Amizade e prazer no Mundo Antigo
XVII Congresso Nacional de Estudos Clássicos
Natal, Brasil, 21 a 25 de setembro de 2009
 
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Conferências
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Conferências de abertura

Dia 21, segunda-feira, 9h30-12h00

LOCAL: Auditório da Reitoria

CA1 - Aud. Reitoria - O Colecionador de Crepúsculos
Maria das Graças de Moraes Augusto, IFCS/ UFRJ - sócio da SBEC
Resumo: Luis da Camara Cascudo foi um dos intérpretes mais argutos dos diferentes níveis em que a “cultura” e a “civilização” se estabelecem no âmbito das “tradições brasileiras”. Nesse sentido, estudou o folclore, a literatura oral, os gestos, as narrativas, a geografia dos mitos, os hábitos, os ritos e os cultos, os alimentos e as bebidas, e em todos esses estudos encontramos as marcas da tradição clássica tanto como ponto de partida ou mesmo como ponto de chegada de suas análises, pois, como sublinhou em diferentes ocasiões, “a literatura clássica me preservou da tirania das idéias”. Partindo da assertiva acima, o objetivo de nosso trabalho é mostrar como, na obra de Camara Cascudo e em sua estrutura hermenêutica de nossas tradições, a cultura greco-romana é um dos elementos formadores para a compreensão da “cultura” e da “civilização” brasileiras.

CA2 - Aud. Reitoria - Eudaemonia, Justice, Friendship: A Famous Difference of Opinion between Plato and Aristotle
Thomas Robinson, University of Toronto
Resumo: At the beginning of Republic 2, Socrates is challenged to prove that, regardless of consequences, good or evil, the just man is invariably 'better off' than the unjust. He accepts the challenge, and I argue that he should not have, since it leads him into a description of justice as a balance of the three parts of soul which lays emphasis on eudaemonia as a state of the organism, while Glaucon and Adeimantus clearly had in mind eudaemonia as a feeling of some sort. The result is an argument which seems to have merit, but risks committing the fallacy of 'ambiguous middle term'. I suggest that Socrates would have done better to ask Glaucon and Adeimantus to rephrase the challenge to compare three men who are each of them indisputably just, but differ significantly in circumstance one from another: a) the wholly just man who is subject to all the pains and torments mentioned by Glaucon and Adeimantus, one of which is the pain of the loss of all friendships, including the friendship of the gods; b) the wholly just man who suffers no such pains, but also lives the 'simple', slightly straitened life of the philosopher-ruler in the Republic; and c) the wholly just man who also suffers no such pains, and in addition enjoys the basic goods, including the possession of friends, mentioned by Aristotle in EN 1. I argue that Plato himself, given his views on the nexus between eudaemonia and justice-as-balance-of-psyche, might well have continued to believe that there is no way of saying that any one of the three just men in question is 'better off' than either of the other two. But the Socrates of history would have said that the latter two are clearly better off than the first, and that of the latter two the man who enjoys the basic goods Aristotle mentions, not least among them being the possession of friends, is the best off of all.

Monitores:


Conferências

Dia 22, terça-feira, 9h30-12h00

LOCAL: Auditório da Reitoria

CO1 - Aud. Reitoria - O prazer de participar, na democracia ateniense
José Antonio Dabdab Trabulsi, UFMG - sócio da SBEC
Resumo: Na cidade grega antiga em geral, e mais ainda na cidade dos Atenienses durante o período da democracia, havia um verdadeiro prazer em participar da vida coletiva, em diversos momentos e lugares. Meu trabalho tem por objetivo mapear tais momentos e lugares, medir o grau de satisfação no ato participativo, tanto do ponto de vista da satisfação psicológica quanto de um desfrute verdadeiramente sensual proveniente do exercício da cidadania. O teatro, a historia, a filosofia, a polêmica política, textos de natureza diversa são uma via de acesso privilegiada para tal percepção, e serão utilizados na exposição.

CO1 - Aud. Reitoria - Regards croisés (éloquence politique, rhétorique, dialectique) sur l’amitié dans l´Athènes du milieu du IVe siècle avant J.-C
Pierre Chiron, Université Paris-Est / Membre senior de l´Institut Universitaire de France
Resumo: L'objectif de la communication proposée est de contextualiser la réflexion d'Aristote (surtout EN VIII 1155 a 3 sq. ; Rhét. II 4 1380 b 34 sq.) sur l'amitié et de la situer parmi les témoignages contemporains les moins exploités sur cette question (essentiellement : Isocrate et le corpus des orateurs attiques, la Rhétorique à Alexandre) afin de détecter et de mesurer certaines des éventuelles conséquences psychologiques et éthiques de la fracture entre philosophie et sophistique. La recherche se focalisera sur
  1. la continuité - ou non - entre les perspectives politique et éthique,
  2. la définition de l'amitié,
  3. l'analyse de l'amitié et la distinction de ses diverses formes,
  4. d'éventuelles prémices ou traces d'une réflexion sur les liens entre amitié et plaisir, ainsi que
  5. sur l'amitié en miroir ou "spéculaire", qui constitue, selon le Stagirite, le moyen d'un progrès en vertu.

Monitores: Kelly Cristina Soares

LOCAL: Auditório da BCZM

CO2 - Aud. BCZM - Eros e philía na Grécia Antiga
Ezio Pellizer, Università di Trieste, Itália
Resumo: Este trabalho versará sobre as relações entre linguagem e política na Grécia antiga, abordando, em especial, a importância da formulação de ideias a respeito das divindades.

CO2 - Aud. BCZM - Prazer e luta na poesia de Arquíloco
Paula da Cunha Corrêa, USP - sócio da SBEC
Resumo: Ao comentar os fragmentos de Arquíloco (119, 125, 191, 192 e 193W), examinaremos como o poeta transfere para o campo da poesia erótica elementos estilísticos que resgata de narrativas marciais, conjugando imagens de amor e guerra.

Monitores:

LOCAL: Anexo B

CO3 - Anexo B - Vt Pictura Rhetorica: Zêuxis e o projeto retórico de Cícero
Paulo Martins, FFLCH-USP
Resumo: Homologias entre o texto verbal e não-verbal são frequentes na Antiquidade Clássica. Simônides de Ceos via Plutarco (A glória dos atenienses, 346 F) teria dito que “a pintura é uma poesia silenciosa e a poesia é uma pintura que fala”. Aristóteles, tanto na Poética, como na Política, estabelece semelhanças entre a pintura e a poesia ao falar da pintura de Páuson, Polignoto, Dionísio e Zêuxis. Horácio tornou canônica a máxima “ut pictura poesis” (AP, 361). Esse trabalho tem a finalidade de discutir a homologia criada por Cícero no Livro II do De Inuentione entre seu projeto de Retórica e a pintura de Zêuxis. Essa discussão parece-nos pertinente, pois, como não temos as pinturas desse, qualquer afirmação que se faça a respeito das questões que a homologia traz à tona nos soa impressionista e pouco cautelosa. Assim, a partir do estabelecimento do tipo e/ou gêneros de pintura produzida por Zêuxis, revisando a cultura material do período e observando as referências textuais acerca de sua pintura, faremos uma nova interpretação sobre esse projeto ciceroniano de juventude.

CO3 - Anexo B - Clemência e Concórdia em Dion Cássio: Discursos de Cícero e Marco Antônio após Assassinato de César
Ana Teresa Marques Gonçalves, UFG - sócio da SBEC
Resumo: Nesta comunicação, propomo-nos a analisar uma pequena parte da obra História Romana de Dion Cássio, Senador Romano nascido em Nicéia na Bitínia, que escreveu seu trabalho durante o período severiano. Trata-se dos discursos proferidos no Senado Republicano por Cícero e Marco Antônio, após o assassinato de Júlio César, em 44 a.C. Nos discursos diôneos é perceptível a importância de se ressaltar as virtudes da clemência e da concórdia na esfera do poder político, refletindo uma preocupação comum a alguns setores durante os governos dos Imperadores Severos.

Monitores:

LOCAL: Auditório da Filosofia

CO4 - Aud. Filosofia - A amizade e as fronteiras sociais no Principado Romano
Fábio Faversani, ICHS – UFOP - sócio da SBEC
Resumo: Nesta apresentação trataremos da relação entre a amicitia e a constituição de fronteiras sociais sob o Principado Romano. Mais precisamente, propomo-nos a discutir qual o papel das relações interpessoais para a constituição de fronteiras sociais que norteariam certos cursos de atuação. Buscaremos destacar os aspectos conflitivos que podem abarcar as relações de amicitia, ainda que os laços de solidariedade estejam na base de sua constituição.

CO4 - Aud. Filosofia - Xênia: hospitalidade, prazer e prestígio entre a elite afro-romana
Regina Maria da Cunha Bustamante, UFRJ - sócio da SBEC
Resumo: Um dos temas decorativos mais recorrentes nos mosaicos da África Romana foi a xênia. Nas sociedades clássicas, este termo estava originalmente relacionado à hospitalidade: era um presente que o proprietário da casa costumava ofertar aos seus hóspedes. De acordo com o arquiteto latino Vitrúvio (De Arch. VI, 7, 4), os pintores passaram a aplicar a palavra xênia “às pinturas em que imitavam aquelas coisas que eram oferecidas aos hóspedes. Deste modo, os pais de famílias, quando hospedados, não se sentiam em terra estranha ao encontrarem nestes aposentos uma discreta liberalidade.” Assim, xênia foi empregada genericamente às numerosas pinturas de naturezas-mortas compostas por frutas, vegetais, caça e outros alimentos, encontradas nas decorações das salas de jantar (triclinia) ou de recepção (oeci), inserindo-se num contexto tanto de honrar os convidados quanto de enfatizar a generosidade do proprietário. Tendo como base modelos pictóricos helênicos, foram elaborados mosaicos de xênia em Pompéia (final do século II e começo do I a.C.) e Roma (século. I a.C.). Introduzido na África Romana, este tipo de representação recebeu, a partir do século II, uma difusão notável. Evidenciam-se, contudo, algumas peculiaridades em relação ao estilo helênico. Selecionamos um destes exemplares de mosaico de xênia, encontrado no triclinium de uma residência particular da cidade de Thysdrus (moderna El Djem na Tunísia) e datado do século III, que atualmente compõe o acervo do Museu do Bardo (Inv. 3197) em Tunis. Abordaremos as significações presentes neste discurso imagético, atentando para suas condições de produção e seu consumo social, fundamentados em seu contexto histórico específico, objetivando apreender a sua complexidade, a sua historicidade cultural.

Monitores:


Dia 23, quarta-feira, 9h30-12h00

LOCAL: Anexo B

CO5 - Anexo B - A amizade na tragédia grega
Filomena Hirata, USP - sócio da SBEC
Resumo: A amizade/philía aparece em diversos textos trágicos e sob formas diversas, tendo consequentemente diferentes significados. Um exemplo do que afirmo está no "Prometeu acorrentado", onde a philía aflora entre três personagens, Prometeu, Io e o Coro que, no início do drama, nem se conheciam e vai se tornando tão forte pelo sofrimento que os identifica que, no final, o coro das Oceânides, decidindo ficar junto do Titã e sofrer com ele, pode ser considerado um dos mais participativos da tragédia grega. Um dos exemplos mais conhecidos de philía é, sem dúvida, o de Orestes e Pílades que são phíloi em várias peças, mas de forma mais marcante em "Orestes" e "Ifigênia em Táurida". Pretendo, neste trabalho, examinar alguns casos de amizade na tragédia, levando em conta os comentários de Aristóteles na "Ética a Nicômaco", assim como os comentários de autores modernos como David Konstan em "Friendship in the Classical World" e Mary Whitlock Blundell em "Helping Friends and Harming Enemies", que nos auxiliam a compreender as nuances do termo philía.

CO5 - Anexo B - Los dos xenia de Filóstrato el Viejo: las naturalezas muertas como “ofrendas de hospitalidad”
Daniel Rinaldi, Universidad Nacional Autónoma de México - sócio da SBEC
Resumo: Filóstrato “el Viejo” (Lemnos, 160/170-Atenas, hacia 246), escritor griego de la “Segunda Sofística”, describe, en sus Cuadros, dos pinturas en las que aparecen dos xenias, dos naturalezas muertas, de las que hace, en sentido moderno, una écfrasis (recuérdese que según los Progymnásmata atribuidos a Hermógenes de Tarso, la écfrasis es un “discurso descriptivo” y que según James A. W. Heffernan, es “la representación verbal de una representación visual”). En estos discursos epidícticos dirigidos a un grupo de jóvenes conjuga el sofista no sólo el ocio y el trabajo pedagógico-sofístico, la paideia sofística, sino también la amistad y el placer. En Grecia eran los xenia pinturas que homenajeaban la hospitalidad y la amistad, a diferencia de las naturalezas muertas modernas que simbolizan la fugacidad de la vida. En la presente comunicación se hace un análisis de dichos textos ecfrásticos y se los relaciona con distintas pinturas de la Antigüedad.

Monitores:

LOCAL: Auditório da BCZM

CO6 - Aud. BCZM - Amitié et plaisir dans les Lettres à Lucilius
Carlos Lévy, Université de Paris-Sorbonne
Resumo: Dans le stoïcisme, le plaisir fait partie des quatre passions négatives dont il faut se débarrasser pour parvenir à la sagesse, et, à la différence de ce qui caractérise le Jardin, l´amitié ne fut jamais un thème majeur de la pensée de l´école fondée par Zénon. Par ailleurs, à l´intérieur de la philosophie romaine, et contrairement à Cicéron, Sénèque ne figure pas parmi les penseurs ayant eu un intérêt particulier pour la théorisation de l´amicitia. En même temps, les Lettres à Lucilius restent comme le modèle insurpassé que l´Antiquité nous a légué dans l´expression de l´amitié philosophique. C´est à ce paradoxe que sera consacrée notre communication à partir d´un constat qui ne semble pas avoir frappé les chercheurs. Dans le corpus des Epistulae, l´amicitia est majoritairement évoquée dans les 35 premières lettres, celles où, dans une démarche de séduction protreptique, Sénèque utilise l´intérêt de Lucilius à l´égard de l´épicurisme, pour l´orienter vers le Portique. En revanche, la voluptas demeure un thème constant de réflexion, d´un bout à l´autre du corpus. Comment interpréter ce décalage ? Notre réponse sera qu´il y a dans les Lettres une conversion de l´amitié, laquelle cesse d´être objet de questionnement à partir du moment où elle devient pratique de vie philosophique, tandis que le plaisir reste un problème dont le philosophe ne peut faire abstraction à aucun moment de sa démarche.

CO6 - Aud. BCZM - Prazer amoroso nas elegias de Tibulo
João Batista Toledo Prado, UNESP - sócio da SBEC
Resumo: Desde a difusão do epicurismo nas camadas cultas da sociedade romana, ao menos para uma parte da intelectualidade de então, o prazer e os esforços para alcançá-lo passou a ser admitido como consubstancial ao homem, o que esbarrou muitas vezes em concepções tradicionais a respeito da conduta moral do cidadão que se quisesse exemplar e observador das condutas prescritas pelo mos maiorum. O amor entendido como prazer inalienável ao ser humano e digno de figurar como material do labor poético foi apresentado já, ao que se sabe, por Catulo e, a partir daí, ganhou força com a geração subseqüente, principalmente a dos poetas elegíacos. A perspectiva de um amor pessoal e subjetivo, conforme é oferecida pela elegia amorosa romana, é, até onde se o tem entendido, um de seus fatores mais marcantes e tem sido, por isso, freqüentemente utilizada para caracterizar sua originalidade em relação aos modelos gregos que procurava emular. Assunto predileto, o amor, seus prazeres e suas dores constituem o tema dominante das elegias de Tibulo e praticamente todos os poemas do Corpus Tibullianum tratam das venturas e desventuras amorosas da persona poética. Este texto procurará confrontar algumas das expressões do prazer amoroso em Tibulo, bem como alguns dos mecanismos poéticos que as controem e sustentam.

Monitores:

LOCAL: Auditório da Reitoria

CO7 - Aud. Reitoria - Uma disciplina sob ataque: o conhecimento histórico e as ameaças céticas
Anderson Zalewski Vargas, UFRGS
Resumo: Na Antiguidade – por conta de suas restrições aos dogmatismos afirmadores do conhecimento indubitável e de suas conseqüentes proposições quanto ao conhecimento e à existência – o ceticismo foi alvo de ira, sarcasmo e zombarias. Em discussões contemporâneas sobre epistemologia histórica, o ceticismo surge, freqüentemente, como ameaçador inimigo. A exposição analisará algumas dessas avaliações tendo como contraponto as críticas ao ceticismo antigo, pirrônico e acadêmico, procurando definir continuidades e deslocamentos de sentido do que parece ser um tradicional debate epistemológico.

CO7 - Aud. Reitoria - Una amistad a través del tiempo: Zenón de Elea y Borges de Buenos Aires
Nestor-Luis Cordero, Université de Rennes 1, Francia
Resumo: Diógenes el Cínico definió la amistad como "una sola alma ubicada en dos cuerpos diferentes" (ap. Juan de Damasco, I,10,10). Esta definición no impide imaginar que los dos cuerpos pueden estar separados en el espacio y en el tiempo; lo esencial, para que sean amigos, es que compartan la misma alma. Si esto es así, podemos afirmar que una estrecha amistad unió a Zenón de Elea, filósofo del siglo V antes de Cristo, y Jorge Luis Borges, escritor-filósofo del siglo XX de nuestra era. El alma que compartieron los llevó a imaginar un nuevo tipo de realidad, liberado del peso inútil del espacio y del tiempo. En ambos amigos, la imposibilidad de racionalizar la noción de infinito fue el virus que contaminó toda concepción de la realidad que suponga parámetros espacio-temporales: cuando la noción de infinito entra en un pensamiento, "estalla y lo mata" (Borges, "La perpetua carrera de Aquiles y la tortuga"). Varios textos de Borges reconocen la deuda que tiene con su amigo Zenón respecto de la construcción de su universo personal; suprimidas las coordenadas espacio-temporales, bien podemos imaginar que Zenón, a su vez, habría podido compartir este juicio de Borges: "Zenón es incontestable, salvo que confesemos la idealidad del espacio y del tiempo" (op.cit.).

Monitores:


Dia 24, quinta-feira, 9h30-12h00

LOCAL: Auditório da BCZM

CO8 - Aud. BCZM - Amicizie omoerotiche nell´Eneide di Virgilio
Sergio Casali, UniRoma II - Tor Vergata - Itália
Resumo: In questo intervento ci si sofferma su alcuni passi nella seconda metà dell´Eneide in cui si parla di relazioni omoerotiche. Oltre a considerare alcuni aspetti dell´amicizia chiaramente erotizzata tra Nisus e Euryalus nel Libro IX, si considerano i seguenti casi di amicizie omosessuali: (i) 10.324-7: Cydon e Clytius (anche Cydon sarebbe stato ucciso, mentre seguiva il giovinetto Clytius da lui amato, se non fossero intervenuti contro Enea i sette figli di Phorcus); (ii) 10.185-97: la storia della disperazione di Cycnus per la morte dell´amato Phaeton; (iii) 12.391-9: l´amore di Apollo per Iapyx. Si discute delle tensioni intertestuali e di genere letterario che la materia amorosa introduce nell´epica.

Monitores:

LOCAL: Anexo B

CO9 - Anexo B - As falas das personagens em Lucano: suas relações entre si e com a voz do narrador
Alessandro Rolim de Moura, UFPR
Resumo: Lucano é conhecido como poeta retórico, entre outras razões, pelo fato de dar às personagens longas e elaboradas falas em discurso direto. Até os anos 70, aproximadamente, a crítica costumava ver esses discursos como excessivamente artificiais, desligados da narrativa e mesmo desprovidos de sentido: sua função seria (quase exclusivamente) causar impacto emocional na passagem em que aparecem e entreter o leitor com sua engenhosidade, sem grandes preocupações com o(s) interlocutor(es) a que se dirigem na estória ou com o contexto mais amplo da obra. Estudos mais recentes têm visto essas falas de outra forma e procurado integrá-las ao resto do poema. Meu trabalho mostra como vários elementos conectam essas falas entre si enquanto réplicas de um diálogo, seja em cenas em que as personagens estão face a face, seja quando as falas aparecem em cenas diferentes. Observam-se também relações desse tipo entre as falas das personagens e o discurso do narrador.

CO9 - Anexo B - O Vocabulário do prazer no Hino Homérico V
Mary de Camargo Neves Lafer, FFLCH-USP - sócio da SBEC
Resumo: Pretendemos repertoriar os vocábulos e as expressões relacionados à noção de prazer no Hino Homérico a Afrodite com a intenção de conceber um "léxico" que seja específico ao universo desta deusa. Partiremos da análise dos versos 56-74, que narram a toilette de Afrodite em seu templo de Pafos, na ilha de Chipre, onde ela passa por elaborados preparativos para o episódio seguinte que apresenta a sedução do mortal Anquises. Iremos recolher esse vocabulário a partir das percepções visual, olfativa, auditiva e tátil. Por fim, examinaremos como se coloca, neste poema, a noção de persuasão.

Monitores:

LOCAL: Auditório da Reitoria

CO10 - Aud. Reitoria - Amore e amicizia nelle elegie di Properzio
Fabio Stok, Univ. di Roma "Tor Vergata"
Resumo: Il riferimento agli amici è ricorrente nei primi tre libri delle Elegie di Properzio, a partire dalla 1, 1 in cui il poeta chiede loro di guarirlo dalla malattia che lo ha colpito, cioè l'amore per Cinzia. Nel I libro l´amicizia conserva una sua autonomia rispetto al rapporto d´amore elegiaco, pur entrando occasionalmente in conflitto con esso, nel momento in cui il poeta sospetta che l´amico possa rivelarsi un rivale. I rapporti amicali evidenziano, nel lirbo una gamma piuttosto ampia, che va da rapporti affettivi basati su scelte di vita diverse, alla solidarietà nella sofferenza dell´amore elegiaca, non immune da desideri voyeristici e da larvato omoerotismo. Nei libri successivi la maggiore esclusività del rapporto elegiaco tende ad eliminare gli spazi del rapporto amicale, sottoposto alla tensione della gelosia ed ammesso solo nei casi di dichiarata opzione omosessale, che salva l´amico dal rischio di diventare un rivale. Nel III libro gli amici tornano ad avere un loro ruolo attivo, quale strumento di superamento dell´amore elegiaco, e di adozione di un diverso ruolo sociale da parte del poeta.

CO10 - Aud. Reitoria - Visages de l´ami dans les Élégies de Properce: images de l´autre et miroirs de soi. Plaisir de la confidence et réflexion poétique
Hélène Casanova-Robin, Université Paris-Sorbonne - Paris IV
Resumo: Plus que tout autre poète augustéen, Properce ménage une place de choix aux "amis", dans ses élégies : destinataires de nombreux poèmes - notamment dans la Monobiblos - ceux-ci apparaissent bien souvent dotés eux-mêmes de compétences poétiques, quand ils n´incarnent pas une éthique tout à fait différente de celle adoptée par le poète, soulignant alors sa singularisation. La relation privilégiée ainsi établie avec ces divers interlocuteurs, se révèle de nature à témoigner des débats littéraires contemporains ; elle procède également d´une introspection personnelle d´un "moi" poétique soumis aux soubresauts de la passion. Oscillant entre altérité et gémellité, le dialogue instauré avec "l´ami" s´inscrit alors toujours dans une écriture de l´émotion, témoignant d´un plaisir sans cesse renouvelé à dépeindre le caractère exceptionnel d´une bien-aimée exaltée pour ses qualités d´enchanteresse et d´inspiratrice, ou à signifier l´option d´un choix de vie particulier. Le plaisir de la confidence, participant du mode de subjectivation mis en place dans l´écriture élégiaque, devient alors mué en plaisir de la mise en acte d´une écriture poétique propre à recomposer une réalité dont les "amis" se trouvent les plus à même de mesurer précisément la transformation. La jubilation de l´écriture, née dans cette recréation du vécu, qui vise à conformer l´objet au désir, n´apparaît jamais si intense que lorsqu´elle s´expose au regard de l´ami.

Monitores:


Dia 25, sexta-feira, 9h30-12h00

LOCAL: Auditório da BCZM

CO11 - Aud. BCZM - Existe uma poética da amizade e do prazer?
Neiva Ferreira Pinto, UFJF - sócio da SBEC
Resumo: Nosso trabalho busca verificar a existência, em textos de poetas romanos, de um quadro figurativo para expressar amizade e prazer, isto é, se se pode falar de uma figurativização recorrente na poesia de Roma, para manifestar esses temas. A comparação de figuras, tomadas como elementos de um dicionário figurativo, pode revelar os procedimentos literários utilizados pelo autor, mas, também, como “fragmentos de ideologia”, o valor atribuído a esses temas, em determinada obra e, até, em determinada época, por exemplo, no século I a. C. Por exemplo, pode revelar a relação que a poesia romana estabelece entre a amizade e o prazer. O objetivo não é uma definição filosófica dos termos, mas verificar como a poesia construiu e codificou uma linguagem sobre a amizade e o prazer.

CO11 - Aud. BCZM - Prazer, sensualidade e erotismo na poesia de Propércio
Zélia de Almeida Cardoso, FFLCH-USP / GTA - sócio da SBEC
Resumo: No Cynthia Monobiblos, o primeiro livro de elegias de Propércio, o poeta se intitula “cantor das paixões dos jovens”. É ele, sem dúvida, o poeta do amor. Dos 92 poemas que compôs, em 73, ou seja, em 80% do textos, Propércio celebra o amor sob seus mais diversos aspectos: amor-sofrimento, amor-escravidão, amor-doença, amor-loucura; amor que é causa de preocupações, temores, ciúmes, desilusões, que gera sentimento de solidão, desperta tendências sado-masoquistas, faz o amante desejar a morte; amor que traz medo e infelicidade, ciúmes, inquietações e desconfiança; que se basta a si mesmo, que é fonte de inspiração poética, que, por corresponder à fides, chega a identificar-se com a amizade, mas que pode significar também, embora mais raramente, momentos de ternura, felicidade, sensualidade, erotismo e prazer. È sobre este último aspecto que nos deteremos nas reflexões que alinhamos.

Monitores:

LOCAL: Auditório da Reitoria

CO12 - Aud. Reitoria - A noção de philía na Antiguidade Grega e a complexidade de seu espetro semântico: apontamentos para uma reflexão sobre amizade e prazer ...
Ordep Serra, UFBA - sócio da SBEC
Resumo: Os sentidos dos termos phílos, philía, philéo e derivados continuam a merecer discussão entre os helenistas, que buscam analisar esse complexo semântico tendo em vista a variedade, nem sempre fácil de advertir, do campo de relações a que concerne. Percebe-se que sua referência ao domínio do parentesco, por exemplo, tem um alcance difuso, envolvendo círculos concêntricos, por assim dizer; ou seja, a forma como phílos freqüentemente se reporta a membros de um grupo consanguíneo próximo (em particular, aos membros “genuínos” de um oîkos) impõe tomar esse uso como indicativo de um padrão de aproximação (e não como um restritivo). O padrão permite expansões que transcendem, por princípio, o círculo em apreço, e assinalando o trânsito entre flutuantes espaços de identidade e alteridade, em que aquela se impõe (com maior ou menor vigor); isso leva a pensar nos empregos de phílos para indicar desde algo como a “amizade formal” até os laços amorosos. Partindo de um breve exame do emprego de phílos na Antígone, de Sófocles, passa-se, depois, a considerar seu uso no arrazoado do diálogo “Banquete”, de Platão; daí se avança para uma meditação sobre o páthos da identidade em face da aliança refletindo sobre testemunhos que estabelecem um discurso ideológico sobre temas como incesto e homossexualismo na Grécia Antiga.

CO12 - Aud. Reitoria - Amitié et compassion: contentement et apaisement
Catherine Collobert, Université d´Ottawa
Resumo: L´amitié et la compassion ont en commun d´être des émotions sociales, mais si la première est accompagnée de plaisir, la seconde est accompagnée de peine, selon Aristote. Il est cependant possible d´éprouver de la compassion pour l´ami. La compassion peut ainsi être à l´occasion produite par l´amitié ou engendrer l´amitié. Nous interrogerons le lien entre compassion et amitié et montrerons qu´en tant qu´émotions, elles sont constituées d´un désir d´agir en vue du bien de l´autre, c´est-à-dire d´un désir altruiste. Nous montrerons que la satisfaction de ce désir produit dans le cas de l´amitié une forme de contentement, et dans le cas de la compassion, une forme d´apaisement. Nous verrons enfin quelle forme de plaisir préside au contentement et à l´apaisement. Nous illustrerons notre propos à travers l´amitié entre Achille et Patrocle et les formes de compassion à l´œuvre dans l´épopée homérique.

Monitores:

LOCAL: Anexo B

CO13 - Anexo B - As epístolas de Sêneca como conversa entre amigos
Marcos Martinho, FFLCH-USP
Resumo: Sêneca pretende que as suas epístolas sejam como uma conversa entre amigos (75, 1), porque, como diz, as epístolas são o único verdadeiro meio de renovar a lembrança e compensar a falta do amigo ausente (40, 1). Daí, por serem “familiares” (38, 1), parte da crítica moderna tomou as epístolas de Sêneca por sinceras, e, por serem “fáceis” (75, 1), julgou-as carentes de elaboração retórica, ou mesmo avessas a esta. Pretendo mostrar, ao contrário, que a elocução negligenciada das epístolas de Sêneca é efeito, e não defeito de elaboração, de modo que a arte epistolar de Sêneca seja, justamente, arte de dissimular a arte.

CO13 - Anexo B - Koinà tà filôn: a amizade pitagórica entre economia, política e cosmologia
Gabriele Cornelli, UnB - sócio da SBEC
Resumo: Platão atribui aos pitagóricos a autoria da celebre expressão koinà tà filôn (tudo em comum entre os amigos). A presente comunicação busca reconstruir a história da tradição do dito à procura dos diversos sentidos da amizade no interior da filosofia pitagórica, partindo do comunismo econômico que devia distinguir a koinonía pitagórica até o sentido cosmológico da amizade como garantia da harmonia entre céu e terra, entre deuses e homens. Emergirá uma imagem do conceito de amizade filosoficamente complexa e literariamente fascinante, grávida de influências sobre o a filosofia antiga posterior.

Monitores:


Conferências de encerramento

Dia 25, sexta-feira, 16h00-18h30

LOCAL: Auditório da Reitoria

CE1 - Aud. Reitoria - As grandes amizades: gregos e citas no díptico de Luciano
Jacyntho Lins Brandão, Univ. Fed. de Minas Gerais - sócio da SBEC
Resumo: Pelo menos desde as referências dos poetas épicos arcaicos Eumelo (fr. 3b, 451, F. 2c) e Hesíodo (fr 150, 15 GH: Skýthas hippemolgoús, “citas que se alimentam de leite de cavalos”), os citas povoaram o imaginário grego, recebendo uma descrição bastante detalhada de seu modo de vida nas Histórias de Heródoto. Em geral, os gregos os veem da perspectiva de uma diferença radical, em vista sobretudo de seu nomadismo, ao mesmo tempo em que reconhecem neles um saber capaz de pôr em xeque os seus próprios costumes, tanto que Anácarsis conta, desde épocas remotas, nas listas dos sete sábios da Grécia. No âmbito dessa tradição e tomando como tema uma virtude cara aos gregos de todas as épocas, a philía, Luciano escreveu o diálogo Tóxaris ou a amizade, em que Mnesipo e o bárbaro que dá nome ao texto disputam, sob a égide de Orestes e Pílades, sobre onde se observam as maiores amizades: entre os gregos ou entre os citas. Neste trabalho analisarei a persistência de motivos relacionados com o modo de vida cita, ressaltando os recursos através dos quais Luciano tanto retoma quanto critica as ideias tradicionais que opõem gregos e bárbaros, através do que parece ser um valor grego por excelência: as grandes amizades.

CE2 - Aud. Reitoria - Charis et amitié
Catherine Darbo-Peschanski, CNRS-France
Resumo: Sur la longue durée, en Grèce, la charis renvoie à l’échange lumineux et plaisant dans lequel viennent s’articuler diversement la réciprocité optique entre le sens de la vue et le sensible visible, ainsi que celles en œuvre dans l’amour, la justice et l’amitié. On étudiera tout particulièrement les formes de cette articulation chez Platon et Aristote.

Monitores:


Conferências especiais

Dia 24, quinta-feira, 17h30
Local: Aud. BCZM

A construção da imagem do professor de Latim no cinema

1. O professor de Latim no cinema
Paulo Sérgio de Vasconcellos, UNICAMP - sócio da SBEC
Resumo: O cinema tem retratado professores de Latim (ou de Latim e Grego) ao longo dos anos. Analisar que imagem é construída nos filmes, que "ethos" é associado ao professor é relevante para que compreendamos a imagem do professor dos clássicos e da própria cultura clássica que os meios de comunicação propagam. Nessa trajetória, indagamos as causas gerais que determinam uma imagem o mais das vezes negativa: certamente, um tipo de didática do passado contribuiu decisamente para a criação de um estereótipo muito resistente: o professor de Latim autoritário, que aterroriza seus alunos com métodos estéreis e posturas humanas sádicas. Esta primeira parte da conferência apresenta trechos de filmes e faz uma análise geral da imagem neles veiculada.

2. O professor de Latim no cinema: análise de uma imagem.
Elaine Cristine Sartorelli, FFLCH - USP - sócio da SBEC
Resumo: Nesta segunda parte da sessão, examina-se, mais analiticamente, o "ethos" que o cinema tem associado ao personagem do professor de Latim. Recorrendo-se à retórica antiga e a teorias como as da Análise do Discurso, busca-se uma resposta para a questão: além da prática didática de certos tempos nos países da Europa, que poderiam justificar a imagem predominantemente negativa, que outros elementos em operação explicariam a persistência dos estereótipos associados ao professor de Latim? De fato, esse personagem nunca é retratado como uma pessoa comum; pelo contrário, é sempre o portador de valores, o mais das vezes negativos. Cumpre, então, indagar as razões desse aspecto intrigante da construção da imagem do professor de Latim no cinema.

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