
Mesas Redondas
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Dia 21, segunda-feira, 14h00-15h30 MR1 - Anexo B - Amizade e ação na filosofia e na literatura Presidente: Prof. Dr. Carolina de Melo Bomfim Araújo1. Toda ação é comum: amizade e justiça na "República" de Platão Auxílio: PPGLM/UFRJ Resumo: O primeiro livro da "República" apresenta a imagem da quadrilha de ladrões, cujas injustiças seriam impossibilitadas se seus componentes fossem injustos uns com os outros, como signo de que o poder da justiça é realizar a concórdia e a amizade, essas últimas entendidas como condições para a ação. Segue daí a indicação de que a injustiça em um só homem se caracteriza como dissidência interna, o que sustenta que é necessário o acordo interno para a ação. A divisão da alma aqui suposta encontra sua definição mais minuciosa no livro IV, onde também encontramos a definição da justiça como realizar o próprio. A hipótese a ser investigada é a da compatibilidade argumentativa entre as duas passagens, especificamente a possibilidade de que a realização do próprio coincida com a concórdia e a amizade e, enfim, que a comunidade da ação possa ser identificada com a justiça na cidade e na alma. 2. Amizade e traição entre homens e deuses: as participações de Apolo e de Atena nas mortes de Pátroclo Auxílio: UFMG Resumo: Subordinada ao planejamento ambíguo e misterioso de Zeus, a participação dos deuses nos acontecimentos humanos na Ilíada se dá de um modo imprevisível para os mortais: ora os deuses os confortam e incentivam, ora os ameaçam e enganam. Além de poderem encolerizar-se, os deuses se valem de expedientes vis para manipular os acontecimentos da guerra de Tróia. Neste estudo, examinarei a participação de Apolo na morte de Pátroclo e a de Atena na de Heitor (Ilíada, XVI, 777-867 e XXII, 90-366, respectivamente), para colocar a pergunta: os deuses homéricos podem ser traiçoeiros?
3. Eros, amizade e desejo no "Fedro" de Platão Auxílio: UFRRJ Resumo: Em um discurso atribuido a Lísias, no início do "Fedro" de Platão, encontramos uma contraposição entre relações de amizade e relações amorosas. Enquanto as primeiras são livres do desejo, as outras dependem dele. Para nos convencer da superioridade da primeira, Lísias apresenta alguns exemplos: a relação com o não-amante segue o “modelo” das relações com os filho, pois, argumenta ele, a ligação entre pais e filhos não se origina no desejo e nem está sob o governo de Eros. Por outro lado, como as relações amorosas, que sofrem intenso influxo do desejo, são mais fortes e intensas, a separação entre desejo e amizade mostra-se inconveniente, por várias razões. A primeira delas refere-se à falta de critério para a escolha dos amantes, a segunda, extrapola a peça de Lísias, mas é vital para a ontologia platônica, a saber, o amigo da sabedoria é um inspirado por Eros e, como tal, deseja.
Monitores: MR3 - Anexo A - Amizade e prazer - variações literárias do tema: Ovídio, Petrônio e Lucano Presidente: Prof. Dr. Claudio Aquati1. Amizade no mundo antigo: as relações interpessoais no "Satíricon", de Petrônio Resumo: Tomando por base o sentimento da amizade, tema deste Congresso, e seus desdobramentos (amor, ódio, paixão, compaixão, piedade entre outros), este trabalho é produto de um estudo acerca da natureza de relações humanas estabelecidas e mantidas no entorno de duas personagens que são pólo de atenção quando de sua interferência na narrativa do Satíricon, de Petrônio: (a) Trimalquião, personagem principal na unidade de que faz parte e que leva seu nome, a Cena Trimalchionis e (b) Encólpio, naturalmente, a personagem principal do romance. Nas mais diversas circunstâncias e situações, assistimos assombrados à descrição de um mundo duríssimo, em que muito raramente têm vez — se é que isso isso acontece, o que é polêmico — sentimentos brandos, edulcorados, algo que se assemelhe a afeto ou solidariedade.
2. Amizade/inimizade na "Farsalia" (II,326-37;V,722-815), de Lucano: enfoques Resumo: No contexto da "Farsalia" de Lucano, nada mais claro ao leitor que o relato da guerra civil e das desgraças consequentes da irreconciabilidade dos interesses de dois inimigos políticos, César e Pompeu. Neste estudo, propõe-se a leitura de excertos do poema (II,326-37;V,722-815), destacando-os como quebra da aparente intenção do poema, identificando neles elementos reversos da animosidade beligerante que impregna o texto inteiro e até caracterizadores não da amizade, simplesmente, mas do amor. O primeiro excerto centra-se na figura de Márcia, mulher de Catão, em versos que, lidos com olhos de hoje, bem podem ser interpretados como resumo de uma surpreendente história de amor; o segundo, fixa um episódio quase final da história de vida de Pompeu, após a derrota em Farsália, naquele momento muito menos um general e muito mais um amante temeroso da sorte futura da mulher amada. As duas passagens, ademais, são amostragens claras de uma inovadora “romancização” das personagens históricas e bem podem representar, também, uma das contribuições de Lucano rumo a novas fórmulas da narrativa, em rompimento com o modelo clássico.
Palavras-chave: Guerra civil; inimizade; amor; Catão; Pompeu.
3. Recepção da poesia erótica latina no séc. XIX: os comentários de Castilho José aos "Amores", de Ovídio Auxílio: FAPESP Resumo: Neste trabalho apresento alguns resultados do Projeto de Pesquisa José Feliciano de Castilho e a tradição clássica no séc. XIX. Procuro oferecer uma análise das anotações sobre o erotismo greco-romano da “Grinalda ovidiana”, um longo comentário aos Amores de Ovídio que foi publicado no Rio de Janeiro no ano de 1858 como anexo à tradução parafrástica do poeta romântico português Antônio Feliciano de Castilho. As eruditas anotações filológico-culturais de Castilho José constituem um documento sólido da presença da literatura erótica latina na cena literária do Segundo Reinado e revelam como o homem do séc. XIX interpretava as manifestações do erotismo presentes nas obras da Antiguidade Clássica. Embora Castilho José redunde muitas vezes no biografismo e em reflexões que chamaríamos hoje de anacrônicas, ele expressa também um conhecimento de cultura clássica e um apuro filológico que merecem ainda um digno reconhecimento.
Monitores: MR6 - Anexo C - Do Prazer e da Amizade entre gregos e mesopotâmicos Presidente: Prof. Dr. Katia Maria Paim Pozzer1. Prazeres, amizades e conflitos na política mesopotâmica Auxílio: CNPq, FAPERGS, ULBRA Resumo: A iconografia de baixos-relevos, os objetos arqueológicos e a documentação epigráfica revelam a importância social do banquete no mundo mesopotâmico. No imaginário babilônico, comer e beber juntos servia para fortalecer a amizade entre os iguais e para reforçar as relações entre o rei e seus súditos. A partilha do alimento, mais do que a própria composição da refeição, era o mais importante. O banquete também era um ato político e sagrado. Com ele selavam-se acordos de paz entre os homens e garantia-se a proteção divina para que a vida na terra fosse mais próspera e mais feliz. Abordaremos o simbolismo político destas narrativas e sua relação com as questões de amizade e inimizade entre deuses e entre homens.
2. A iconografia do êxtase: dionisismo e chamanismo Auxílio: StudioClio Resumo: A iconografia das cerâmicas gregas é pródiga em representações do êxtase menádico. Uma vez que as mênades raramente aparecem consumindo vinho, atribui-se o êxtase representado nos vasos a expressões do transe ritual provocadas pela música e pela dança. Examinaremos, então, a iconografia do transe menádico, identificando-lhe todas as propriedades narrativas, e especularemos, ao final, sobre as relações do dionisismo com o chamanismo antigo.
3. Amizades e prazeres homoeróticos: o simbolismo dos instrumentos musicais nas narrativas visuais Auxílio: UFPEL Resumo: As narrativas visuais dos vasos áticos estabelecem relações simbólicas entre os instrumentos musicais e os conteudos homoeróticos e pedagógicos presentes em cenas referentes a conteúdos variados, seja no contexto da educação, como o percurso para a escola ou as conversas nas palestras e ginásios, seja no contexto de festividades, como nos banquetes e nas Antestérias. Nesta exposição, abordaremos o simbolismo amoroso associado à lýra e ao bárbitos, que suscitam questões relativas a formas de amizade e sexualidade homoeróticas.
Monitores: Dia 22, terça-feira, 14h00-15h30 MR2 - Anexo C - Representações da guerra no mundo antigo: egípcios, assírios e gregos Presidente: Prof. Dr. Fábio Vergara Cerqueira1. Guerras, sons e imagens. Iconografia da música no contexto militar na Grécia Antiga Auxílio: UFPEL Resumo: Philodemos (110-40 b.C.), filósofo e poeta epicurista, nos ensinava que a coragem (andreia), virtude indispensável ao guerreiro, resultava da relação entre o espírito e a prática musical (Philodemos, 55.77). Remete-nos a um aspecto do imaginário grego da guerra: o papel da música no contexto militar. A música estava presente na pedagogia para a formação do cidadão-soldado, assim como na rotina militar, nos exercícios ou propriamente na guerra. Jovens, ao treinarem a disciplina da formação hoplítica, entoavam canções que os exortavam à bravura militar e a uma conduta disciplinada. Quando as tropas marchavam para as batalhas, ou mesmo durante os embates militares, se faziam ouvir o som do aulós, da salpínx (trompete) ou do kéras (berrante de chifre). Na iconografia dos vasos coríntios arcaicos, temos testemuhos do aulós no contexto militar; nos vasos áticos, da salpínx
2. Narrativa visual da guerra no Império Assírio Auxílio: CNPq, FAPERGS, ULBRA Resumo: Na Assíria do I milênio a.C., civilização e arte caminharam juntas no processo de constituição de impérios e de guerras devastadoras. Para compreendermos a civilização e arte assírias é preciso perceber este processo histórico, pois o desenvolvimento da civilização e a inspiração da arte dependeram, diretamente, do que aconteceu nos campos de batalha. Se os assírios conheceram uma fecundidade artística foi para afirmar, iconograficamente, sua supremacia. A partir das imagens de baixos-relevos dos palácios assírios identificaremos o papel da ideologia do poder real e de como ela foi interpretada pelos artistas na representação imagética da guerra e dos conflitos militares, que marcaram a constituição do grande império neo-assírio na Antigüidade.
3. Guerra e hieroglifos: memórias de violência Auxílio: CNPQ Resumo: A Paleta de Narmer, o mais antigo registro em hieroglifos conhecido, data dos inícios do período faraônico, cerca de 3.000 a.C. O traçado perfeito dos símbolos nesta paleta, exemplos daquela que é reconhecida como a mais bela escrita do mundo, distrai a atenção do observador sobre a violência das cenas ali narradas. A partir dessas imagens, identificaremos o ‘lugar’ da escrita hieroglífica na construção de um discurso da violência, ao longo da História Egípcia. E apontaremos como esta condição tornava o escriba um profissional muito poderoso, com competência para participar no processo histórico imperialista, através da construção das imagens.
Monitores: MR4 - Aud. Reitoria - Aspectos relacionais da phýsis Presidente: Prof. Dr. Fernando Santoro1. Versos épicos sobre a amizade natural: Empédocles Resumo: O que leva Empédocles a considerar a Amizade (philótes) um princípio universal da Natureza (phýsis)? Como Platão e Aristóteles interpretam filosoficamente esta amizade-princípio? Em que medida os princípios da realidade podem ou não ser chamados de antropomórficos? Em que medida isso é ou não devido à poesia? Por que o filósofo da Natureza emprega a forma do hexâmetro épico?
διπλ’ ἐρέω· τοτὲ μὲν γὰρ ἓν ηὐξήθη μόνον εἶναι
ἐκ πλεόνων, τοτὲ δ’ αὖ διέφυ πλέον’ ἐξ ἑνὸς εἶναι, πῦρ καὶ ὕδωρ καὶ γαῖα και ἠέρος ἄπλετον ὕψος, Νεῖκός τ’ οὐλόμενον δίχα τῶν, ἀτάλαντον ἁπάντηι, καὶ Φιλότης ἐν τοῖσιν, ἴση μῆκός τε πλάτος τε· (DK 31 B 17) “duplas (coisas) direi: pois ora um foi crescido a ser um só de muitos, ora de novo partiu-se a ser muitos de um só, fogo e água e terra, e de ar a infinita altura, e Ódio funesto fora deles, de peso igual em toda parte, e Amizade dentro deles, igual em comprimento e largura.” O poema em versos épicos de Empédocles acerca da Natureza, por toda visada, é espantoso e provoca-nos uma reflexão profunda sobre o que é o conhecimento, sobre como se constitui a linguagem filosófica e sobre nossa relação com o mundo circundante. O estudo dos fragmentos de um filósofo pré-socrático e sua recepção entre os filósofos clássicos é tanto um desafio como uma fonte de raras surpresas e prazeres a compartir. 2. Matizando a phýsis na leitura do Corpus hippocraticum Resumo: Esta comunicação pretende apresentar o desenvolvimento das idéias sobre a phýsis defendidas há dez anos por meio da tese intitulada "Os limites do sagrado na nosologia hipocrática". A proposta interpretativa da tese, de uma compreensão da phýsis em dois níveis, mostra-se, nesta comunicação, reformulada em prol de um modelo matizante que habita uma 'terra do fogo' onde opera a tékhne. 3. A relação entre Sócrates e Anaxágoras no "Fédon" Resumo: No Fédon, Sócrates revela seu interesse pela concepção de Anaxágoras segundo a qual o nous é o princípio de todas as coisas. Trata-se de um momento crucial no qual Sócrates subitamente adentra a compreensão propriamente filosófica da causa de todas as coisas. Interessa-nos aqui o silêncio de Sócrates em relação à afirmação de Anaxágoras segundo a qual tudo está em tudo. Monitores: MR5 - Anexo B - Amizade e ação na Grécia Antiga Presidente: Prof. Dr. Olimar Flores-Júnior1. Cínicos misantropos, cínicos filantropos: sobre o individualismo ético no cinismo antigo Olimar Flores-Júnior, Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais Resumo: Procura os lugares mais freqüentados (poluanqrwpo/tata tw=n xwri/wn) e nesses mesmos lugares queira estar incomunicável (a)koinw/nhtoj), não se aproximando de conhecido (fi/lon) ou estranho (ce/non)”. Esse seria, segundo Luciano (Vitarum auction 10), em sua sátira sobre as escolas filosóficas, um dos comandos da ética cínica. Mas a sátira luciânica, cuja eficácia depende dos mecanismos da caricatura, recupera de cada uma das escolas filosóficas que ela põe em cena os traços que, pelo menos da perspectiva do senso comum, seriam os mais característicos. No caso do cinismo, destaca-se a ambigüidade de sua doutrina ética. A presente comunicação, recorrendo a outras fontes que compõem o corpus cínico, visa a conciliar as duas imagens do filósofo cínico como, a um só tempo, misantropo e filantropo, respondendo às seguintes questões: (1) voltada para o próprio indivíduo, a ética cínica pode de fato ser definida como misantrópica?; e (2) a ambigüidade do comportamento do cínico pode ser dissolvida na hipocrisia de um “tartufo que prega o isolamento no meio da corte”? Busca-se enfim demonstrar que o oxímoro “misantropia filantrópica” está na base mesma da ação que o filósofo cínico se propõe.
2. Recepção à mesa como signo de "amizade" na Odisséia Resumo: Ainda que o conceito filosófico de "amizade" (ou philía) possa ser uma projeção anacrônica no caso da Odisséia, é possível aí pensar - a partir do quadro ritual mais abrangente da hospitalidade - os modos de recepção à mesa como signo primeiro de uma disposição positiva para o acolhimento, o contato e a troca de dons (por exemplo, Nestor e Menelau para com Telêmaco), ou de uma disposição negativa para a rejeição, o afastamento e um eventual revide (por exemplo, os pretendentes para com Ulisses-mendigo), em uma oposição básica no modo de relação social que de algum modo estrutura o conjunto da intriga do poema.
3. Guimarães Rosa e a épica homérica: símiles no "Grande Sertão: veredas" Ana Luiza Martins Costa, pesquisador independente Resumo: No romance "Grande sertão: veredas", João Guimarães Rosa faz com que o narrador Riobaldo incorpore no movimento da sua fala o modo de ser da narrativa oral – dos narradores tradicionais do sertão –, apresentando-se como um contador de estórias. Se a “novidade e força lingüística” do livro dependem desse espírito épico, no entanto, essa é uma questão que não se restringe ao campo estilístico: ao mimetizar a épica oral em seu romance, Guimarães Rosa incorpora o próprio modo de ser do pensamento analógico que a sustenta. Nos épicos homéricos, o modo analógico de pensar está presente em cada aspecto de seu estilo, expressando-se através de símiles, augúrios (sinais e sonhos premonitórios) e estórias paradigmáticas (símiles míticos ou históricos). Em "Grande sertão: veredas", de modo similar, a analogia pode ser flagrada não só nas comparações, mas também nas inúmeras estórias intercaladas na narrativa de Riobaldo. Longe de possuírem um valor meramente ornamental, envolvem um ato de conhecimento: é através do confronto de imagens concretas que o narrador apreende seu objeto, conferindo-lhe visibilidade e significado. Veremos como, através de imagens retiradas diretamente do mundo do sertão, Riobaldo descreve seus personagens e procura captar o que é estranho e escorregadio, o que é desconhecido ou difícil de ser apreendido, a “matéria vertente” das coisas, como os sentimentos mais íntimos e obscuros, os movimentos sinuosos do pensamento e da vontade, dos sonhos e da memória, a fugacidade do tempo e os limites incertos do espaço. Monitores: MR7 - Anexo A - Amizade e prazer na Filosofia Antiga Presidente: Prof. Dr. Miriam Campolina Diniz Peixoto1. Modos e atributos do prazer na filosofia Pré-Socrática Resumo: De que modo foram considerados os prazeres no primeiro século da história da filosofia? Um exame da coletânea de testemunhos e fragmentos organizada por H. Diels aponta para duas perspectivas principais na consideração dos prazeres. A primeira consiste em distinguir os prazeres em razão de sua natureza, distinção que se processa pelo uso de diferentes termos para se referir aos prazeres: hedonê, terpsis e hêdus. Uma outra perspectiva é aquela em que se distingue os prazeres não pelo recurso a termos diferentes, mas através dos adjetivos que os qualificam: hêdonai akairoi, hai sômatikai hêdonai, entre outros. Em nossa exposição, apresentaremos e examinaremos estas duas perspectivas com o intuito de evidenciar o caráter da reflexão desenvolvida, no quadro da filosofia Pré-Socrática, sobre os prazeres.
2. O prazer tirânico no livro IX da "República" Marcelo P. Marques, - sócio da SBEC Resumo: Por que o prazer do homem tirânico é incompatível com a amizade? A pesquisa descreve o tirano negativamente, prefigurando a noção do Ilimitado: o psiquismo tirânico não tem referência de medida para ordenar suas diferenças internas, sendo por isso injusto e incapaz de prazer autêntico; não sendo capaz de exercer poder sobre si mesmo, acaba por escravizar o outro; não consegue exercer a confiança, porque não reconhece a igualdade na diferença, perante o outro.
3. A relação entre Desejo e Falta nas concepções platônicas de Amor e Amizade Maria Aparecida de Paiva Montenegro, Universidade Federal do Ceará Resumo: Não é fácil demarcar a diferença entre as concepções platônicas de Amor e Amizade. Nos diálogos mais propriamente voltados para o assunto, como o Lísis, o Banquete e o Fedro, parece haver uma espécie de confluência entre os dois temas, tal que o exame de um acaba por desembocar no exame do outro. Com efeito, no Lísis, enquanto a amizade constitui-se como o foco da discussão travada por Sócrates com Menexeno, o diálogo traz como pano de fundo e com forte apelo dramático o amor de Hipótales pelo jovem Lísis. Já no Banquete, apesar de ser o amor o tema central do diálogo, tem-se a partir do discurso de Pausânias a diferenciação entre dois tipos de amor, de modo que o mais belo deles em muito se aproxima daquilo que se entende por amizade. No Fedro, por sua vez, a amizade parece constituir-se como a reciprocidade de sentimento nutrida pelo amado com relação ao seu amante apaixonado. Em outras palavras, a amizade é aí definida como um amor mitigado. De todo modo, ambos, Eros e Philia têm como causa o desejo, suposto como movimento de busca desencadeado por uma falta. Pretendo mostrar que os três diálogos supracitados mantêm uma espécie de continuidade temática, uma vez que a partir da leitura dos mesmos tem-se o desenvolvimento das seguintes teses: 1) O desejo é a causa tanto do amor quanto da amizade; 2) O desejo é marcado por uma falta (presente ou futura); 3) O que falta é na verdade algo que foi perdido; 4) O desejo é o movimento da alma na direção de recuperar algo que ela perdeu, a saber, a contemplação do Belo. Monitores: Dia 24, quinta-feira, 14h00-15h30 MR8 - Anexo B - Castor-Pólux, Aquiles-Pátroclo, Orestes-Pílades... Niso-Euríalo: amizades singulares Presidente: Prof. Dr. Francisco Edi de Oliveira Sousa1. Castor e Pólux nos "Cantos Cíprios", modelos para Niso e Euríalo na Eneida? Resumo: No canto IX da Eneida, o episódio de Niso e Euríalo (v. 176-449) expõe uma peculiar amicitia entre dois guerreiros, cuja morte provoca forte efeito patético. Entre os modelos principais desse episódio, estudiosos relacionam: a Ilíada, com a embaixada para Aquiles no canto IX e a dolonéia no canto X; a Odisséia, com a viagem de Telêmaco em busca de Ulisses nos cantos I-IV; os Anais, de Ênio, com relatos da guerra contra Haníbal no livro VIII; a Ifigênia em Tauris, de Eurípides, com a relação entre Orestes e Pílades. Tais modelos, todavia, não propiciam um exame adequado dos elementos mais inspiradores de páthos: a feição da amicitia entre os dois e o modus mortis. Assim, este estudo discute um possível modelo capaz de iluminar a amicitia e o modus mortis de Niso e Euríalo: os Cantos Cíprios (épico do ciclo troiano), com a participação de Castor e Pólux. 2. Uma unidade semântica em pares de amigos: de Aquiles-Pátroclo a Pisetero-Evélpides Resumo: Há uma íntima conexão entre Aquiles e Pátroclo, que é interpretada em Platão como uma relação amorosa, ainda que se atribua ao amado o sentimento de amizade para com o amante, e a este o de amor para com o amado. Nosso objetivo neste trabalho é identificar a unidade de sentido existente em pares de amigos (aqui representados por Aquiles e Pátroclo) que formam um ser duplo, como os seres inteiriços do mito contado por Aristófanes no Banquete de Platão. Partindo do modelo homérico para o mito atribuído ao comediógrafo no seu discurso sobre o amor, passaremos a investigar os duplos da comédia aristofânica como uma unidade semântica, especialmente observando o par de amigos Pisetero e Evélpides em Aves – Pisetero tem em seu nome a palavra “companheiro” (hetaîros). Eles representam respectivamente a persuasão e a esperança (ou crença); um persuade, o outro acredita.
3. Encenando amizade: Pílades e Orestes na tragédia Resumo: Os poetas épicos são pouco explícitos sobre a relação de amizade entre Pílades e Orestes. A poesia trágica, entretanto, ocupar-se-á do tema. N’As Coéforas, de Ésquilo, é Pílades quem aconselha o amigo sobre o que fazer; em Electra, a despeito do silêncio que Sófocles lhe imprime, é ainda o protetor fiel de Orestes. Por fim, Eurípides, em Electra, Orestes e Ifigênia em Táuris, menciona a afeição entre Pílades e Orestes. Desse modo, pretende-se, mostrar a importância da amizade no mito antigo que envolve Orestes e, em especial, nas tragédias supraditas.
Monitores: MR9 - Anexo C - Platão e os discursos amorosos Presidente: Prof. Dr. Anastácio Borges de Araújo Júnior1. Eros no discurso socrático do "Banquete" de Platão Resumo: Nossa comunicação tentará mostrar que o discurso socrático acerca de Eros no Banquete, além de elucidar a natureza do conceito pela sua filiação mítica, utiliza-se também da noção de dynamis tal como foi definida no final do livro V do diálogo República (477 c e ss.). Ou seja, dynamis é uma realidade apreendida apenas pelo objeto a que se refere e pelo efeito que esta realidade produz, não sendo algo apreensível diretamente. Deste modo, o Eros, tal como o define Sócrates, é sempre amor de algo e enquanto tal produz efeitos correspondentes. A ascensão erótica descrita por Sócrates no Banquete pode ser traduzida na mudança de objetos que tem como correspondência a alteração de efeitos. Se esta interpretação for razoável, podemos dizer que não sabemos o que é o amor, mas conhecemos os seus objetos e os efeitos que lhe acompanham. 2. A amizade no "Lísis” José Gabriel Trindade Santos, UFPB/Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa Resumo: O objetivo desta comunicação é interpretar a noção de philia (“amizade”), no Lísis, apontando a sua filiação nas noções de oikeios (“afinidade”) e syngeneia (“congenitura”, “conaturalidade”: Ménon 81b, passim). O diálogo é dominado pela incapacidade de caraterizar a relação da “afinidade” com a “semelhança” (homoion: 222a-e). Se o primeiro amigo é o bom (220a), aquele que o deseja, não pode ser semelhante, nem contrário a ele: se fosse semelhante, não teria motivo para o desejar; se fosse contrário, teria de o repelir. Debaixo da aporia, escondem-se os problemas da relação entre o bem e o mal e da contrariedade. O primeiro é resolvido no Timeu através do desdobramento da criação do cosmo vivo: enquanto a alma imortal é criada pelo demiurgo, as almas irrracionais e os corpos dos mortais são construídas pelos deuses criados (41a-d). O segundo é resolvido no Sofista pela reformulação do sentido da negativa, que passa a poder ser lida como alteridade, além de como contrariedade. Esta solução é antecipada materialmente no Lísis pela interposição de “o que não é bom nem mau” (218b-c) entre o bom e o mau, associada em diversos diálogos à concepção do mal como “ignorância” do bem (Ti. 86d-e; vide Sof. 228c; Ti. 86b-90d; vide R. I 353e). 3. Eros e retórica no "Fedro" de Platão Dennys Garcia Xavier, Univ. Fed. de Uberlândia Resumo: O significativo número de subtítulos com os quais o diálogo Fedro de Platão nos foi transmitido pela tradição – “sobre o Belo”, “sobre o Eros”, “sobre a Retórica” entre outros – indica, emblematicamente, a dificuldade enfrentada pelo leitor atento de encontrar-lhe o verdadeiro tema, isto é, o conteúdo ao qual efetivamente se refere. Em nossa exposição, tentaremos demonstrar em que medida a pluralidade temática do Fedro – e em especial a referência ao “Eros” – deve ser interpretada à luz da sua reflexão sobre a retórica (entendida aqui como ciência da comunicação filosoficamente eficaz). Monitores: MR10 - Anexo A - Amizade, prazer e filosofia Presidente: Prof. Dr. Markus Figueira da Silva1. Amizade e prazer: desejos naturais e necessários Resumo: Trata-se de mostrar as implicações entre amizade e prazer na consecução da vida feliz, segundo o que diz Epicuro na Carta a Meneceu, nas Máximas e nas Sentenças Vaticanas. A chave da interpretação dos termos em questão está na análise dos desejos naturais e necessários. Amizade, prazer e filosofia aí se encontram.
2. Sócrates, Alcibíades e Montaigne Resumo: Nenhuma relação envolvendo amizade, prazer e filosofia é mais famosa que a de Sócrates e Alcibíades. Dos pensadores que tiveram na amizade um dos temas principais de sua filosofia, Montaigne é um dos mais famosos. Um exame da relação destes gregos, e de suas figurações na obra do pensador francês, pode se revelar bastante útil para esclarecer as relações entre amizade, prazer e filosofia da Antiguidade ao Renascimento.
3. Prazer no "Fedon" de Platão Resumo: Talvez o "Fedon" seja um dos diálogos em que Platão mais claramente critica o corpo e o prazer. Para entender a atitude de Sócrates diante da morte é preciso entender tal posição filosófica e pedagógica. A comunicação pretende apresentar de que modo isso é feito e quais são exatamente essas críticas.
4. Alguns problemas na tradução do "Sofista" de Platão Resumo: Experiência de dois cursos de pós-graduação. Os vários sentidos do
"SER": ou máiúscula, ou minúscula? A questão do sujeito e predicado.
Dianoia e logos. Os três verbos "participar". Monitores: © 2008-2009 Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos [www.classica.org.br] | ![]() Tabulae
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