no Górgias de Platão". Estabelecemos um sentido diferente para o não-lugar de Sócrates e da filosofia reconhecido pelos comentadores na obra de Platão, na oposição entre a filosofia e a política. Para isso nos afastamos da idéia de utopia e dos conceitos tradicionais na análise desse problema, evocando o conceito de atopía, a partir de três figuras fundamentais que sintetizam as possibilidades das ocorrências dos termos atopía e átopos-on e dos temas fundamentais do Górgias: a estranheza, a contradição e deslocamento. Essas figuras privilegiadas para ilustrar a falta de lugar do filósofo na cidade e no universo das relações humanas são determinadas a partir de três balizas que pretendem dar conta de algumas questões clássicas desse diálogo em sua tradição interpretativa, especialmente as suas teses éticas paradoxais e o sentimento de perplexidade dos comentadores diante do Górgias: lógica, ético-política e hermenêutica. Ofereceremos uma breve análise dos termos atopía/átopos, do conflito entre o filósofo e a cidade, a relação da política com o tema dos prazeres e do cuidado de si mesmo, além de analisarmos alguns elementos mais chocantes da ética socrático-platônica, a partir da criação da idéia do modo de vida atópico do filósofo. Mostraremos no que essa interpretação permite deslocar a compreensão do Górgias de seus tradicionais lugares-comuns. O Tema do Conhecimento no Alcibíades I de Platão. Orientador: Anastácio Borges de Araújo Júnior Auxílio: Propesq - UFPE. PIBIC (Capes/CNPq) Resumo: O diálogo Alcibíades I tem como personagens Sócrates e Alcibíades, que fazia parte de uma das famílias mais empreendedoras da Atenas clássica e também era dotado de extrema beleza. Sócrates, um apaixonado pelo rapaz, ao perceber que o jovem tinha certas pretensões, decidiu o abordar; Alcibíades não se contentava com o que possuía, ele esperava transformar seu status privilegiado em ação política, em um governo efetivo onde ele próprio atuaria sobre os outros, e é neste momento que nasce a questão da importância de conhecer e cuidar de si. Mas seriam da mesma ordem o conhecimento socrático e o buscado pela hipótese inteligível? Será que é possível conhecer (no sentido epistemológico) o próprio homem? Como é que Platão sugere o autoconhecimento, se o próprio considera inútil buscar alguma verdade no “sensível”? Monitores:
Sessão CI30 :: 16h00-17h30 :: Sala 2H8 Coordenador: Ana Isabel Correia Martins Amicitia Vera & Falsa nas Senteças Senequianas da Collectanea Moralis Philosophiae Ana Isabel Correia Martins, Fac. de Letras da Univ. de Coimbra Orientador: Nair de Nazaré Castro Soares Auxílio: Fundação para a Ciência e Tecnologia Resumo: O dominicano Frei Luís de Granada integra na sua Collectanea Moralis Philosophiae as aspirações morais da uox universalis de um legado clássico. Nesta obra renascentista o autor recolhe as sentenças de autores clássicos, num manancial pedagógico-didáctico. A amicitia vera & falsa é um topoi nas máximas de Séneca e Plutarco. Amor e Prazer em Lucrécio: Alienação como Obstáculo à Ataraxia Resumo: Para Lucrécio, filósofo latino do séc. I a.C., o amor-paixão é um desejo que não se contêm, que nunca põe limites à insensatez, que nada pode delimitar: porque o seu objeto é infinito, incerto; a paixão é dedicada ao malogro. Aí estaria a origem da amargura, o impedimento para uma felicidade sólida e tangível. A voluptas, o prazer em si mesmo, não é algo prejudicial ao corpo-carne e à alma: o que acarreta os males físicos e anímicos do sábio, é a perda da sua autonomia, a sua alienação, obstáculos à produção da ataraxia. O objetivo desta comunicação é comentar os versos 1030-1287 do Livro IV, do De Rerum Natura, expondo a visão epicurista do amor e do prazer. Horácio e Setímio: o Dever e o Prazer da Amizade Auxílio: CAPES Resumo: Em epístola (I. 9) dirigida a Tibério Cláudio Nero, enteado de Augusto, Horácio lhe indica o amigo Setímio, para que este seja integrado à coorte do “futuro César”: com tal carta de recomendação, o poeta cumpre seu “dever de amigo”. Já na ode (II. 6) endereçada, por sua vez, diretamente a Setímio, Horácio prevê, passadas as atribulações, um futuro de descanso para ambos, retirados e juntos numa pacata cidade em meio aos deleites do fim da vida. Observar as minúcias dessa relação de amizade a partir da leitura desses textos é o propósito desta comunicação. Péras y Ápeiron en la Definición Platónica del Placer Ivana Eva Costa, Univ. de Buenos Aires Resumo: Quisiera proponer aquí una discusión sobre el modo en que una cierta incomprensión sobre la relevancia ontológica y cosmológica de la “clasificación ontológica cuádruple” de todo lo que hay en límite, ilimitado, mezcla y causa de la mezcla (que aparece en el Filebo de Platón; especialmente 28c y ss.) ha llevado, en la Antigüedad y en tiempos modernos, a una interpretación sesgada del diálogo, de sus enseñanzas para la “vida buena” y del lugar que le cabe al placer en ella. Para eso procuraré un análisis del papel que juegan los términos péras y ápeiron en este controvertido pasaje de la “clasificación cuádruple” y su valor para los resultados provisionales del Filebo. Monitores:
Sessão CI36 :: 16h00-17h30 :: Sala 2A2 Coordenador: Sandra Rocha Amizade e medo nas teias da persuasão em Tucídides Resumo: Tucídides revela, em momentos da narração que antecedem ou sucedem os discursos, uma percepção aguda do papel das emoções no comportamento dos ouvintes, sugerindo, às vezes, que a persuasão alcançada deve pouco às urdiduras argumentativas do lógos e mais ao estado de ânimo prévio dos ouvintes. Aristóteles, na Retórica (1378ss.), apresenta igualmente uma reflexão atenta acerca das emoções que poderiam ser exploradas pelos oradores para atingirem suas audiências. Nesta comunicação, vou articular o tratamento tucidideano da amizade e do medo como fatores que influenciam a persuasão com a sistematização de Aristóteles, verificando em que medida Tucídides antecipa, ainda que timidamente e de forma indireta, elementos da contribuição aristotélica a esse respeito. Amizade e Relações Humanas em Tucídides Orientador: Daniel Rossi Nunes Lopes Resumo: Esta apresentação buscará comentar o conceito de phília em Tucídides tendo como ponto de partida a oração fúnebre de Péricles, que nos fornece uma descrição idealizada das relações sociais na Atenas democrática. Em seguida, serão discutidas as transformações e distorções pelas quais passam essas relações sociais perante condições adversas, tais como a peste e a stásis. Antifonte e Tucídides: sobre timoría e nómos. Orientador: Sandra Lucia Rodrigues Rocha Resumo: Sabendo que a tradição liga Tucídides a Antífonte, pergunta-se até que ponto uma relação entre ambos pode ser vislumbrada em aspectos distintos dos comumente associados à oratória do período, tendo em vista que hoje há um certo consenso acerca de terem sido Antífonte, o orador, e Antífonte, o sofista, o mesmo indivíduo. Nesse sentido, esta comunicação pretende apresentar algumas respostas para alguns questionamentos a partir da articulação do tema da vingança (timoria) em Antífonte e em Tucídides: Como ela aparece em seus textos? Há dimensões diferenciadas na representação social da vingança do indivíduo e da vingança da polis? Qual é a relação entre timoria e nomos nos dois autores? Que ecos sofísticos podem ser verificados em ambos no que diz respeito a essas noções? Tucídides I,70: a oposição de temperamentos entre o Ateniense e o Espartano. Graduando Rafael Ferreira Monteiro, Univ. Fed. do Ceará - sócio da SBEC Orientador: Ana Maria César Pompeu Resumo: O objetivo da comunicação proposta, tomando como texto-base o capítulo 70 do livro primeiro da História da Guerra do Peloponeso, do historiador grego Tucídides, é traduzir e comentar o trecho escolhido do texto original em grego. Este trecho contém um posicionamento interessante acerca das diferenças de temperamento cararterísticas de ambos os rivais na guerra. Os comentários serão centrados nos seguintes pontos principais: a neutralidade da figura do historiador e seu método; características linguísticas; e a perspectiva histórico-política do período.
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Sessão CI40 :: 16h00-17h30 :: Aud. Geografia Coordenador: Paulo Roberto Souza da Silva A Guerra Civil no De bello Civili de César e no Satyricon de Petrônio Orientador: Mônica Valéria Costa Vitorino Resumo: Pretendemos analisar trechos da obra de César quanto a seu aspecto historiográfico e também o poema sobre a guerra civil que Petrônio insere no Satyricon, como este questiona o De bello civili e escreve o mesmo momento histórico em uma esfera satírica. Através deste trabalho visamos estabelecer as semelhanças e diferenças entre estes dois livros. A Singularidade dos Commentarii de César Orientador: Ana Thereza Basílio Vieira. Auxílio: CAPES Resumo: Toda visão mais séria sobre os Commentarii de Bello Gallico e o Bellum Ciuile põe em questão as várias contradições das obras que remetem para a sua posição anômala dentro da literatura clássica. Trata-se de obras patentemente retóricas, compostas tendo em vistas os princípios da retórica então vigente, que visam justificar o autor e registrar uma visão de si, mas são obras que se pretendem históricas, literárias dentro das concepções acerca da historiografia na Antigüidade, entre elas o princípio de imparcialidade. O enquadramento em gêneros aparece, pois, como ponto de partida e a figura de autor-narrador-personagem demonstrou ser o espaço privilegiado para reconhecer os mecanismos de construção de sentido que César se utiliza para construir uma imagem de si, político por meio de seu desempenho como general e historiador. Imagem da mulher e o poder na Dinastia Júlio-claudiana - 27a.C. - 68 d.C. Orientador: Paulo Martins Resumo: Neste trabalho, será feita a análise das informações historiográficas (de 27 a.C. a 68 d.C.) que comprovem a participação feminina nas relações de poder, atentando-se às funções atribuídas às mulheres dentro dos contextos público e privado. O intuito é pesquisar de maneira mais intrínseca e ampla, todas as informações possíveis que elenquem a significativa influência da mulher junto a seus imperadores, e denotem sua respectiva interferência nas decisões políticas, sociais e econômicas, que vieram a alterar o destino de toda a Roma. Também será realizado um estudo acerca da construção imagética feminina, durante o período Júlio-claudiano, que discursará sobre a intencionalidade inserida em suas exibições, os aspectos considerados relevantes em suas idealizações e as suas principais características. Monitores:
Sessão CI43 :: 16h00-17h30 :: Sala C5 Coordenador: José Otávio Nogueira Guimarães Das "vidas de santos": a excelência de pitágoras e Demônax como biografados. Orientador: Pedro Ipiranga Jr. Auxílio: CNPq Resumo: Fazendo uso de análise dos textos biográficos de Pitágoras e Demônax, escritos por Porfírio e Luciano, respectivamente, propõe-se uma identificação do cenário narrativo que compõe as figuras dos “homens santos” nessas obras. A intenção é a de se traçar um paralelo entre a representação das duas personagens e tratar de como suas trajetórias foram (ou pretende-se que foram) alçadas a um patamar divino de existência, investigando ações, circunstâncias e construções textuais a respeito dos biografados. Também serão tratadas, na análise, as questões da “amizade” e do “prazer” em ambos os discursos biográficos, já que pode-se conjecturar a possibilidade dessas questões assumirem papel importante no que diz respeito à personalidade do “homem santo”. Por fim, será investigado o papel da autoria biográfica, quanto à inventividade e quanto ao uso de fontes determinadas de informação. No jogo do mesmo e do outro: aspectos da antropologia da Grécia de Jean-Pierre Vernant José Otávio Nogueira Guimarães, Depto. História - Univ. de Brasília Resumo: Duas acusações pesaram sobre a antropologia histórica da Grécia antiga de Jean-Pierre Vernant, a partir das duas últimas décadas do século XX. Ambas, curiosamente, partiram de ex-colegas da chamada “escola de Paris”. Marcel Detienne a acusa de haver renunciado à perspectiva comparatista, para se fechar em um culto do mesmo, abandonando o imperativo etnológico de valorização das diferenças para simplesmente “rentrer au village”. Nicole Loraux, por sua vez, a acusa justamente de ter exagerado no imperativo etnológico de valorização das diferenças, o que teria não só esfriado e despolitizado a cidade grega, além de ter colocado o autor de As origens do pensamento grego nos antípodas de um historiográfico “elogio do anacronismo”. O que está em jogo é a própria natureza do projeto vernantiano de antropologização da Grécia antiga. Essa exposição pretende sustentar que tal projeto não despolitizou a cidade, não caiu no culto do mesmo e muito menos recusou o anacronismo.
O dionisíaco na personagem Dean Moriarty em "On The Road", de Jack Kerouac Orientador: Eliane Batista Resumo: Dentre as principais personagens do romance On The Road, Dean Moriarty é a personagem que pode ser considerada o “cabo do acelerador” do enredo dessa obra, marco da geração Beatnik, bem como encontramos na personagem características que a identificam com o mito do deus Dioniso, nas questões relacionadas à alegria, ao erotismo e à bebida. Desta forma, este trabalho tem como objetivo analisar as semelhanças e algumas diferenças que a personagem Dean Moriarty possui com o deus mitológico Dioniso, bem como, destacar as principais características e os idelizadores do movimento Beatnik. O Poeta, a Amada e o Rival – Contributos para um Retrato Jorge Miguel Tomé Gonçalves, Univ. de Aveiro Orientador: Carlos de Miguel Mora Auxílio: FCT Resumo: Quando pensamos em amizade e prazer no Mundo Antigo, vêm-nos à memória vários tipos de textos, desde as obras filosóficas de Cícero até à poesia bucólica, passando pela épica e elegia. De toda esta panóplia, seleccionamos a elegia, mais concretamente a elegia erótica latina. A elegia erótica latina, género textual de existência efémera, tem como tema central o amor nas suas várias facetas e vicissitudes. Com efeito, a maioria dos poemas centra-se na relação amorosa entre uma persona poética e uma puella. Todavia, esta relação é assimétrica e instável, sendo perceptível, em muitos momentos, a figura sempre ameaçadora do rival que obra para a separação dos amantes. É partindo deste pressuposto que com este trabalho pretendemos gizar, em traços gerais, os retratos dos envolvidos neste triângulo amoroso: as personae poéticas, as puellae e os rivais destacando os aspectos coincidentes e divergentes desses retratos nos três elegíacos – Tibulo, Propércio e Ovídio. Monitores:
Sessão CI45 :: 16h00-17h30 :: Sala C6 Coordenador: José Alexandre Ferreira Maia Édipo no espelho e em dois tempos: O Édipo Rei, de Sófocles e o Édipo, de Gianfrancesco Guarnieri Resumo: Esta pesquisa pretende comparar Édipo Rei, de Sófocles, com Édipo, adaptação livre de Gianfrascesco Guanieri. Guarnieri escreveu Édipo para a Rede Globo, em 1975. A partir das inversões empreendidas por Guarnieri, poderíamos definir seu texto como uma paródia da tragédia de Sófocles em momentos cruciais do enredo e por outras vezes um pastiche, levando-se em conta as aproximações e os distanciamentos entre os dois textos. A metáfora do espelho justifica-se porque o texto de Guarnieri representa um Édipo que se reflete em suas inversões, sendo às vezes tão ele próprio em suas diferenças que nos intimida. O espelho implica na existência de dois mundos possíveis: a obra original e a paródia.
Oedipus in the mirror and in two times: The Oedipus the King, of Sophocles and Oedipus, of Gianfrancesco Guarnieri
Abstract. This research aims to compare Oedipus the King of Sophocles, with Oedipus, free adaptation of Gianfrascesco Guanieri. Guarnieri wrote Oedipus for Rede Globo, in 1975. From the reverses undertaken by Guarnieri, we could define his text as a parody of the Sophocles' tragedy (in crucial moments of the plot) and other times a pastiche, taking into account the approaches and the distance between the two texts. The metaphor of the mirror is warranted because the text of Guarnieri represents an Oedipus that is reflected in their reverses, and sometimes as himself in their differences we intimidated. The mirror implies the existence of two possible worlds: the original work and parody. Montesquieu e a Antiguidade Pictórica Resumo: Nosso estudo tem como proposta de analise interpretar os quadros das diversas imagens da Antiguidade que Montesquieu retratou em algumas de suas obras filosóficas e literarias. As obras Temple de Gnide, Cephise et l’amour e Arsase et Ismenie representam o mundo antigo de maneira pictórica e romanesca. Os esboços dessas narrativas pincelam os quadros e as imagens de uma estética literária em que o prazer quase idílico de retratar a Antiguidade se revela numa narração de inspiração mitológica, alegórica ou de prováveis fontes de manuscritos. Montesquieu coloca sobre essa Antiguidade, que passa a ser prosaica e elegante, as matizes da galantaria, dos modelos de amantes, da inconstância, da arte de amar para mostrar uma certa verossimilhança com o mundo moderno. O prazer da leitura se encontra no jogo das paixões, nos cenários teatrais, na diversidade das idéias e dos personagens. O romanesco dessas obras caracteriza-se pelas idéias de variedade, surpresa, contrastes. O paganismo essencial em Ricardo Reis José Alexandre Ferreira Maia, Univ. Fed. de Pernambuco Resumo: O trabalho apresenta uma leitura cotejada do livro de Ricardo Reis, na qual é revelada uma precisa re-elaboração dos esquemas poéticos, empregados por Horácio em sua lírica. O paganismo é concebido por Ricardo Reis como uma idéia naturalmente sua. O imaginário pagão ressurge em seus versos, não como uma evolução do clássico ou dos classicismos a ele associados, mas como se estivesse no próprio poeta enraizado; como se, por ventura, toda sua formação cultural estivesse essencialmente ligada ao mundo pagão romano. Este complexo processo de criação poética, somado ao também inusitado processo de criação heteronímica, confere aos poemas de Ricardo Reis um classicismo "sui generis", cujos princيpios fundamentais e os aspectos distintivos procuraremos analisar. Odisseu “entre mundos” na Odisséia de Nikos Kazantzakis Carolina Donega Bernardes, UNESP Orientador: Marcos Antônio Siscar Auxílio: FAPESP Resumo: A ambivalência do nome Odisseu leva às mais variadas perspectivas de leitura e excita a descoberta dos efeitos que os sentidos de tal nome provocam no poema de Homero e nas representações tardias do herói, num jogo de oscilação entre oposições, entre a identidade e a não-identidade. O nome Odisseu carrega em si possibilidades amplas de significação, o que nos leva a um território labiríntico de enganos e paradoxos. Assim, as diferenças instauradas pelo nome no cruzamento com as ações daquele que deve corresponder a esse nome suscitam uma leitura que analise os elementos das oposições, presentes já em Homero, e a sua reinscrição na Odisséia de Kazantzakis, revelando os efeitos que o confronto das diferenças propaga neste texto. Pretendemos, portanto, confrontar a figura do Odisseu lendário e clássico com o herói da modernidade criado por Kazantzakis. Monitores:
Dia 24, quinta-feira Sessão CI3 :: 14h00-15h30 :: Sala 2F3 Coordenador: Edvanda Bonavina da Rosa Adivinhação e Dialética Trágica no Párodo de Os Persas de Ésquilo Orientador: José Antonio Alves Torrano Auxílio: CAPES Resumo: No párodo de Os Persas, de Ésquilo, encontram-se diferentes formas de sinais divinos – correspondentes a distintos modos de adivinhação conhecidos e praticados pelos gregos antigos –, os quais prenunciam, desde o primeiro verso da tragédia, a notícia da derrota do exército persa em Salamina. Observar, pois, como a presença de tais sinais contribui de forma significativa para a construção da dialética trágica no mais antigo drama supérstite de Ésquilo é o objetivo desta comunicação. La escena de arribo del huésped protector en Suplicantes de Esquilo. Composición al servicio de la tensión y la expectativa María del Pilar Fernández Deagustini, Centro de Estudios Helénicos, Univ. Nac. de La Plata Resumo: Durante todo el tiempo en el que Suplicantes fue considerada una obra temprana, antes del descubrimiento del papiro de Oxyrrinco 2256 fr. 3, fue generalmente tratada como primitiva e inmadura, interesante sólo o principalmente por la evidencia que se pensó que proveía cerca de los orígenes y el desarrollo temprano de la tragedia. Muy pocas veces fue estudiada como un drama en sí mismo. Ahora que la crítica considera unánimemente que pertenece al período de madurez de composición esquilea, resulta decepcionante, sin embargo, que son sus problemas los que continúan preocupando a los eruditos y que muy poco se ha escrito en reconocimiento de su calidad dramática. En el presente trabajo nos proponemos analizar la composición de la escena del arribo de Pelasgo, comprendida entre los versos 234 y 523. En una obra cuya estructura está dada por el acto de súplica, la llegada del huésped protector es objeto de ansiosa expectativa, ya que de este depende la suerte de los suplicantes. En esta tragedia en particular, además, Esquilo ha hecho que el coro mismo, solo, tome la responsabilidad de su caso, de allí la creciente tensión a lo largo de la escena. La presencia del rey de Argos inaugura la segunda parte del acto de súplica: la súplica en el plano de lo humano. En este encuentro inicial, Esquilo explota asombrosamente el uso del tiempo: las referencias al pasado que une a ambos interlocutores, paradigmático e iluminador, al presente incierto que se propone en la circunstancia misma de la súplica y a las posibilidades que se proyectan para el futuro se conjugan para crear la “demora”: la acción dramática es deliberadamente retardada. El propósito de esta comunicación es alcanzar una mejor comprensión de este encuentro inicial entre el coro protagónico y el huésped protector sobre la base de tres diferentes niveles de análisis: el estudio de sus características morfosintácticas, sus tópicos principales y su función en la estructura de la obra, considerando especialmente su composición al servicio de la tensión y la expectativa.
O Páthos em Ésquilo Resumo: Na definição de tragédia apresentada por Aristóteles na Poética, um dos elementos refere-se à característica do gênero, que é suscitar a compaixão e o terror. Esse efeito deve ser obtido pela estruturação do mýthos, sendo o patético uma de suas partes constitutivas. Vários são os estudiosos que procuram delimitar o cerne do gênero trágico; destacamos a análise de M. H. da Rocha Pereira, que define a ação trágica como “ação adjetivada pela dor”. Reconhecendo esse aspecto fundamental do gênero trágico e tendo em vista a construção do efeito patético nas obras de Ésquilo, propomo-nos a apresentar análise de suas obras, enfocando as situações e relações humanas que possibilitam o surgimento do páthos, bem como a constituição passional do herói. Serão analisados também aspectos da ação referentes à motivação (dever / querer), decisão e escolha (êthos / daímon; hamartía, áte, hýbris) e realização do ato. Por fim, serão enfocadas as consequências da ação, tanto para o herói quanto para o contexto em que ele se insere. Tradução e Crítica de Testimonia Selecionados da Vida de Eurípides Clara Lacerda Crepaldi, UFBA Orientador: Luciene Lages Silva Resumo: As informações contidas na tradição biográfica antiga, sejam elas reais, verossímeis ou claramente ficcionais, fornecem preciosos subsídios para a interpretação da produção dos poetas clássicos. Apesar de a pesquisa mais recente condenar o uso inadvertido dessas informações, as biografias continuam despertando a curiosidade dos intérpretes modernos. A presente comunicação apresenta os primeiros resultados de um projeto de tradução de testimonia selecionados da vida de Eurípides e tece algumas considerações sobre a influência desses dados biográficos ou pseudo-biográficos na crítica da obra do poeta. Monitores:
Sessão CI31 :: 14h00-15h30 :: Sala 2G5 Coordenador: Luciene Lages Silva Apontamentos sobre uma ecfrasis latente na cena introdutória do romace "Aithiopia", de Heliodoro Frederico Marques Sabino, UFMG Orientador: Teodoro Rennó Assunção Auxílio: Pós-Lit/ UFMG Resumo: A cena introdutória do romance “Aithiopia”, escrito por Heliodoro (IV d.C.), lança o leitor diante de um mistério. Sobre as margens da foz do Nilo, ao longo da boca de Héracles – mesmo local em que, conta Heródoto, Helena recebeu o "phármakon", cujo efeito Górgias considerava equivalente ao da retórica – vê-se um espetáculo incompreensível, protagonizado por uma jovem de beleza caracterizada como "antítheos". Trata-se de Carícleia, descrita com as vestimentas de uma sacerdotisa de Ártemis, confundida com a deusa Ísis e situada sobre um rochedo como Andrômeda, antes de ser salva do mostro marinho por Perseu, conforme conta o mito referente a estes dois heróis, chamado por Luciano de "páthos aithiopikon". Em minha comunicação pretendo mostrar que tanto esta personagem multifacetada, como o cenário em que ela se encontra na introdução das "Aithiopia", são uma ecfrasis latente composta na forma de uma emulação ("zêlos") de várias referências retiradas da tradição grega. Biblioteca de Apolodoro: o Héracles Rememorado Resumo: Essa comunicação pretende apresentar um recorte de um projeto de pesquisa de Tradução comentada da Biblioteca de Apolodoro. Apesar da imprecisão com relação à data da composição da obra e das dúvidas acerca de sua autoria, a Biblioteca é um texto de referência extremamente importante, não só pelo conjunto de lendas e mitos catalogados ali, mas também pela referência às obras de mitógrafos que lhe serviram de fonte e dos quais não temos sequer fragmentos. De certo modo, a Biblioteca revive, reafirma certos mitos e autores, dedica-se, entre outras coisas, à rememoração de nomes célebres. Para essa comunicação, centramo-nos no Livro II com o intuito de apresentar um primeiro mapeamento desse exercício de rememoração do qual se serve Apolodoro. O livro II apresenta uma versão completa da mitografia de Héracles, filho de Zeus. Dado importante, visto que as narrativas acerca do herói estão presentes na literatura grega de modo insistente, mas sempre fragmentado. Leandro e Hero: Fortuna e Infortúnios Amorosos Milton Marques Júnior, Univ. Fed. da Paraíba - sócio da SBEC Resumo: Poema grego tardio, século V da nossa era, Leandro e Hero é, embora numa forma épica, um poema amoroso envolvendo dois jovens amantes. As dificuldades próprias do amor são a motivação para que eles se envolvam num amor clandestino que põe à prova a resistência de Leandro, atravessando a nado, todos os dias o Helesponto, para ver a amada. A fortuna do amor leva os amantes ao infortúnio. A morte do amado, tragado pelas ondas, leva a amada ao suicídio, numa antecipação das atitudes exacerbadas do Romantismo do século XIX.
O autômato e o monstro em Creta Orientador: Tereza Virgínia R. Barbosa Resumo: A experiência do monstro autômato traz à tona horror e piedade, pois nos colocamos diante do arquétipo da falta e da falha humana, que são congruentes com o nosso próprio mal, que tem prazer em dominá-lo ou, ainda, em exterminá-lo. Isso se realiza na figura mitológica de Talos, o homem de bronze da Ilha de Creta. A inscrição da fraqueza no corpo condiciona a criatura ao criador, tornando-a vulnerável. Assim, sua vida ou morte é designada pela vontade do outro. Assombrosamente, o que conhece o segredo da vida da criatura – que no caso de Talos era o cravo no tornozelo -pode domá-la, subjugá-la e destruí-la de acordo com seus interesses. Em outras palavras, é o mesmo que dizer que o monstro quando considerado útil tem sua existência justificada. Contudo, quando exterminado, ele não passa de substância material que pode ser remodelada em um jogo de brincar com o Universo.
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Sessão CI22 :: 14h00-15h30 :: Aud. Geografia Coordenador: Loraine de Fátima Oliveira O Demiurgo e o Modelo (Timeu 30c4 ss.) Conforme Proclo e Schelling Edrisi de Araújo Fernandes, PIDFIL-UFRN Orientador: Juan Adolfo Bonaccini Resumo: Que diferença teria Platão revelado entre o Demiurgo e o Modelo quando investigou a questão sobre “à semelhança de quais dos viventes o Demiurgo fabricou o mundo?”. Conforme Schelling no seu Timaeus, quando Platão fala do mundo como “um Vivente dotado de Alma dotada de Intelecto” estaria falando de duas instâncias da Alma do Mundo: o Demiurgo reuniu o Intelecto à Alma do Mundo originária, e depois essa Alma, agora racional, à matéria. Extrapolando esse argumento mediante raciocínio extraído do Comentário ao Timeu de Proclo inferimos que, ao reunir o Intelecto à Alma do Mundo (originária) “sob um modo inteligível (noêtôs)”, o Demiurgo cria um Vivente inteligível distinto de si “sob um modo intelectivo (noêrôs)” e que alojaria as Formas imanentes qual “matéria inteligível” a partir da qual são modelados os entes sensíveis. Analisamos a questão dos “dois tipos de matéria” que a partir daí se desdobra. Os Prazeres do Belo em Plotino Resumo: Na Enéada I, 6 [1], Plotino descreve as emoções proporcionadas pela visão do belo inteligível: uma admiração, um doce estupor, uma aspiração, um desejo, um amor, uma perturbação com prazer. Segundo ele, o prazer proporcionado pelas belezas superiores é puro e é muito mais intenso que aquele produzido diante da visão das belezas sensíveis. Em contraste, Plotino menciona os prazeres impuros, que inicialmente parecem ter por alvo a beleza de seres mortais. Mas, logo a seguir, no campo dos prazeres impuros, se encontram os prazeres da feiúra. O presente estudo tem por escopo investigar os prazeres do belo sensível e do belo inteligível, no âmbito estrito do referido tratado. Com tal intuito, investiga-se especialmente, o que define os conceitos de pureza e de impureza, aplicados ao prazer. Patér Kaì Poietés: Numenio y la Interpretación de Timeo 28c3. Gabriela Fernanda Müller, FFyL UBA - CONICET Orientador: María Isabel Santa Cruz Resumo: En el célebre pasaje Timeo 28c3-5 leemos: “Descubrir al hacedor y padre de este universo es difícil, pero, una vez descubierto, comunicárselo a todos es imposible.” En el presente trabajo nos proponemos indagar la peculiar interpretación que realiza Numenio de estas líneas y el papel que dicha exégesis cumple en la conformación de su sistema metafísico. En este sentido, intentaremos establecer los motivos que llevan a Numenio a invertir los términos del Timeo y a distinguir un primer dios (patér) de un segundo dios (poietés), identificando a este último con el demiurgo. Para esto analizaremos los fragmentos conservados de su obra Perì tagathoû en los que caracteriza al primer y al segundo dios, procurando poner de manifiesto en qué otros textos platónicos podría basarse esta doctrina y en qué medida ella representa una innovación en la historia de la interpretación de la filosofía de Platón realizada por los platónicos. Monitores:
Sessão CI27 :: 14h00-15h30 :: Sala C5 Coordenador: Marly de Bari Matos Amicitia: amizade e aliança política na Correspondência ciceroniana Resumo: Entre 58 e 57 a.C., às voltas com as adversidades do exílio e os esforços para retomar a atividade pública na Urbs, o orador Marco Túlio Cícero parece-nos apontar, em sua correspondência, exclusivamente para um limite quase inexistente entre as relações afetivas e alianças políticas no final da república romana. Por outro lado, numa leitura mais apurada, o emprego variado da palavra amicitia e similares como hospitalitas ou societas acena para as diferentes instâncias a que os termos se aplicavam, tendo em vista uma sociedade patronal e elitista em que se inseria o orador. Nesse sentido, esta comunicação tem como finalidade, a partir de um estudo do vocabulário empregado nas cartas ciceronianas desse período e das personagens e circunstâncias históricas ali apresentadas, discutir a atividade política e os vínculos sentimentais no último século de república em Roma. A construção do decoro nos diálogos de Cícero Adriano Scatolin, USP Resumo: Esta comunicação tem por objetivo apresentar a concepção de decoro explicitada por Cícero em diversos passos de suas cartas, diálogos e tratados e a maneira como tal concepção é aplicada na construção de sua obra dialógica. Como exemplificação, serão apresentadas sobretudo passagens do De oratore. Análise da imagem do amigo no "Laelius de amicitia" de Cícero a partir do pensamento de Aristóteles Resumo: O presente estudo propõe uma investigação da concepção ética subjacente à representação da amizade no diálogo Laelius de amicitia de Marco Túlio Cícero e suas possíveis relações com a teoria aristotélica da amizade, exposta na Ética a Nicômaco. Para isso, caracteriza-se a imagem do amigo no diálogo ciceroniano, comparando-a com a que Aristóteles expõe na Retórica. Notas sobre a alimentação no corpus hippocraticum Orientador: Henrique F. Cairus Resumo: A comunicação tem por objetivo discutir a elaboração discursiva de tratados hipocráticos que versam sobre a dieta, principalmente sobre a dieta alimentar. Procura também elencar as práticas adscritas a essa dieta.
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Sessão CI33 :: 14h00-15h30 :: Sala 2E4 Coordenador: José Geraldo Costa Grillo Ânforas Panatenaicas e a Composição do Ethnos de Artesãos Áticos Orientador: Haiganuch Sarian Auxílio: FAPESP Resumo: Esta comunicação tem como objetivo identificar a viabilidade da utilização da documentação material para a compreensão de elementos de coerência e coesão de um grupo numa perspectiva transecular. Trata-se da produção de ânforas panatenaicas, vasos produzidos em oficinas áticas para suprir as demandas da pólis ateniense no contexto da premiação das provas atléticas nas Grandes Panatenéias. A projeção desse evento, de freqüência quadrienal, estendeu-se do século VI a.C. ao IV d.C., e a produção desses vasos acompanhou boa parte desse período, mantendo importantes elementos formais e ornamentais, sendo possível, assim, traçar-se elementos tradicionais na composição do ethnos demiourgikon, mais especificamente, o de ceramistas (kerameus) áticos. Da Sedução a Licenciosidade. Representações do Amor em Roma no Primeiro Século da nossa Era Orientador: Fernando Jose Pinto da Franca Resumo: Ao se analisar a historiografia atual sobre o amor em Roma, por muitas vezes, nos deparamos com uma generalização e um determinismo comum a todos que dissertam suas inúmeras vertentes. O poder do pater famílias, a castidade da mulher que espera por um casamento arranjado, o sexo somente para procriação, o matrimônio se assemelhando a uma transação comercial, o homem que satisfaz seus prazeres com prostitutas, enfim, estas são faces do prisma que fundamenta tais discursos que em si não permitem espaço para relações amorosas. O presente trabalho tem como principal objetivo analisar as representações do amor na literatura romana do primeiro século de nossa era, procurando entender as mudanças na estrutura social que admitiu uma rápida e intensa modificação na moral e nas práticas amorosas, assim como, nas relações entre os sexos que originou uma Roma por muitos desconhecida. N.b. Trabalho desenvolvido em conjunto com Dyego de Vasconcelos Feitosa. Guerra e Sociedade na Iconografia da Partida de Aquiles nos Vasos Áticos dos Séculos VI-V a.C. Orientador: Pedro Paulo Abreu Funari Auxílio: CAPES / FAPESP Resumo: O autor analisa a cena da Partida de Aquiles, de Ftia para Tróia, uma série de quatorze vasos áticos datados entre 550-440 a.C., com a preocupação específica de verificar a relação entre essa iconografia e a sociedade que a produziu. Sua proposta é a de que as representações de cenas da Guerra de Tróia, no seu todo, compõem o imaginário ateniense no que se refere ao tema da guerra, e que essa cena, em particular, mostra envolver, a guerra, toda a sociedade, os que partem para a guerra e os que não partem, permanecendo na cidade. Pompéia: Centro Cultural do Prazer Graduando Laís Luz de Menezes, UFRN Resumo: O objetivo principal deste tema é analisar o cotidiano da sociedade Romana Antiga através da cidade de Pómpéia, utilizando como fonte as pinturas de arfrescos em Pompéia. Pinturas estas, que nos ilustrarão como o romano antigo vislumbrava o sexo no seu cotidiano e como a união e o prazer sexual se igualavam à arte. Os arfrescos de Pompéia nos passam a idéia de como o prazer era encarado, não apenas como momento de prazer, mas sim como momento importante e artístico.
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Sessão CI6 :: 16h00-17h30 :: Aud. BCZM Coordenador: Leonardo Medeiros Vieira Talaergós, khalkeokárdios, skhétlios: Héracles no Idílio XIII de Teócrito Leonardo Medeiros Vieira, Univ. Fed. da Bahia Resumo: Em seu Idílio XIII, Teócrito apresenta uma bela narrativa acerca da deserção de Héracles da expedição argonáutica como conseqüência do desaparecimento de Hilas, seu jovem escudeiro, na costa da Mísia. Tal narrativa, como é típico na poesia alexandrina, é profundamente marcada por sofisticados processos de apropriação e recriação alusivas do patrimônio literário anterior, principalmente daquele referente aos poemas homéricos. Assim, esta comunicação pretende analisar algumas das principais alusões a Homero empregadas pelo poeta helenístico nesse texto, de modo a apontar como elas contribuem para ressaltar o tema da sujeição de Héracles, o rijo (talaergós) herói de coração brônzeo (khalkeokárdios), aos suplícios infligidos pelo poder do amor. Teocritos e a imprecação amorosa no Periodo Helenistico Maria Regina Candido, Univ. do Est. do Rio de Janeiro - sócio da SBEC Resumo: O sentimento de amor e ódio está presente na relação de amizade e prazer da jovem Samantha rejeitada pelo seu amado Delphos descrita na poesia bucólica de Teocritos. Através da relação de desejo não correspondido o poeta nos apresenta os procedimentos mágicos dos defixiones/katádesmoi que visam fazer mal ao inimigo, sendo usado para destruir o ser amado. O poeta traz a memória de seus leitores, no período helenístico, o saber mágico de Circe, Medeia, Calipso, Hecate na ação da protagonista, ação que nos propomos analisar junto ao repertório da imprecação amorosa encontrada no mundo grego. A technopaegnia na Literatura Grega Orientador: Mário Ferreira Auxílio: CNPq Resumo: A technopaegnia na literatura grega Technopaignion é o nome dado à poesia visual na tradição literária grega. Existem seis poemas desse tipo presentes na Antologia Palatina, atribuídos a quatro diferentes autores (Símias de Rodes, Teócrito, Dosíadas e Besantinus) pertencentes ao período helenístico ou posterior. Neste trabalho, apresentaremos os seis poemas a fim de depreender as principais características desse estilo de composição em relação à literatura grega e aos experimentos poéticos do período helenístico. São todo poemas icônicos, ou seja, segundo um arranjo especial das palavras na página, reproduzem visualmente o objeto que abordam. Sua origem é desconhecida, alguns consideram que os poemas estariam ligados à epigrafia, outros que seriam derivados de práticas de magia ou ainda, seriam variedades de grifos, proposições-enigmas bastante difundidas na cultura helenística. Os Epigramas Mímicos da Antologia Palatina (livro 5) Orientador: Maria Celeste Consolin Dezotti Auxílio: FAPESP Resumo: O epigrama helenístico foi marcado pela variedade temática e pela diversidade de tons. Embora constitua peças líricas, cerca de uma dezena de epigramas eróticos do livro 5 da Antologia Palatina possui qualidades marcadamente dramáticas, em particular ligadas ao Mimo - esta espécie de teatro ligeiro, conhecida e cultivada na Helenística - e à Comédia Nova. Desse conjunto de epigramas mímicos, destacaremos dois temas em particular: os preparativos para um banquete são o tema de três poemas, cuja linguagem, plena de vivacidade, revela-nos os momentos prévios de um encontro erótico; e os flertes entre um pretendente e uma cortesã, numa rua qualquer, com ou sem êxito, tema de outros três poemas. Nosso objetivo é salientar as qualidades dramáticas dos poemas seletos e apresentar aos participantes ouvintes as traduções de alguns casos. Entre os poetas helenísticos a serem mencionados estão Asclepíades de Samos, Posidipo de Pela, Filodemo de Gádara, entre outros. Monitores:
Sessão CI17 :: 16h00-17h30 :: Sala C1 Coordenador: Márcia Regina de Faria da Silva Comentário à Divisão da doutrina dos Status Exposta na Arte Retórica de Fortunaciano (séc. IV d.C) Orientador: Marcos Martinho dos Santos Auxílio: CAPES Resumo: Nesta comunicação, pretendo comentar a divisão da doutrina dos estados de causa racionais e legais exposta por Consulto Fortunaciano em sua Arte retórica (séc. IV d. C.), obra de caráter manual, composta provavelmente para uso escolástico, que apresenta uma sistematização de preceitos retóricos que, de forma geral, reúne doutrinas de variadas escolas greco-latinas, como aquelas encontradas em Hermágoras de Temnos, Hermógenes de Tarso, Cícero e Quintiliano, e cujas definições se aproximam muito daquelas expostas por outros escritores de retórica, ou artígrafos, mais ou menos contemporâneos de Fortunaciano, como a de Júlio Vitor (c. séc. IV d. C.), Marciano Capela (séc. V d. C.) e Sulpício Vitor (c. IV d. C.), que ensinam preceitos de retórica principalmente judiciária. Mens. Manet: Identidade e “Outridade” nas Metamorfoses de Ovídio Orientador: Ingeborg Braren Resumo: Ovídio declara, nas Metamorfoses, que irá narrar as mudanças das formas, mutatas formas (Met. I,1), o que determinará o surgimento de novos corpos: noua corpora (Met. I,1-2), todavia sua intenção se dirige aos deuses: di... adspirate meis... (Met. I,2-3). Por meio de uma múltipla conjunção de diversas transformações, o poeta latino desenvolve, na obra, a perpétua combinação do que persiste, mens, e do que perece, corpus, correspondendo, assim, ao enunciado do poema: a identidade de um ser transformado se manifesta em uma “outridade”. Pretende-se apresentar, nesta comunicação, um conceito de metamorfose com a finalidade de entender a proposta do poeta e demonstrar que há uma estrutura narrativa original nas Metamorfoses. Como conduta para formular uma conceitualização de metamorfose na obra ovidiana, o trabalho terá como alicerce os estudos de Chcheglóv (1979), Galinsky (1975), Marzolla (1979), Calvino(1993), Tronchet (1998) e Octávio Paz (1982). O Amor de Mirra nas Metamorfoses de Ovídio Gabriela Strafacci Orosco, Univ. Est. de Campinas Orientador: Isabella Tardin Cardoso Auxílio: CNPq Resumo: A presença da deusa romana Vênus, cujo principal atributo é o amor, na obra do poeta romano Públio Nasão Ovídio (43 a.C – 18 d.C.) é notável, quer essa presença seja metonímica (por exemplo, como sinônimo do substantivo "amor"), quer seja como personagem de aventuras e desventuras amorosas. Na breve exposição que se pretende fazer, atentamos para um episódio da obra ovidiana Metamorfoses no qual o poeta narra a história de Mirra (livro X, v. 298-518), a fim de analisar o modo como o prazer e o incesto são representados nesse mito. Mais especificamente, intencionamos delinear a imagem do próprio sentimento amoroso que é construída nesse trecho da obra e a relação dessa representação do amor com a elegia erótica romana. O estudo visa contribuir para uma posterior discussão sobre a concepção do sentimento amoroso que se configura nas referidas obras de Ovídio, em particular a idéia de amor como doença. O Amor e a Amizade na Elegia Latina Resumo: Em Roma, a elegia se desenvolveu como gênero de poesia com
características próprias e bem definidas, diferentemente da Grécia. O
amor era o principal tema abordado pelos poetas elegíacos, que foram
vários, especialmente na época de Augusto, período em que a poesia mais
se desenvolveu, devido à Pax Romana. Houve poetas que escreveram livros
inteiros de elegias como Tibulo, Propércio e Ovídio. O amor, na elegia,
é abordado de várias maneiras: lícito de um homem pela sua esposa,
demonstrando o bem querer (bene uelle) e a amizade que norteiam esse
relacionamento, apresentado por Propércio na ?rainha das elegias?;
ilícito, entre amantes, representando o amor carnal, que, contudo,
constantemente, é visualizado pelo poeta como se fosse lícito,
encontrado em grande número, nos três poetas; e até mesmo o amor que
impulsiona o desfecho trágico para as personagens, como nas Heroides de
Ovídio. Pode-se notar, com isso, que a riqueza temática faz da elegia
latina uma fonte inesgotável de amor e amizade na cultura clássica.
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Sessão CI26 :: 16h00-17h30 :: Sala 2F3 Coordenador: Miguel Pereira Neto A Técnica Mimetiza a Natureza Marina Leonhardt Palmieri, Univ. Fed. de Minas Gerais Orientador: Jacyntho Lins Brandão Auxílio: CNPq Resumo: A afirmação aristotélica segundo a qual a técnica mimetiza a natureza ocorre três vezes no que nos restou da obra do estagirita, duas das quais em Physica II, a outra em Meteorologica IV. Se considerarmos o De Mundo e certos trechos do Protrepticus de Jâmblico como de autoria de Aristóteles, acrescentaríamos mais três (ou quatro, dependendo da edição dos fragmentos do Protrepticus) ocorrências às demais. A comunicação aborda a concepção aristotélica de mimese e visa elucidar o sentido da sentença ‘a técnica mimetiza a natureza’ através de traduções das passagens nas quais ela é apresentada e de comentários às mesmas à luz dos conceitos de técnica e natureza expostos em Physica II e Metaphysica I e V. Relações entre Filósofos de Atenas e Pensadores da Hélade em Platão Miguel Pereira Neto, Univ. Fed. do RIo Grande do Norte Resumo: Proponho tratar as evidencias nos diálogos platônicos, especialmente nos diálogos do Sofista e no Parmênides, das relações de amizade entre diferentes pensadores no mundo helênico. O principal tema a ser tratado e das relações de amizade entre Sócrates, Parmênides e Zenão de Eléia. Procurarei entender como a Filosofia da escola de Eléia se relaciona com o modo socrático e principalmente com o modo platônico. Como ligação entre essa “amizade” que é suposta entre a Escola de Eléia e os Filósofos atenienses, pretende-se falar do significado da hospitalidade na construção do diálogo do Sofista. Um Olhar Schleiermacheriano: as Doutrinas não Escritas Mariana Leme Belchior, Univ. de Brasília Orientador: Gabriele Cornelli Resumo: A comunicação se propõe a investigar cuidadosamente a relação existente entre a inovadora hermenêutica shcleiermacheriana e as interpretações do pensamento platônico dentro do contexto da Escola de Tübingen-Milão. Mediante esta proposta de Schleiermacher, surge no cenário filosófico um novo “paradigma”, que a partir de uma nova compreensão histórica da figura de Platão, o apresenta de duas formas distintas: escritor e professor. Monitores:
Sessão CI13 :: 16h00-17h30 :: Sala 2G5 Coordenador: Fábio da Silva Fortes A ordem das palavras na sentença latina: pontos de interface no discurso metalinguístico antigo Fábio da Silva Fortes, UFRPE Resumo: Marouzeau (1922) introduz a sua obra com a afirmação um tanto categórica, ainda que emblemática, de que "a ordem das palavras em latim é livre, não é indiferente". Considerando a particularidade do discurso metalinguístico antigo, temos como meta, neste trabalho, contemplar, por um lado, as informações no âmbito da retórica (Quintiliano, Institutio oratoria, VIII e IX), da filosofia latina (Sêneca, Epistulas ad Lucilium, 100, 114, 115) e da gramática greco-romana (Prisciano, Institutiones grammaticae, XVI) que embasem e/ou confirmem o relato da filologia clássica acerca da ordem das palavras em latim, representada sobretudo, mas não-exclusivamente, pela obra de Marouzeau (1922, 1949 e 1953) e Meillet (1953). Por outro lado, pretendemos apresentar as idiossincrasias do discurso da metalinguagem nas três perspectivas assinaladas. Gramaticalização de orações matrizes constituídas de predicados com verbos volitivos Resumo: Pretendemos verificar se a vontade expressa nos verbos volitivos implica gramaticalização das orações deles resultantes, promovendo uma junção sintático-semântica entre estes e os verbos que lhes seguem, tendo a pragmática como o caminho da fixação de estruturas. Para isso, faremos um estudo comparativo de textos escritos em latim e em português para observar o uso que vem sendo feito desses verbos ao longo do tempo e verificar se há uma regularidade sintática e semântica nessas construções; e uma regularidade do contexto usado na construção de um novo sentido que se fixou ao longo do tempo. Através da Teoria da Gramaticalização, analisaremos os traços de origem do verbo volitivo pleno em construções, em que este, funcionando como núcleo da oração matriz, se comporta em relação à encaixada como um quase satélite, ao mesmo tempo em que aparece um valor modal de caráter volitivo, projetando na encaixada valores de futuridade e irrealis. O Uso do Alfabeto Latino na Representação de Sons Fricativos nas Primeiras Gramáticas e Tratados de Ortografia da Língua Portuguesa Luciana Mercês Ribeiro, Unesp - Fac. de Ciências e Letras Campus de Araraquara Orientador: Luiz Carlos Cagliari Resumo: As primeiras Gramáticas e Tratados de Ortografia da Língua Portuguesa buscaram no alfabeto latino o ponto de partida para a representação da escrita vernacular. O uso do alfabeto latino não é regular nesses trabalhos iniciais, assim, há diferentes adaptações e acréscimos de novas letras para suprir a escrita de sons que não existiam no latim. Fernão de Oliveira (1536), por exemplo, utilizava “ç” em início de palavra e propôs “α” para a representação da vogal “a” fechada, mas outros autores propuseram outras soluções. Os motivos e os critérios que levaram esses estudiosos a produzir diferentes maneiras de representar a escrita estão presentes nos trabalhos deles. Esses estudos trazem uma reflexão importante sobre certas relações que existiam entre o Latim e a Língua Portuguesa, no âmbito da escrita. Objetiva-se investigar essas relações e reflexões a partir da representação de sons fricativos nas primeiras Gramáticas e Tratados de Ortografia da Língua Portuguesa. Tradução de Textos Técnicos Antigos: Questões Pertinentes Orientador: Marcos Martinho dos Santos Auxílio: CAPES Resumo: A função básica de uma tradução é tornar textos acessíveis para determinado público, geralmente incapaz de ler a língua original. Essa constatação trivial da relação entre tradução e destinatário demanda reflexões sobre dois pontos principais: o gênero do texto em questão e o tipo de leitor em questão. Sobre o primeiro ponto, trata-se aqui de um texto técnico antigo, um manual de gramática do século IV d.C., cuja tradução constitui o objeto de nosso trabalho de mestrado. Por serem os textos técnicos realizações do discurso científico, sua tradução deve respeitar todas as convenções relativas a esses enunciados, especialmente quanto à terminologia. Pretendemos expor nesta comunicação os critérios que utilizamos para a tradução dos termos técnicos, exemplificando-os e relacionando-os, por um lado, com o contexto de uso do termo original e, por outro, com a terminologia moderna compartilhada pelos leitores virtualmente interessados nessa tradução. Monitores:
Sessão CI37 :: 16h00-17h30 :: Aud. Geografia Coordenador: Tatiana Oliveira Ribeiro A Manobra Política da Linguagem na Atenas Democrática Segundo osRelatos de Heródoto e Tucídides Resumo: Em sua obra seminal, "Invenção de Atenas, Nicole Loraux observa que se nos relatos de Heródoto, contemporâneo de Péricles e Sófocles - e, por conseguinte, do apogeu da cultura democrática ateniense -, toda batalha era confiantemente precedida por um debate real como se a discussão fosse desde então a garantia da vitória, em Tucídides, por outro lado, percebe-se o contrário, ou seja, muitas vezes é a contenda de opiniões o fator determinante de uma derrota militar. Desta maneira, a autora entende que nos tempos de Tucídides, “a pólis não mais domina a manobra política da linguagem, que outrora fazia a sua força”. Sobre tal contraposição e o descompasso entre o discurso (lógos) precedente e ação (érgon) posterior, evidente no relato de Tucídides, Pierre Vidal- Naquet comenta: “Uma coisa é falar, outra é realizar. O que se passa no terreno dos fatos não é (não é sempre) o que fora previsto ou planejado" Tendo tais compreensões como pressupostos do presente estudo, procuraremos demonstrar, a partir de uma comparação das obras de Heródoto e Tucídides, o momento histórico no qual o logos deixa de ser instrumento de conciliação para se transformar num foco de dissenso - sintoma de uma cultura mais complexa, onde as formas de compreensão da realidade já haviam atingido um ponto de não-retorno, na medida em que já nos encontramos em uma era de linguagens competitivas, impossibilitando, assim, a construção efetiva do consenso, crença básica sobre a qual havia se firmado o regime democrático ateniense. Luciano sobre Heródoto: perspectivas para o estudo da performance da apódeixis Resumo: A comunicação pretende discutir o lugar do texto de Luciano de Samósata intitulado “Heródoto ou Écio” no estudo das preleções orais dos historiadores da Grécia Antiga, em especial no que se poderia entender por apodéixeis ou epidéixeis herodotianas. Observações Sobre a Natureza da Relação entre Harmódio e Aristogíton Resumo: Esta comunicação tem por objetivo fazer algumas observações sobre a natureza da relação entre Harmódio e Aristogíton dentro do contexto dos valores e práticas da pederastia ateniense, então vigentes na Atenas do século VI. Para tanto utilizar-se-á de testemunhos historiográficos, poéticos e epigráficos que documentam essa relação e as conseqüências dela advindas. Tentará sobretudo demonstrar que a associação dos dois heróis democráticos ia muito além de uma mera “relação erótica”, em seu sentido anedótico, mas que representava paradigmaticamente valores e práticas associados à pederastia, a qual, por sua natureza societária, se opunha ao caráter abusivo e individualista da tirania, preparando, desse modo, o caminho para o surgimento da democracia ateniense. Por Entre as Teias do Pensamento Helênico: o Mundo de Heródoto Graduando Adjefferson Vieira Alves da Silva, Univ. Fed. de Campina Grande Orientador: Gervácio Batista Aranha Resumo: Esse trabalho não objetiva ‘analises monumentais’ pretende-se antes produzir um movimento no interior da obra Histórias de Heródoto a fim de decompor, na medida de um possível, as partes que forma o todo dessa empresa herodotiana. Nesse sentido, pretende-se a partir dessa empresa tecer as articulações que constitui a grande rede de significações do pensamento helênico no século V e como esse ressoa sobre Heródoto. Para tanto, procuraremos ‘analisar’ esse ‘mundo de Heródoto’, enquanto produto e produtor de pensamento partindo da teia de significados que nos foi legada com a obra Histórias, bem como com a utilização de estudiosos do período tais como: Jean-Pierre Vernant, Moses Finley, e outros, além de teóricos da Hermenêutica histórica como base maior de nosso trabalho os escritos de Paul Ricoeur. Monitores:
Sessão CI44 :: 16h00-17h30 :: Sala C5 Coordenador: Ricardo da Cunha Lima A Presença de Marcial, Ovídio e Virgílio nos Epigramas Renascentistas de Antônio de Gouveia Resumo: O humanista português Antônio de Gouveia participou da Renascença francesa, publicando em Lyon, nos anos de 1539 e 1540, duas obras em latim de poesia epigramática, seguindo o modelo dos autores clássicos. A partir da análise de alguns de seus epigramas e do exame das alusões contidas neles, pretendemos apontar a presença de Marcial, Ovídio e Virgílio nesse exemplar da produção literária neolatina, evidenciando a herança clássica no século XVI. Além disso, aproveitaremos uma característica singular da poesia epigramática gouveiana, que é a publicação de poemas revistos pelo próprio autor, para mostrar de que maneira tais modelos literários direcionavam a composição do texto poético. Música, metro e ritmo: geração de arquivos sonoros a partir de textos clássicos Resumo: Dentre a intensa produção de estudos sobre música na Antiguidade destaca-se um conjunto de simulações de perfis melódicos e rítmicos seja presentes na textualidade de Homero a Aristófanes, seja descritos nos tratados musicológicos e métricos restantes. Nesta comunicação discuto as metodologias de geração desses arquivos sonoros, procurando explicitar seus pressupostos, materiais, técnicas e implicações para a compreensão da cultura musico-performativa que se constituiu tanto em horizonte de comunicação quanto de expressão estética na Hélade. Ao mesmo tempo, apresento alguns experimentos nessas simulações rítmico-melódicas e sua aplicação na composição e performance de obras multidimensionais por mim efetivadas. O influxo do latim dos cristãos na evolução da língua latina Resumo: A língua latina dos cristãos, como língua especial, goza de um estatuto reconhecido, desde os estudos mais antigos. A escola de Nimega, representada pelos estudiosos Joseph Schrijnen e Christine Mohrmann, desde 1930, sistematizou os resultados de pesquisas e formulou uma teoria que considerava o latim dos cristãos como um fenômeno autônomo dentro do quadro da evolução do latim. Mohrmann suavizou a tese de Schrijnen insistindo mais em uma “influência cristã” na língua latina. Contudo, os estudos corroboraram a teoria de Nimega, pois para se falar de língua especial dos cristãos, se exige manter a relação entre língua e cultura. Sendo assim, a língua vai ser um reflexo das atividades culturais de uma comunidade. A língua é uma forma de cultura. Sendo assim, a língua latina dos cristãos funda uma língua de grupo.
Qui Sunt hi Sermones... et Estis Tristes? - Latim e Retórica no Sermão (II) da 1ª Oitava da Páscoa Resumo: Vieira tece seus sermões com a Dispositio das constantes citações latinas que colheu na sua Inventio. Neste Sermão, a epígrafe Qui sunt hi sermones... et estis tristes? Nos autem sperabamus quia ipse redempturus Israel e as Minas “que não se acharam” e, por isso, vós ouvintes estis tristes, desesperançados (nos autem sperabamus) constituem o tema. DE ABSCONDITIS EJUS passa a ser a epìmone deste epidìctico. Como o adverte Davi – de absconditis ejus adimpletum est venter eorum – o castigo dos inimigos seriam as minas descobertas; pela boca de Isaías, a esperança ressurge por aquele que descendit ad inferos: Portas aereas conteram ... et dabo tibi thesauros absconditos et arcana Secretorum. De absconditis, ab inferno inferiori, vem sim a solatio/spes para os tristes discípulos de Emaús e para os desperançados das Minas. Por isso, thesaurizate vobis thesaurum in caelo, o Tesouro que os Discípulos de Emaús esperavam e encontraram ipse redempturus. Monitores:
Sessão CI46 :: 16h00-17h30 :: Sala 2E4 Coordenador: Nilson Adauto da Silva "Alexis" ou o Tratado do Vão Combate: o reflexo dos clássicos em Marguerite Yourcenar Nilson Adauto Guimarães da Silva, Univ. Fed. de Viçosa/UFV Resumo: Yourcenar é conhecida principalmente pelas obras "Memórias de Adriano" e "A Obra em Negro". "Alexis" é igualmente um romance que suscita inúmeras questões de interesse literário. Há nele uma problemática de gêneros, uma forte crítica de padrões sociais estabelecidos mas questionáveis, inúmeras máximas, e uma dramaticidade existencial. Alexis escreve à sua esposa para dizer-lhe o motivo pelo qual a abandona, e o título é uma referência à Virgílio, como o "Corydon" de Gide, em que este toma a defesa do que chama “o amor grego”; as obras se aproximam pela temática e pela referência aos Clássicos. Em "Alexis", esta referência se faz também pelo estilo sóbrio e nele transparece a paixão da autora pelas obras clássicas, a cujo estudo se dedicou desde muito jovem. Este romance original partilha gêneros, temas, problemas e procedimentos pertencentes a uma longa tradição comum à literatura, à filosofia e aos estudos clássicos. A recriação dos Mitos em Perdição: Exercício sobre Antígona, de Hélia Correia Auxílio: FECOP Resumo: Designando o mito como ilógico, porém, fascinante, Burkert afirma que ele “é simultaneamente uma metáfora ao nível da narração. A seriedade e dignidade do mito procedem desta “aplicação”: um complexo de narrativas tradicionais proporciona o meio primário de concatenar experiência e projecto da realidade e de o exprimir em palavras, de o comunicar e dominar, de ligar o presente ao passado e simultaneamente de canalizar as experiências do futuro” (BURKERT, 1991, p.18). Partindo destas colocações, analisaremos o texto dramático Perdição: exercício sobre Antígona (2001), da escritora portuguesa Hélia Correia, considerando sua maneira de reescrita e reatualização de figuras mitológicas e dos mitos da Casa Real de Tebas. O estudo da peça Antígona, de Sófocles, foi de fundamental importância para esta pesquisa, visto que o tragediógrafo grego foi um dos principais responsáveis pela fixação no imaginário coletivo da personagem mítica Antígona, a jovem heroína, a um só tempo frágil e determinada. A ressonância da tragédia grega em "Anjo Negro", de Nelson Rodrigues Resumo: Essa pesquisa pretende apontar as semelhanças e diferenças da obra Anjo Negro, de Nelson Rodrigues em paralelo às tragédias: Medéia, Electra e Hipólito, de Eurípides; Antígona e Electra, de Sófocles. Nelson Rodrigues utiliza os elementos trágicos mais comuns ao gênero e constrói sua própria peça, evidenciado a presença e relevância de Eurípides em seu texto; elencando situações onde a violência, as paixões humanas e os dramas amorosos ocupam o espaço cênico. Na tentativa de alcançarmos nossos objetivos, dividiremos esta reflexão em três segmentos: uma discussão em torno do gênero trágico enfatizando suas características; uma breve indicação das peças que ressoam no contexto da tragédia Anjo Negro e por fim, um crivo comparativo para a identificação dos elementos paródicos presentes na referida peça.
The resonance of greek tragedy in Anjo Negro, of Nelson Rodrigues
Abstract. This research aims to identify the similarities and differences of the piece Anjo Negro, of Nelson Rodrigues in parallel to the tragedy: Medea, Electra and Hipólito of Euripides, Electra and Antigone of Sophocles. Nelson Rodrigues uses the more tragic elements common to the genre and builds their own play, highlighted the presence and relevance of Euripides in his text, listing situations where violence, the human passions and romantic dramas occupy the scenic area. In an attempt to achieve our objetives, we divide this reflection into three segments: a discussion around the gender tragic emphasizing its features, a brief summary of the parts that resonate in the context of the tragedy Anjo Negro and finally, a comparative sieve for identification of the elements parodies in that piece. Édipo-Rei no Sertão: a herança trágica n’As pelejas de Ojuara Orientador: Francisco Jadir Lima Pereira Resumo: O presente trabalho tem por pretensão analisar as características que aproximam a tragédia clássica Édipo-Rei de Sófocles à narrativa contemporânea As Pelejas de Ojuara de Nei Leandro de Castro. Através do estudo comparado, é possível observar o consentimento ou a contestação do hipotexto presente no romance de Castro (2006). Além disso, busca-se entender como se dá a supervivência do mito de Édipo na literatura popular existente no mosaico de narrativas coletadas por Castro. Neste labirinto textual, o herói Ojuara nos conduz para o universo lendário da Literatura de Cordel, com seus ritos, costumes e tradições, a partir do qual se observa a recepção dos mitos gregos, em especial, o do trágico Édipo-Rei. Esta pesquisa toma por arcabouço teórico ARISTÓTELES (V a.C), BRANDÃO (1984), CABRAL (2000), CARVALHAL (1986) PERRONE-MOISÉS (1990), servindo de fulcro para a efetivação deste trabalho. Monitores:
Dia 25, sexta-feira Sessão CI7 :: 14h00-15h30 :: Aud. BCZM Coordenador: Fabrício Possebon Philédés e outros compostos em -édés no grego antigo José Marcos Mariani de Macedo, DLCV-USP Resumo: O trabalho pretende descrever a formação dos adjetivos compostos com segundo membro em -édés, tomando como ponto de partida a inflexão e semântica dos adjetivos e substantivos de temas em -s no grego antigo. Os resultados serão analisados à luz das teorias recentes sobre os neutros sigmáticos em grego e no proto-indo-europeu. Aspecto e o Verbo Grego: Algumas Contribuições da Semântica Formal Orientador: Luiz Carlos Cagliari Auxílio: CNPq Resumo: O aspecto verbal tem sido tema recorrente nos trabalhos em lingüística dos últimos anos. Apresentaremos aqui dados parciais da pesquisa em nível de mestrado, que propõe uma abordagem lingüística de filiação formalista para o verbo grego. O enfoque desta pesquisa recai sobre os traços aspectuais do verbo, para esta comunicação nos concentraremos sobre os traços semânticos expressos pela raiz verbal. Abordaremos o fenômeno segundo a classificação de verbos em categorias aspectuais, proposta por Smith (1991), teoria em que o autor expande a classificação proposta por Vendler (1967), por meio de uma revisão de alguns conceitos fundamentais. Nesta comunicação refletiremos sobre a relevância da teoria de Smith para o calculo do valor aspectual e, conseqüentemente, para a compreensão profunda dos textos gregos. A partir de exemplos de textos antigos pretendemos problematizar a abordagem tradicional do fenômeno e propor uma maneira mais eficiente de tratar o aspecto verbval na língua grega. Palavras Amorosas em Hero e Leandro de Museu Resumo: Proposta de interpretação do poema épico de Museu (V século d.C): Hero e Leandro, tendo como referência o conceito de mito proposto por Mircea Eliade. Leitura de trechos signficativos, traduzidos por nós do grego. As passagens evidenciam a interpretação proposta de que os conceitos fundamentais são vistos como divindades e não como conceitos abstratos. Assim, estão em jogo: a deusa Calíope, a força da palavra, e a deusa Afrodite, a força da beleza, como elementos persuasivos e decisivos para a evolução da trama da narrativa.
Telêmaco e Psístrato: a Importância da Amizade para aFormação do Jovem Herói na Odisseia de Homero Orientador: André Malta Campos Auxílio: CAPES Resumo: Instigado por Atena a empreender uma viagem pelo continente grego em busca de notícias de seu pai, Telêmaco, ao chegar em Pilos acompanhado da deusa, é por ela instado a continuar sua busca por terra até Esparta, agora acompanhado de um jovem de mesma idade que, tendo crescido em condições diversas da do filho de Odisseu, pode lhe servir de guia e exemplo: Psístrato, o mais jovem filho de Nestor. Esse artigo pretende demonstrar a importância da amizade dos jovens para a formação heróica de Telêmaco que, só e desamparado, precisa espelhar-se, primeiro em seu pai e depois em seus iguais, para que possa dar cabo de sua vingança contra os pretendentes que insultam seu oikos e, assim, obter os kléos esthlón prometido pela deusa no início do canto i. Monitores:
Sessão CI14 :: 14h00-15h30 :: Sala C1 Coordenador: Guillermina Bogdan El Rey Evandro en la "Eneida" Guillermina Bogdan, Univ. Nac. de La Plata Orientador: Lía Galán Resumo: Por medio del análisis filológico-literario, nuestro trabajo presentará una serie de observaciones concernientes a la imagen del rey Evandro en la Eneida. En primer lugar, analizaremos la presencia del personaje en el libro VIII destacando su funcionalidad como benefactor – guía del héroe y como continuidad de la imagen de Anquises, consejero de Eneas en la primera parte de la obra. Así también, estudiaremos el paralelismo existente entre las relaciones: Evandro/Palante – Eneas/Anquises. Por otro lado, observaremos, dentro del libro XI, la actitud del héroe destacando el desarrollo de su autoridad al enfrentar al rey Evandro con el cadáver de su hijo.
Os Epítetos de Enéias no Livro I da Eneida Felipe dos Santos Almeida, Univ. Fed. da Paraíba Orientador: Milton Marques Júnior Resumo: O objetivo deste trabalho é expor os estudos desenvolvidos sobre os epítetos de Enéias no Livro I da Eneida de Virgílio. Epítetos têm grande importância dentro das epopéias, e abrangem desde funções mnemônica e métrica até as construções física e psicológica do ponto central deste tipo de narrativa, o herói. Dentro do poema de Virgílio essas funções alcançam dimensões singulares, pois através dos epítetos de Enéias esta obra sintetiza os três pilares fundamentais do mundo romano: Virtus, Pietas e Fides. Os epítetos abordados são Pius, Pater e Magnanimus, pois outros epítetos como Ingens ou Heros só aparecerão posteriormente no poema. Dessa forma, propomos trabalhar como tais elementos são construídos dentro do Livro I da Eneida, considerando a própria língua latina e a base da cultura romana – tradição, religião e virtude. Presagios y magia en Eneida IV Julia Alejandra Bisignano, Univ. Nac. de la Plata (FaHCE) Resumo: En la presente comunicación, nuestro objetivo es analizar la oposición que se establece en el libro IV de la Eneida entre la realidad concreta, que se manifiesta en las emociones y sentimientos de la reina Dido, y la realidad de la magia, que va por el camino de lo irracional pero es tan real como la anterior ya que es un elemento vital en la experiencia del individuo y de la comunidad. Dido es representada como poseída por el amor de Eneas, realiza consultas proféticas y pide el favor de los dioses para propiciar su amor, pero ninguno de estos actos es acertado debido a que predomina su furor y este estado se opone a la efectividad de su magia. Sin embargo las predicciones del infortunio y la invocación al numen vengador sí dan resultado pues están en concordancia con su realidad. Monitores:
Sessão CI23 :: 14h00-15h30 :: Sala 2H8 Coordenador: Anna Christina da Silva Amicus Plato, Magis Amica Veritas. La Función del Examen Crítico de las Doctrinas Precedentes en la Constitución de la Filosofía Aristotélica. Silvana Gabriela Di Camillo, Inst. de Filosofía/Fac. de Filosofía y letras/UBA Orientador: María Isabel Santa Cruz Auxílio: Fac. de Filosofía y Letras / Univ.de Buenos Aires Resumo: Frente al cargo de distorsión por parte de Aristóteles de las doctrinas de sus predecesores, sostendremos que la revisión histórica responde a un enfoque metodológico de indagación filosófica. Creemos que hay en Aristóteles una doble utilización de las opiniones antiguas: por un lado, parte de ellas para identificar las dificultades e incorporar la verdad que pudieran contener; por otro, vuelve sobre ellas, contando con nuevos instrumentos conceptuales, para juzgar sus aciertos y errores. Es este segundo movimiento el que le ha valido la crítica de deformación de las doctrinas precedentes. Nuestra propuesta es que la imposición de términos propios no debe leerse como distorsión, sino como exhibición de su particular solución a los problemas no resueltos por los filósofos
anteriores, y que el examen de los predecesores, y en particular de las doctrinas de su maestro, tiene una importancia fundamental en la constitución misma de la filosofía de Aristóteles.
Liberdade e Ceticismo na Filosofia Grega antiga Resumo: A idéia de liberdade como a conhecemos tem sua origem na Grécia antiga, e suscitou diversas linhas de pensamentos entre os filosófos gregos. Os céticos gregos da antiguidade, por exemplo, representados na figura de Pirro, tinham uma idéia particular de liberdade, que estava relacionada à suspensão do juízo (epokhé) e a imperturbabilidade da alma (ataraxia). Para eles, ser livre é estar desligado de toda e qualquer perturbação. Estas eram oriundas das incertezas e paixões de nossos sentidos. Os homens sofrem, porque são assaltados por duvidas e incertezas quanto o que podemos conhecer ou não, e como conseqüência disso, perdem tanto sua tranqüilidade como sua liberdade. O objetivo desta comunicação é explicar os principais pontos que os céticos na Grécia antiga defendem para se chegar à liberdade através do exercício da epokhe e da ataraxia, fundando com isso, um pensamento original e filosófico sobre o que pode ser conhecido. O Prazer como Norma da Lei da Natureza no Fragmento da Obra "A Verdade" de Antifonte Orientador: Marcelo P. Marques Resumo: Meu ponto de partida para discutir as concepções de prazer, utilidade e justiça apresentadas pelo sofista Antifonte são os dois extensos fragmentos do papiro de Oxyrhyncus descoberto no Egito. O primeiro fragmento foi encontrado no ano de 1915 e o segundo em 1922 ambos tiveram como editores os pesquisadores B. P. Grenfell e A. S. Hunt, que atribuíram os fragmentos à obra de Antifonte intitulada A Verdade, cuja data de composição não ultrapassa o ano de 430 a.C. Esses papiros representam o maior fragmento filosófico de toda a primeira sofística e pela audácia da tese discutida coloca em jogo o problema das leis na sua relação com a moral. Podemos dizer que, da época de Antifonte até a época de Sócrates e Platão esse problema encontra um fértil desdobramento especulativo não só nos domínios da filosofia, mas também na literatura Platão e a Sofística: heranças e críticas do pensamento platônico em relação aos sofistas. Resumo: Pretende-se tratar da relação intelectual que Platão traça em seus diálogos com os sofistas e como Platão nos passa o movimento sofístico da sua época. Procurar entender o movimento sofístico em suas importâncias para o pensamento grego e as “apropriações” que Platão emprega desses pensamentos, assim como a validade das teorias dos sofistas. Pensar a Retórica como campo de saber que tem contribuições claras para a história do pensamento, embasado em autores que revisitam os conceitos em Platão para compreender o modo como o sofista foi representado, dentre eles especialmente G. B. Kerferd e Barbara Cassin. Pautando-se a discussão nesses termos, entender os elementos que motivam a disputa entre os filósofos que vamos chamar de platônicos e os pensadores conhecidos por sofistas. Monitores:
Sessão CI28 :: 14h00-15h30 :: Sala 2D2 Coordenador: Luizir de Oliveira A Descrição das Sensações Físicas do Amor no fr. 31 LP, de Safo, e no Hipólito, de Eurípides. Graduando Marina Pelluci Duarte Mortoza, UFMG Orientador: Antônio Orlando de Oliveira Dourado Lopes Resumo: O poema 31 LP, de Safo de Lesbos (VII-VI a.C.), e a tragédia Hipólito (data da apresentação: 428 a.C.; que venceu o primeiro lugar no concurso em Atenas), de Eurípides, são talvez as duas obras da poesia grega que descrevem com maior intensidade a história de uma paixão não correspondida. Proponho um estudo comparativo dessas duas obras, com ênfase especial no vocabulário relativo a descrição física da paixão amorosa. A pesquisa compreenderá um estudo introdutório sobre o tema do amor na literatura grega, bem como traduções das obras estudadas, além de comentários as edições e as traduções existentes. O Conceito de Amicitia na Obra do Filósofo Sêneca Orientador: Paulo Sérgio de Vasconcellos Auxílio: CNPq Resumo: A vida retirada, assunto tematizado em obras do filósofo Sêneca (4 a.C - 65 d.C.), parece convergir com o processo de "interiorização" do sentido de conceitos que, na época republicana, encontravam-se de início vinculados à esfera política. Quaisquer que tenham sido suas causas, nosso interesse será verificar como tal interiorização se reflete na reconstrução que Sêneca apresenta para determinados conceitos importantes para a sociedade romana de sua época. Nesse sentido, a presente comunicação pretende mostrar como a noção de amicitia se apresenta e se articula em alguns escritos de Sêneca, compostos durante o Império Romano.
O Prazer do Cuidado de si: Sêneca e o Ócio Criativo Resumo: O modo como os homens conduzem suas vidas em meio às atribulações cotidianas, deixando-se levar por um sem-número de atividades que, em vez de lhes trazerem satisfação, acabam por torná-los ainda mais afastados de si mesmos, segue sendo uma preocupação no mundo “pós-moderno”. Contrariamente ao fast living, reforça-se uma atitude slow down, não como um mero afastamento sistemático dos afazeres cotidianos, mas como um modo de vida que procure ressaltar a importância de se dedicar ao otium: uma vida quantitativamente menos atribulada, mas sobretudo qualitativamente mais gratificante. Ocupar-se consigo mesmo constitui a base mesma do cura sui, porque cuidar de si requer um distanciamento dos apelos da exterioridade, como bem nos mostra Sêneca em De otio. Resgatá-lo pode nos mostrar que o diálogo com o pensamento antigo segue sendo muito proveitoso: ensina-nos como nos conduzir através das dificuldades cotidianas a fim de se alcançar um autodomínio que possibilite um estado de consciência tranqüilo. Prazer e virtude do "De uita beata" de Sêneca Orientador: Isabella Tardin Cardoso Auxílio: CAPES Resumo: O diálogo "De uita beata", de Lúcio Aneu Sêneca (4 a.C. - 65 d.C.) trata, como sugere o título, da felicidade. A forma de exposição adotada pelo cordobês é intrigante: ele discorre, ao longo de grande parte do texto, contra o vínculo estabelecido entre "prazer" e "felicidade". Para tanto, sua argumentação percorre a doutrina epicurista e, de certa forma, revela sua opinião sobre conceitos tradicionais da filosofia estóica, bem com sobre fatos corriqueiros como riqueza, amizade, cultura e sociedade, se tornando uma valiosa fonte de informações acerca de tais temas. Monitores:
Sessão CI34 :: 14h00-15h30 :: Aud. Consequinho Coordenador: Maria Aparecida de Oliveira Silva Ana Perena : suas festas e rituais pagãos nos Fastos III, de Ovídio Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar as festas e os rituais pagãos dedicados à deusa Ana Perena registrados na obra Os Fastos, Livro III de Ovídio, escritor latino do século de Augusto. Entre a Amizade e a Bajulação: a Ambiguidade da Aparência em Plutarco Superv. pós-dout.: M. Celeste C. Dezotti Resumo: Embora reprovável e contrário aos preceitos divinos, o comportamento do bajulador responde, na visão plutarquiana, à necessidade do outro de ser exaltado por seus atos. O objetivo desta comunicação é, visto que o excesso de amor próprio é terreno fértil para o brotar da semente bajulatória, discorrer sobre essa ambiguidade da aparência contida na amizade. Entre a Amizade e o Prazer: o Consumo de Vinho nos Banquetes Romanos Marina Regis Cavicchioli, UNICAMP - sócio da SBEC Resumo: O vinho era ingrediente essencial nos banquetes que serviam de ambiente propício para reuniões de amigos e circunscreviam também o espaço erótico. O vinho era considerado espelho da alma, portanto revelador de sentimentos verdadeiros, mas, por outro lado, era também bebida associada aos jogos amorosos, como nos atestam diversas fontes antigas, da poesia à iconografia . Nesse sentido, nosso objetivo é abordar a presença do vinho na sociedade romana não somente como item fundamental da dieta romana, mas sobretudo como fonte de prazer. Práticas esportivas e philía entre os gregos antigos Resumo: É interessante observar que a prática esportiva entre os helenos possuía uma dinâmica específica que atuava no sentido de propiciar a coesão e integração sociais. No interior dos ginásios, os jovens atletas experimentavam o sentimento de pertencimento à pólis. Dentre os diversos relacionamentos que associam o indivíduo à sociedade políade, e que atuam no sentido de definir o mundo social da pólis se encontrava a constituição de relações de amizade (philía). A nossa proposta será a de analisar a dinâmica das relações de amizade constituídas no espaço dos ginásios gregos do Período Clássico (séculos V e IV a.C.), a partir da articulação entre a documentação escrita e a cultura material. Monitores:
Sessão CI38 :: 14h00-15h30 :: Sala C5 Coordenador: Fábio Faversani As Relações Sociais Presentes nos Rituais Funerários Romano e Cristão do Século II d.C Orientador: Maria Regina Candido Auxílio: FAPERJ Resumo: A presente comunicação tem por foco analisar as relações sociais no ritual fúnebre romano, tendo como objeto as Catacumbas Romanas, pelo fato de compreendermos a morte como um fator de agregação de um determinado grupo social, que no nosso caso específico são os cristãos do século II d.C. Esse elemento de união é representado pelo banquete fúnebre e pela comemoração do aniversário dos mártires. Assim, cotejando as práticas funerárias e o calendário dos mártires de Roma, visamos problematizar as inferências postas por parte dos autores que tratam sobre as Catacumbas Romanas, colocando em oposição as concepções e práticas cristãs e romanas de rito funerário. Para isto, temos como nosso corpus documental o calendário dos mártires elaborado por Valentius , material arqueológico imagético presente nas Catacumbas e o discurso de pesquisadores do século XIX que dissertaram sobre estes cemitérios subterrâneos. História, Verdade e Política nos Anais de Tácito Orientador: Michelly Pereira de Sousa Cordão Resumo: Este trabalho foi fruto de estudos propedêuticos realizados na disciplina Roma: Sociedade e Cultura na época Imperial (2008) sobre a noção de história nos Anais, de Tácito. Historiador que nos chamou a atenção pela maneira como procura se distinguir dos escritores que lhe antecederam, ao afirmar que vai narrar de maneira imparcial os episódios da Roma imperial. Neste sentido, analisamos como Tácito procurou fazer uma historia magistra vitae a partir da construção da memória de acontecimentos até então ocultados por escritores que, segundo ele, escreviam sob a influência do “medo” e do “ódio”. Tácito elabora representações da figura do imperador, dos senadores e do exército romano, colocando-se como um escritor que se propõe a trazer à tona a “verdade” dos acontecimentos que se passam nos bastidores da política. Por fim, consideramos suas intenções enquanto um historiador e homem público que viveu um contexto marcado por instabilidades políticas no Império Romano. O General e o Imperador. Relações de Poder na Luta pela Conquista da Armênia no Período Neroniano Graduando Mariana Alves de Aguiar, UFOP Orientador: Fabio Faversani Resumo: A projeção de Corbulão por intermédio da batalha pela posse da região da Armênia entre os Romanos e os Partos durante o período do Principado de Nero é o tema central de analise desta pesquisa. Os Anais de Tácito servem como fonte fundamental para o estudo dos acontecimentos desse período. A partir desta fonte, procuraremos examinar como se estabeleciam as relações de poder entre um imperador e um general – Nero e Corbulão. Para esta análise precisa-se ter em consideração o fato de ser comum na Roma Imperial alguns generais tornarem-se imperadores, devido, muitas vezes, à gloria que sucedia de alguma batalha vencida anteriormente. No caso, Nero nunca fora militar e não detivera, portanto, muita experiência estratégica de guerras. Corbulão, por sua vez, fora um general um tanto reconhecido pelos seus êxitos em algumas batalhas como a da Germânia. Cabe investigar, em nossa pesquisa, como Nero e Corbulão se comportavam perante esse paradoxo do poder imperial. Saguntum: A diversidade da magia nos defixiones Orientador: Maria Regina Cândido Auxílio: UERJ Resumo: Na Península Ibérica foram encontrados artefatos de chumbo de uma prática mágica de matriz greco-romana, na região da Montaña del Castillo, em Sagunto. Os objetos fazem parte de um corpus de lâminas identificadas como defixiones. O que nos chama atenção em um dos tabletes mágicos é o fato de que o usuário da magia apresenta o desejo de separação entre casais. O estudo deste tema é peculiar e nos apresenta um caso típico de prática mágica, a qual seria conhecida como imprecação amorosa. Em suma almejamos nesta comunicação analisar a lâmina amorosa imprecatória de Sagunto e demonstrar os outros defixiones encontrados na região Monitores:
Sessão CI41 :: 14h00-15h30 :: Aud. Reitoria Coordenador: Magda Guadalupe dos Santos Da Vênus à Medusa: a mulher no conto "D. Benedita", de Machado de Assis Claudia de Fatima Montesini, Univ. Est. Paulista (UNESP) Orientador: Maria Celeste Tommasello Ramos Auxílio: FAPESP Resumo: Com base na metodologia fenomenológica-hermenêutica, tendo como corpus de estudo o conto “D. Benedita: um retrato” da coletânea Papéis avulsos (1882), de Machado de Assis, buscamos elucidar o diálogo intertextual entre esse conto e a Cultura Clássica. Para isso, propomos reflexão acerca do modo como são retomados os valores das histórias mitológicas e as personalidades da Antiguidade Clássica. No corpus em questão, por exemplo, o narrador onisciente faz uma referência direta a duas figuras mitológicas: “Vê que não lhe dou Vênus, também não lhe dou Medusa”. Essa análise faz parte de uma pesquisa que estamos desenvolvendo, em nível de mestrado, na qual buscamos verificar que função o constante diálogo intertextual travado pelo discurso machadiano com a cultura clássica exerce e de que maneira preenche o texto. Para tanto, utilizamos como teorias de base os estudos de Mikhail Bakhtin, Júlia Kristeva e Laurent Jenny. O Mito na Antiguidade e na Pós-modernidade: Algumas Representações das Relações Interpessoais Eliane Batista, Univ. Est. de Maringá- UEM Resumo: Se fizermos, ainda que superficialmente, um levantamento da maioria dos mitos greco-latinos, veremos que a temática principal insere-se nas relações interpessoais de amor, amizade, traição, inveja, poder, entre outras. Marina Colasanti, autora pós-moderna, em suas obras, retomou vários mitos clássicos, revelando um grande interesse de descrever, vivenciar as relações humanas. Nesta perspectiva, este trabalho tem como objetivo verificar a presença de mitos na obra de Marina, bem como destacar a maneira como a autora retoma e reconstrói a temática dos mesmos. Performances Culturais Comparadas: Folcloristas Nacionais e Estudos Clássicos Resumo: Em diversos momentos de seus registros e reflexões sobre culturas tradicionais em situação de performance, Mário de Andrade e Câmara Cascudo se valem de referências à Antiguidade Clássica. Mais que apressadas analogias calcadas em uma formação humanística genérica, a aplicação das modalidades musico-poéticas à descrição e interpretação de eventos performativos possibilita um mútuo esclarecimento de atividades aparentemente dissociadas pelo tempo e métodos de análise. Por um lado, o contexto performativo efetivo das danças tradicionais, por exemplo, auxilia-nos tanto na visualização de práticas corais citadas ou transcritas nos textos restantes da Mousiké, quanto nas implicações metodológicas de se aproximar textualidades e eventos multidisciplinares. Por outro, no detalhe da letra, os folcloristas variam o grau de aplicação dos modelos da Antiguidade aos materiais da cultura tradicionais: ora realça-se uma dignidade atribuída a tais materiais; ora os modelos demonstram os obstáculos metodológicos no estudo de manifestações não reduzidas ou definidas em recursos literários. São os Homens e suas Leis Amigos das Mulheres? Magda Guadalupe dos Santos, Pontifícia Univ. Católica de Minas Gerais Resumo: No livro VIII da Ética a Nicômaco, Aristóteles considera a amizade como “a mais genuína forma de justiça”. Mas, se para o filósofo “a amizade perfeita é a dos homens que são bons e afins na virtude”, como se pensar nas mulheres – em seus desvarios trágicos e cômicos-, como seres passíveis de amizade para com os homens ou para consigo mesmas? Como desconsiderar a distância das mulheres, em vários graus, dos paradigmas masculinos, concernentes à serenidade lógica e a seus atributos normativos, sustentados por e em seus critérios de medida? Nas correlações tópicas de manifestações antropológicas, questionam-se as instâncias de saber, de agir e de medir que permeiam as interpretações dos textos dos Antigos, enquanto referência axiológica para a tarefa hermenêutica da contemporaneidade. Monitores: © 2008-2009 Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos [www.classica.org.br] | ![]() Tabulae
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